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Sem citar armas apreendidas, Mario Frias chama operação da PF de “cortina de fumaça”

Publicado 10/09/2026 • 19:27 | Atualizado há 2 meses

KEY POINTS

  • Frias confirmou que agentes apreenderam celular, documentos e computador durante buscas em sua residência.
  • Deputado disse que as emendas de R$ 2 milhões investigadas financiaram projetos esportivo e de letramento digital.
  • Parlamentar não respondeu diretamente, no vídeo, aos questionamentos da PF sobre R$ 645,4 mil transferidos por ele à produtora de “Dark Horse”.

Roberto Castro/Mtur

O deputado federal Mario Frias (PL-SP) classificou como “cortina de fumaça” a operação da Polícia Federal (PF) que realizou buscas em sua residência nesta quinta-feira (10) e afirmou que espera que a investigação seja arquivada.

Foi a primeira manifestação pública do parlamentar após a Operação Make Up, que apura suspeitas de irregularidades na destinação de emendas parlamentares. Em vídeo publicado nas redes sociais, Frias disse que pretende colaborar com os investigadores e entregar os documentos solicitados.

“Se há alguma nota que a CGU quer ver, isso se resolve com documento, não com operação em ano de eleição, cortina de fumaça.”

Segundo o deputado, os agentes levaram celular, documentos e computador de sua residência. Ele não mencionou as 7 armas que foram apreendidas.

“Hoje de manhã, a PF cumpriu um mandado de busca na minha residência. Levaram celular, documentos, computador. Ninguém foi preso, é claro, porque não existe mandado de prisão contra mim nem contra ninguém.”

Leia também: Dark Horse: Polícia Federal apreende armas com deputado Mario Frias e vai apurar posse ilegal

Frias questiona investigação

A apuração envolve duas emendas de autoria de Frias, que destinaram R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil (ICB).

No vídeo, o deputado afirmou que o dinheiro foi direcionado a dois projetos, um esportivo e outro de letramento digital.

“A investigação é sobre uma emenda parlamentar de R$2 milhões que eu destinei para contemplar um projeto esportivo e outro de letramento digital, para tirar crianças da rua, para ensinar crianças, jovens e adolescentes a se desenvolverem intelectualmente.”

Frias também criticou a forma como a investigação vem sendo conduzida e afirmou que sua defesa tenta acessar o conteúdo do inquérito há meses.

“Primeiro, a minha defesa pede acesso ao inquérito há meses. Como é que pode defender de alguma acusação sem ler? A gente descobre o que estão dizendo pelo jornal no mesmo dia em que a sua porta é arrombada.”

O parlamentar sustentou ainda que recursos de emendas não passam diretamente pelas mãos dos congressistas e que cabe ao órgão responsável pela execução analisar o plano de trabalho e fiscalizar a prestação de contas.

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“Emenda parlamentar não é dinheiro que passa pela mão do deputado. Ela vai do Tesouro para o órgão executor, que aprova um plano de trabalho previamente e fiscaliza a prestação de contas.”

Leia também: Dark Horse: PF faz buscas contra Mario Frias e produtora de filme sobre Bolsonaro em investigação sobre emendas

PF apura movimentações ligadas a ‘Dark Horse’

Autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a operação investiga a aplicação de recursos destinados pelo deputado ao ICB e movimentações financeiras relacionadas a empresas ligadas ao filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Entre os pontos levantados pela PF está uma transferência de R$ 645,4 mil feita pelo próprio Frias à GoUp Entertainment, produtora do filme, em menos de 60 dias.

Os investigadores questionam a origem dos recursos diante da remuneração mensal do parlamentar. No vídeo, Frias não mencionou esse ponto.

O parlamentar afirmou que as suspeitas ainda não representam comprovação de irregularidade e criticou a repercussão da operação.

“Terceiro, repararam na palavra suspeita? Toda matéria diz suspeita, supostamente teria, porque é isso que existe, suspeita baseada numa matéria de jornal medíocre, sem pé nem cabeça, apresentada por uma parlamentar que é correligionária do partido do ministro relator do caso.”

Deputado diz que seguirá em campanha

Frias também relacionou a operação ao cenário eleitoral e afirmou que continuará cumprindo sua agenda política.

“Há um mês da eleição, vou colaborar com tudo que for pedido, vou entregar cada documento e vou seguir na rua mantendo a minha agenda, representando São Paulo e apoiando o meu presidente Flávio Bolsonaro.”

Ao final do vídeo, o deputado afirmou acreditar que a investigação terminará sem responsabilização.

“Só que a foto na porta da minha casa que foi tirada, ela não vai ser apagada quando o arquivamento vier. O trauma que a minha filha passou também não.”

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