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Caso Master: delação de fundador da Reag pode expor estrutura que administrou R$ 300 bilhões
Publicado 09/09/2026 • 20:55 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 09/09/2026 • 20:55 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
A delação premiada de João Carlos Mansur pode ampliar o alcance das investigações do caso Master. Fundador da Reag, o empresário comandou uma gestora que chegou a administrar cerca de 700 fundos, com aproximadamente R$ 300 bilhões em ativos.
Mansur fechou acordo de colaboração com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e já passou pela audiência para confirmar a voluntariedade da negociação. O acordo ainda precisa ser homologado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A proposta reúne 17 frentes de colaboração e prevê pagamento de cerca de R$ 40 milhões, segundo apuração do Metrópoles. O conteúdo integral da delação permanece sob sigilo.
O principal assunto é a atuação da Reag em operações relacionadas ao Banco Master e a suspeitas de ocultação de valores. A dimensão da gestora, porém, explica por que as informações de Mansur podem interessar a outras apurações.
Reag administrou cerca de R$ 300 bilhões
A Reag chegou a administrar aproximadamente 700 fundos, que somavam cerca de R$ 300 bilhões em ativos, segundo dados apresentados no âmbito da CPI do Crime Organizado.
Como fundador da empresa, ele teve acesso a informações sobre fundos, clientes, estruturas societárias e operações realizadas pela gestora.
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Siga o Times | CNBCA relação entre Reag e Master já está no radar da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Um grupo de trabalho criado pela autarquia analisou 314 processos abertos desde 2017 envolvendo Master, Reag e entidades relacionadas. Desse total, 131 foram instaurados apenas em 2025.
As análises identificaram casos envolvendo problemas na prestação de informações e controles internos, além de indícios mais graves de fraude contra investidores, manipulação de mercado e avaliações patrimoniais inadequadas.
A gestora também foi citada na Operação Carbono Oculto, deflagrada em 2025 para investigar lavagem de dinheiro no setor de combustíveis e estruturas financeiras usadas para esconder patrimônio ligado ao crime organizado.
Um relatório da CPI do Crime Organizado apontou, por exemplo, que o FIDC Gold Style, administrado pela Reag, recebeu cerca de R$ 1 bilhão de empresas citadas na investigação e transferiu R$ 180 milhões para a Super Empreendimentos, ligada a Daniel Vorcaro.
A CVM também encontrou sinais de alerta em uma amostra de 87 fundos relacionados à Carbono Oculto. Em 33% dos casos, auditores independentes se abstiveram de emitir opinião sobre as demonstrações financeiras. Na indústria de fundos como um todo, esse percentual era de 4%.
Em janeiro deste ano, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Reag Trust DTVM. O BC afirmou que encontrou “graves violações” das normas que regem o Sistema Financeiro Nacional.
Mansur, por sua vez, já negou publicamente vínculos da Reag com o PCC. Em depoimento à CPI do Crime Organizado, afirmou que a empresa não era uma companhia de fachada e defendeu os controles internos adotados pela gestora.
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