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Nove dias de tensão: a cronologia da crise institucional no STF
Publicado 10/09/2026 • 10:15 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 10/09/2026 • 10:15 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Uma sequência de decisões judiciais, revelações sobre encontros reservados e acusações entre integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) abriu, no início de setembro, uma crise institucional sem precedentes dentro da Corte.
Em poucos dias, o caso envolvendo investigações sobre o Banco Master passou a incluir questionamentos sobre a atuação de ministros, a cúpula da Polícia Federal e os limites de procedimentos conduzidos individualmente no tribunal.
O episódio começou com a divulgação de material da PF e evoluiu para decisões contraditórias sobre o comando da corporação, até levar o presidente do STF, Edson Fachin, a centralizar parte das apurações e convocar uma sessão extraordinária do plenário.
Leia também: STF julga no dia 15 caso inédito em meio à maior crise interna da Corte em décadas
A crise se agravou em 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal produzido no âmbito das investigações relacionadas ao Banco Master.
O documento reunia informações obtidas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, incluindo mensagens envolvendo um número atribuído ao ministro Alexandre de Moraes. O material também fazia referência a um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
Após a divulgação, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório produzido pela PF. A PGR sustentou que providências envolvendo autoridades com foro no Supremo não poderiam ser tomadas daquela forma por decisão isolada do relator.
No dia seguinte, surgiu um novo foco de questionamento. Após uma reportagem revelar que André Mendonça havia se reunido com Daniel Vorcaro em março de 2025, o ministro veio a público e confirmou o encontro.
Segundo a versão apresentada por Mendonça, a reunião ocorreu uma única vez, teve caráter institucional e não tratou das apurações nem de decisões judiciais sobre créditos ou interesses do banco. A revelação aumentou a pressão sobre a condução do caso e levou Mendonça a defender sua imparcialidade.
No mesmo dia, o presidente do Supremo, Edson Fachin, afirmou que analisava a situação e que eventuais medidas seriam adotadas dentro dos instrumentos constitucionais disponíveis.
A tensão aumentou em 3 de setembro. Alexandre de Moraes reagiu à condução do caso e determinou uma apuração sobre a atuação do gabinete de Mendonça, apontando possíveis irregularidades relacionadas à divulgação e ao tratamento das informações produzidas pela Polícia Federal.
Mendonça, por sua vez, procurou Fachin e questionou a iniciativa do colega. Diante do conflito aberto entre os dois ministros, o presidente da Corte assumiu papel de contenção e estabeleceu prazo para manifestações formais dos envolvidos, além da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal.
André Mendonça também anunciou sua saída da sociedade do Instituto Iter, local onde se reuniu com Vocaro, após questionamentos sobre contratos públicos firmados pela entidade.
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Siga o Times | CNBCEm 4 de setembro, Fachin decidiu retirar do inquérito das fake news o pedido de investigação apresentado por Moraes contra Mendonça. A apuração passou a tramitar separadamente e sob acompanhamento da Presidência do Supremo.
No mesmo dia, durante evento no Palácio do Planalto, o presidente do STF defendeu que a Corte encontrasse uma solução institucional para o conflito. Também mencionou a necessidade de encerrar o inquérito das fake news, aberto em 2019, além de avançar na discussão de um código de ética para os integrantes do tribunal.
A intervenção marcou uma mudança de postura da Presidência: o objetivo passou a ser reduzir decisões individuais concorrentes e transferir as principais controvérsias para instâncias colegiadas.
Dois dias depois, Mendonça liberou para julgamento o relatório da Polícia Federal relacionado às mensagens atribuídas a Vorcaro e Moraes.
Com isso, caberia a Fachin definir quando o assunto seria analisado pelo plenário. A medida deslocou parte do conflito de uma disputa entre gabinetes para uma decisão a ser tomada pelo conjunto dos ministros.
A disputa ganhou um novo capítulo em 8 de setembro, quando Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. A decisão teve como fundamento suspeitas relacionadas a monitoramento e produção de relatórios de forma irregular.
A Segunda Turma do STF chegou a formar maioria para manter a medida, mas o julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. Em reação ao impasse, integrantes da direção da PF colocaram seus cargos à disposição do governo.
No dia seguinte, Flávio Dino atendeu a um recurso apresentado por Andrei Rodrigues e determinou sua volta imediata à direção da Polícia Federal, além de reverter o afastamento de Leandro Almada. Dino também restringiu a adoção de novas medidas cautelares semelhantes até que o plenário pudesse examinar o caso.
A coexistência de decisões opostas aprofundou o impasse. Ainda em 09 de setembro, Fachin suspendeu os efeitos das determinações de Mendonça e Dino e concentrou na Presidência da Corte o exame das principais questões relacionadas ao conflito.
Fachin também retirou de Moraes parte da relatoria do inquérito das fake news e assumiu os procedimentos ainda sem decisão definitiva. Ao mesmo tempo, limitou a atuação de Mendonça em trechos da investigação sobre o Banco Master relacionados à controvérsia entre os ministros.
Depois de nove dias de escalada, o conflito deixou de envolver apenas suspeitas surgidas na investigação do Banco Master e passou a atingir diretamente o funcionamento interno do Supremo, a relação da Corte com a Polícia Federal e os limites das decisões monocráticas.
A resposta de Fachin foi transferir as principais controvérsias para o colegiado. O presidente marcou para 15 de setembro a análise, pelo plenário, da validade do relatório da PF e dos elementos usados para justificar uma eventual investigação sobre Alexandre de Moraes.
A sessão deverá definir não apenas o destino imediato das apurações, mas também qual será o caminho institucional adotado pelo Supremo para encerrar uma disputa que, em menos de duas semanas, passou de um caso investigativo para um conflito entre ministros da própria Corte.
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