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Empresa ligada a ‘Dark Horse’ recebeu R$ 1 milhão de ONG na mira da PF por desvio de emendas
Publicado 10/09/2026 • 19:25 | Atualizado há 39 minutos
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Publicado 10/09/2026 • 19:25 | Atualizado há 39 minutos
KEY POINTS
Foto: Agência Brasil
Uma empresa ligada à produção de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), recebeu pelo menos R$ 1 milhão do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG investigada pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de desvio de recursos públicos.
A transferência para a Go7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural aparece em relatórios de inteligência financeira obtidos pelos investigadores e foi citada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), na decisão que autorizou a Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10).
Uma das linhas de investigação busca esclarecer se dinheiro recebido pelo ICB, inclusive por meio de emendas parlamentares, acabou sendo usado para financiar “Dark Horse”.
A própria PF ressalta, porém, que os elementos reunidos até agora não comprovam uma ligação direta entre os recursos públicos recebidos pela entidade e os valores destinados às empresas relacionadas à produção cinematográfica.
Leia também: Dark Horse: Polícia Federal apreende armas com deputado Mario Frias e vai apurar posse ilegal
O pagamento de R$ 1 milhão do ICB à Go7 foi realizado em uma única transferência, em data situada entre 1º de dezembro de 2025 e 2 de fevereiro de 2026.
Criada por Karina Gama em 2005, a Go7 não aparece formalmente nos registros da Agência Nacional do Cinema (Ancine) como produtora de “Dark Horse”.
A empresa, no entanto, é citada no material de apresentação do filme como uma das responsáveis pela criação da GoUp Entertainment, produtora do longa.
“A união da expertise da empresa brasileira GO7, assessoria, produção e marketing cultural com a empresa americana Uptone Picture, ambas com 20 anos de experiência multimercado, que formaram uma joint venture sediada na cidade de Miami”, afirma o documento citado na investigação.
Karina Gama também está ligada ao ICB e à GoUp e foi alvo das buscas realizadas nesta quinta. A operação cumpriu 49 mandados em diferentes Estados e também teve o deputado federal Mário Frias (PL-SP) entre os alvos.
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Siga o Times | CNBCA investigação identificou ainda outras movimentações entre empresas relacionadas às estruturas analisadas.
Segundo a decisão de Dino, o ICB transferiu R$ 700 mil para a Dinâmica Editora e para o Instituto Super Poder Educacional. Paralelamente, a NTT Brasil, vinculada ao mesmo grupo empresarial, repassou R$ 750 mil à GoUp Entertainment.
Os investigadores destacam a proximidade temporal entre essas operações, embora afirmem que isso, por si só, não demonstre que o dinheiro tenha a mesma origem.
Entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, período que coincide com as filmagens de “Dark Horse”, a GoUp movimentou R$ 19 milhões.
Dentro desse total, a PF identificou R$ 750 mil enviados pela NTT Brasil e R$ 645,4 mil transferidos pelo próprio Mário Frias.
Leia também: Dark Horse: PF faz buscas contra Mario Frias e produtora de filme sobre Bolsonaro em investigação sobre emendas
Outro eixo da apuração envolve R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas por Frias ao Instituto Conhecer Brasil.
A PF também analisa o contrato de R$ 108 milhões firmado entre a entidade e a Prefeitura de São Paulo para instalação e manutenção de pontos de Wi-Fi em regiões periféricas da capital.
Os investigadores apuram contratos e transferências realizados a partir dessas estruturas para determinar se houve simulação de serviços, desvio de recursos públicos ou direcionamento de dinheiro para finalidades diferentes das previstas.
A Go7, o ICB, a GoUp Entertainment e Karina Gama foram alvos das medidas autorizadas por Dino. Mário Frias também foi alvo de busca e apreensão.
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