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Caso Master: Ex-dono da Reag relata uso de fundos para ocultar propinas de Vorcaro a autoridades em delação

Publicado 10/09/2026 • 10:26 | Atualizado há 40 minutos

KEY POINTS

  • João Carlos Mansur afirmou em delação que fundos da Reag teriam sido usados para ocultar propinas de Daniel Vorcaro a autoridades públicas.
  • O acordo foi fechado com a PGR e enviado ao ministro André Mendonça para homologação no STF.
  • A colaboração reúne 17 frentes e amplia as informações já entregues sobre operações financeiras ligadas ao Banco Master.

João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, afirmou, em acordo de colaboração premiada, que fundos administrados pela gestora teriam sido usados para ocultar pagamentos de propina feitos por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, a autoridades públicas.

O acordo foi fechado com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e enviado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que ainda precisa decidir sobre a homologação. Mansur também teria detalhado a participação da Reag, dos fundos de investimento e de pessoas que atuavam como laranjas de Vorcaro.

Segundo a Folha de S.Paulo, que revelou o conteúdo da delação, Mansur afirmou que a estrutura dos fundos serviu para esconder o destino de recursos usados no pagamento de propinas. A defesa de Vorcaro disse ao jornal que ainda não teve acesso aos anexos da colaboração e, por isso, não poderia se manifestar sobre as acusações.

O acordo de Mansur reúne 17 frentes de colaboração e prevê o pagamento de cerca de R$ 40 milhões. A Reag chegou a administrar aproximadamente 700 fundos, com cerca de R$ 300 bilhões em ativos. A delação é a primeira firmada pela PGR no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master.

Mansur já havia fornecido informações sobre operações envolvendo fundos ligados à Reag e apontado caminhos de recursos supostamente desviados do Banco Master. As autoridades apuram se essas estruturas foram usadas para transferir recursos do sistema financeiro para o patrimônio de Vorcaro e realizar pagamentos ilícitos.

Leia também: Caso Master: delação de fundador da Reag pode expor estrutura que administrou R$ 300 bilhões

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Delação aguarda homologação

Mansur já prestou depoimento a um juiz auxiliar do gabinete de André Mendonça como parte do processo de homologação do acordo. Cabe ao ministro verificar se a colaboração foi voluntária e se cumpre as exigências legais antes de validá-la.

As informações apresentadas pelo empresário podem ajudar os investigadores a detalhar o fluxo de dinheiro e o uso de fundos e de outras estruturas financeiras nas operações relacionadas ao Banco Master. Os relatos do colaborador, porém, ainda precisam ser confrontados com outras provas.

Outra colaboração ligada a Vorcaro já avançou no STF. Nesta quarta-feira (9), Mendonça homologou o acordo de Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, apontado como operador financeiro ligado ao ex-banqueiro.

Freixo relatou sete transferências que somaram US$ 12,3 milhões ao fundo Havengate ao longo de 2025, feitas, segundo ele, a pedido de Vorcaro. O empresário também disse que obtinha e entregava grandes quantias em dinheiro vivo a destinatários indicados pelo ex-controlador do Master, inclusive com transporte de valores em malas.

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