CNBC

CNBCDecisão da Sony em relação à mídia física do PlayStation ameaça mercado de revenda de US$ 7 bi

Empresas & Negócios

Decisão da Sony em relação à mídia física do PlayStation ameaça mercado de revenda de US$ 7 bi

Publicado 21/07/2026 • 22:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Em 2013, a Sony zombou do Xbox mostrando como era fácil compartilhar um disco do PlayStation. Mais de uma década depois, os jogadores dizem que a Sony está se tornando exatamente aquilo de que zombava.
  • A decisão da Sony de parar de produzir discos físicos para novos jogos de PlayStation a partir de 2028 pode reduzir custos e aumentar os lucros digitais, mas analistas afirmam que os consumidores perderão a possibilidade de trocar, emprestar, revender ou realmente possuir jogos.
  • A medida poderá representar um duro golpe para o mercado global de jogos de segunda mão, estimado em cerca de 7 mil milhões de dólares.

Foto: Getty Images

Em junho de 2013, o PlayStation, da Sony, publicou um vídeo curto demonstrando como era fácil compartilhar jogos na plataforma.

No vídeo, o então executivo da Sony Shuhei Yoshida simplesmente entregava um disco ao colega Adam Boyes. A cena, porém, foi interpretada como muito mais do que uma simples instrução: era vista como uma provocação à rival Microsoft, que, na época, adotava políticas rígidas de compartilhamento de jogos no Xbox.

“Troque o jogo em uma loja. Venda para outra pessoa. Empreste a um amigo ou fique com ele para sempre”, afirmou o então presidente e CEO da Sony Computer Entertainment America, Jack Tretton, durante uma conferência naquele mesmo ano. “Quando um jogador compra um disco de PS4, ele tem o direito de usar aquela cópia do jogo.”

A declaração foi recebida com uma ovação de pé e ajudou a intensificar a reação negativa que levou o Xbox a abandonar suas políticas restritivas.

Agora, na visão de alguns consumidores, a Sony está se tornando justamente a vilã que antes criticava.

O PlayStation anunciou que encerrará a produção de discos físicos para novos jogos lançados em seus consoles a partir de janeiro de 2028, tornando todos os novos lançamentos exclusivamente digitais.

As versões vendidas em lojas físicas, quando existirem, trarão apenas um código para download, e não um disco.

Um dos primeiros jogos a adotar esse modelo deverá ser Grand Theft Auto VI, da Take-Two Interactive, publicado pela Rockstar Games e previsto para ser lançado ainda este ano.

Economia favorece a Sony

Do ponto de vista financeiro, a mudança beneficia a Sony. Ao vender mais jogos em formato digital, a empresa reduz os custos de fabricação de caixas e elimina completamente a produção de discos físicos, aumentando suas margens de lucro.

Michael Pachter, diretor-gerente de planejamento estratégico da Wedbush Securities, afirmou à CNBC que a decisão economizará dinheiro para a Sony, mas alertou que “não há dúvida de que quem paga esse custo é o consumidor, na forma de menos opções”.

Um disco pode ser revendido, trocado, emprestado, dado de presente, guardado em uma estante ou preservado mesmo após o fechamento de uma loja digital. Um código para download não oferece nenhuma dessas possibilidades.

Sem discos físicos, os jogadores perdem a possibilidade de comprar jogos usados por preços menores ou recuperar parte do dinheiro revendendo títulos já finalizados. A mudança também dará à Sony um controle maior sobre onde os jogos são vendidos, quando recebem descontos e por quanto tempo os consumidores poderão acessá-los.

“É uma reviravolta realmente irônica”, afirmou Kazunori Ito, diretor de pesquisa em ações da Morningstar, à CNBC. Segundo ele, em 2013 a Sony conquistou a boa vontade dos consumidores ao apresentar os discos físicos como a alternativa “simples e favorável ao consumidor”.

No YouTube, jogadores resgataram os antigos vídeos da Sony acompanhados de comentários críticos.

