CNBC

CNBCAções da Intel despencam 20% após empresa projetar trimestre fraco com desaceleração dos PCs

Notícias do Brasil

Ex-presidente do BRB diz à PF que negócio com Master foi acertado por Ibaneis Rocha e Daniel Vorcaro

Publicado 29/10/2026 • 19:14 | Atualizado há 45 minutos

KEY POINTS

  • Paulo Henrique Costa disse à Polícia Federal que a negociação envolvendo BRB e Banco Master começou após uma reunião entre Ibaneis Rocha e Daniel Vorcaro.
  • Segundo o ex-presidente do BRB, Ibaneis pediu que ele estruturasse uma venda do banco público ao Master.
  • Paulo Henrique afirmou ainda que se opôs à operação no dia seguinte, mas ouviu do então governador que se tratava de uma “decisão do acionista”.
BRB

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa afirmou à Polícia Federal (PF) que o negócio envolvendo o banco público e o Banco Master foi acertado em uma reunião entre Daniel Vorcaro e o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).

O depoimento foi prestado no último dia 15 e encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) junto com o relatório da investigação que levou ao indiciamento de Vorcaro, Paulo Henrique e outros investigados por crimes financeiros.

Segundo Paulo Henrique, ele foi convocado pelo gabinete de Ibaneis para participar de um jantar na casa de Vorcaro, em setembro. No encontro, o então governador teria determinado que o presidente do BRB estruturasse uma operação envolvendo os dois bancos.

“Dia 24 de setembro eu recebo uma mensagem no meu celular que me convoca pra uma reunião à noite na casa do Daniel Vorcaro, [mensagem] do gabinete do governador Ibaneis Rocha. Eu até falo ‘puxa, eu tô viajando, tô na Bahia’, eu tento fugir. E não dava pra fugir do jantar. Eu falei: vou ficar só 15 minutos nesse jantar. Mas eu chego, volto de Salvador e vou pra esse jantar. Já digo logo, não posso ficar muito tempo. Chego no jantar, tem algumas pessoas no jantar, entre elas o governador Ibaneis e o Daniel Vorcaro. O governador fala: ‘olha Paulo, eu queria te apresentar o Daniel’. Eu falei: ‘Eu já conheço, a gente faz algumas cessões de crédito e tal’. Mas ele diz: ‘Paulo, estrutura uma venda do BRB para o Master’. Essa é uma parte que não apareceu na investigação, até onde eu vi”, disse.

Paulo Henrique diz que foi surpreendido

O ex-presidente do BRB afirmou que havia sete pessoas no jantar e disse ter ficado surpreso com a orientação.

“Eu falo ‘tá certo’, e eu tava querendo ir pra porta. Aí o Daniel fala: ‘É, mas é banco público, normalmente troca governo depois de um tempo, eu preciso de um acordo de acionista que me garanta controle’”, relatou.

A investigação da PF aponta que o BRB realizou dois aumentos de capital que teriam permitido a entrada de fundos e pessoas ligadas a Vorcaro na estrutura acionária do banco público. Segundo a apuração, essa participação chegou a 23,5%.

A Polícia Federal suspeita que a operação tenha sido usada para dar suporte à tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, posteriormente barrada pelo Banco Central.

“Fui pego de surpresa de maneira contrária”

No depoimento, Paulo Henrique afirmou que não concordava com a operação e disse ter procurado Ibaneis no dia seguinte para tentar convencê-lo a desistir da ideia.

“No outro dia 7h30 da manhã eu mando mensagem. Quero conversar. Comecei a dar andamento mas quero conversar. Depois essa reunião é marcada no gabinete do governador, eu vou ao governador e digo: ’chefe, não concordo com essa operação. A gente prometeu que não ia privatizar o banco, o banco tá dando um resultado extraordinário, o banco é chave pro Distrito Federal, a gente opera todos os programas sociais, a gente fez o plano de saúde dos servidores, a gente deu naming rights da Arena, a gente tá reformando o autódromo, o banco é o coração de Brasília”, contou à PF.

Durante o depoimento, a delegada Janaína Palazzo perguntou se ele havia sido contrário à operação naquele momento.

Paulo Henrique respondeu que foi surpreendido e afirmou que Ibaneis tratou o negócio como uma decisão do acionista majoritário, o governo do Distrito Federal.

“Eu fui pego de surpresa, mas pego de surpresa de maneira contrária. E aí nessa reunião ele fala: ‘Paulo, é uma decisão do acionista’. E é mesmo, porque é uma venda de ações. Tá fora do BRB. O que ele tinha que pedir é: estruture, veja, faça modelos”.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Relato foi feito em depoimento à PF

Paulo Henrique tentou negociar um acordo de colaboração premiada, mas a proposta foi rejeitada pela Procuradoria-Geral da República.

O ex-presidente do BRB não detalhou quem eram os demais participantes do jantar nem o restante das conversas ocorridas no encontro.

Ele também voltou a defender que as compras de carteiras do Banco Master pelo BRB faziam parte de uma estratégia de expansão da instituição e negou que as operações tenham causado prejuízo ao banco público.

Estratégia de crescimento

Paulo Henrique afirmou que a mudança de estratégia do BRB começou ainda em 2018 e teria sido discutida com Ibaneis.

“Lá em 2018, o BRB era um banco apático, obsoleto, que atuava só no DF com consignado com servidor público daqui. Na nossa visão, não cumpria nem papel de instituição financeira nem o papel de banco público. E, para mim, considerando a experiência e o que a gente conhece de concorrencial, fadado a ser fisgado”, disse.

Segundo ele, o objetivo era transformar o BRB em uma instituição com atuação nacional, maior presença de mercado e mais fontes de receita.

“Então, naquele momento, a gente definiu com o então governador eleito e depois isso foi tudo submetido às instâncias de governança do BRB e aprovado, com os ajustes que essas instâncias trouxeram, um planejamento estratégico, em que o BRB mudaria sua atuação. Ele passaria a ser um banco completo, um banco com presença no País inteiro, um banco maior, um banco mais moderno, um banco rentável”, afirmou.

PF investiga operações com o Master

Paulo Henrique Costa é investigado por corrupção no âmbito das apurações envolvendo o Banco Master.

Segundo a investigação, ele teria recebido imóveis de luxo em troca da compra de carteiras de crédito consideradas problemáticas do banco de Vorcaro.

A PF aponta fraude superior a R$ 12 bilhões nas operações envolvendo carteiras repassadas ao BRB e investiga a responsabilidade de executivos e demais envolvidos.

Paulo Henrique contesta a existência de prejuízo nas operações e sustenta que as aquisições faziam parte da estratégia de crescimento do banco.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Notícias do Brasil