“É como assistir ao vídeo do casamento depois do divórcio”, escreveu um usuário.

“Como os poderosos caíram”, comentou outro.

Os jogos físicos já existentes e os títulos lançados em disco antes da mudança continuarão funcionando normalmente.

“Esta é uma decisão extremamente prejudicial ao consumidor, sem justificativa legítima, e demonstra desprezo pelos jogadores de seu ecossistema”, afirmou Michael Futter, fundador da consultoria F-Squared, especializada na indústria de games.

Segundo Futter, o problema é que os consoles operam em ecossistemas fechados, totalmente controlados pelas fabricantes. No PC, por outro lado, os jogadores podem adquirir jogos em diversas plataformas, como Steam e Epic Games Store.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

“A Sony gostaria que acreditássemos que a migração do mercado de PC para o digital é exatamente a mesma coisa que os consoles seguirem esse caminho. Simplesmente não é”, disse.

A Sony e o PlayStation não responderam aos pedidos de comentário feitos pela CNBC.

Mercado de revenda deve encolher

A decisão da Sony também afeta diretamente o mercado de jogos usados.

Segundo estimativas da Dataintelo, o mercado global de jogos de segunda mão — incluindo jogos, consoles, acessórios e periféricos usados — movimentou US$ 7,2 bilhões em 2025 e deverá atingir US$ 13,8 bilhões até 2034.

“Historicamente, pelo menos um terço dos jogos foi vendido como usado, e essas vendas também serviam como moeda para que os jogadores obtivessem dinheiro e comprassem novos títulos”, afirmou Michael Pachter. “O varejo físico de games está condenado.”

Enquanto os jogos físicos antigos ainda poderão circular após o fim da produção de discos, isso não será possível com os títulos exclusivamente digitais.

Kazunori Ito acredita que o mercado de jogos usados continuará diminuindo até desaparecer.

Segundo Michael Futter, os desenvolvedores também terão menos flexibilidade para oferecer descontos do que ocorre no PC, onde um mesmo jogo pode ser vendido em lojas como Steam, Epic Games Store, GOG e outras.

Mudança acompanha comportamento do consumidor

Os defensores da Sony argumentam que o mercado mudou significativamente desde 2013.

Os resultados financeiros da empresa referentes a 2025 mostram que a receita obtida com jogos físicos para PlayStation 4 e PlayStation 5 é quase dez vezes menor do que a receita proveniente dos downloads digitais de jogos completos.

No anúncio oficial, a Sony afirmou que a decisão representa “um caminho natural para a Sony Interactive Entertainment se adaptar às tendências de consumo, já que a preferência geral pela mídia digital supera significativamente a dos discos físicos”.

Em 2024, o executivo da Ubisoft, Philippe Tremblay, afirmou que os jogadores deveriam se acostumar com a ideia de “não possuir seus jogos”, declaração que provocou forte reação negativa da comunidade gamer.

Recentemente, a Sony também anunciou que as compras na PlayStation Store para PS3 e PS Vita serão encerradas na maior parte dos países em julho de 2027.

Além disso, mais de 500 filmes adquiridos anteriormente serão removidos das bibliotecas dos usuários do PlayStation devido a acordos de licenciamento, sem qualquer menção, por parte da empresa, a compensações aos consumidores.

Ainda assim, alguns especialistas demonstram preocupação com os próximos passos.

“O que impede que o PlayStation faça a mesma coisa com os jogos que já compramos?”, questionou Michael Futter.

Kazunori Ito compartilha dessa preocupação.

“Existe uma diferença importante entre os jogadores aceitarem essa mudança porque enxergam valor nela e ela ser, na prática, imposta pela eliminação da alternativa”, afirmou.

“A maioria das pessoas preferiria fazer essa transição da sua própria maneira e no seu próprio ritmo, em vez de ser forçada pelo fim dos discos físicos”, concluiu.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.

MAIS EM Empresas & Negócios