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Defesa de Vorcaro pede perícia em celular e contesta integridade de conversas usadas pela PF
Publicado 29/10/2026 • 19:48 | Atualizado há 39 minutos
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Publicado 29/10/2026 • 19:48 | Atualizado há 39 minutos
KEY POINTS
A defesa de Daniel Vorcaro pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a realização de perícia no celular apreendido pela Polícia Federal (PF) e contestou a integridade das conversas extraídas do aparelho usadas na Operação Compliance Zero.
Em petição apresentada nesta quinta-feira (29), os advogados afirmam que uma análise preliminar realizada pelo assistente técnico da defesa identificou registros de alterações no aparelho depois da apreensão, em novembro de 2025.
A defesa sustenta que, diante dessas ocorrências, não seria possível verificar atualmente se todo o conteúdo apresentado pelos investigadores corresponde exatamente ao que estava armazenado no celular no momento da apreensão.
O celular de Vorcaro foi apreendido em 17 de novembro de 2025. A análise técnica apresentada pelos advogados afirma que, entre 23h22 daquele dia e 2h25 do dia seguinte, o aparelho registrou 207 eventos de tela, 33 ativações da câmera frontal pelo sistema de reconhecimento facial e três conexões pela porta USB, embora já estivesse sob custódia policial e em modo avião.
A defesa afirma ainda que o banco de dados do WhatsApp registrou modificação às 1h48, poucos segundos depois de uma das conexões USB.
Também teriam sido identificadas alterações ou criação de registros de senhas durante a madrugada.
Para os advogados, não há documentação nos autos explicando quem teria manuseado o aparelho nesse intervalo, com qual finalidade ou quais procedimentos foram realizados.
Segundo a análise apresentada ao STF, 657 arquivos teriam sido modificados em 18 de novembro de 2025, quando o celular já estava apreendido. Desse total, 59 seriam bancos de dados.
A defesa afirma ainda que 436 arquivos foram criados no mesmo período, entre eles 94 imagens e cinco bancos de dados.
O documento também aponta a existência de 340 arquivos com registros de modificação datados de maio de 2026, cerca de seis meses depois da data indicada para a extração do conteúdo do aparelho.
Os advogados sustentam que essas informações precisam ser esclarecidas antes que o material seja utilizado como prova.
A defesa também contesta a documentação relacionada à chamada cadeia de custódia, conjunto de procedimentos destinado a registrar o caminho percorrido por uma prova desde sua apreensão até a análise pericial.
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Siga o Times | CNBCSegundo a nota, não teria sido localizado o auto circunstanciado da busca, enquanto o termo de apreensão não apresentaria informações como número de série, IMEI e estado do aparelho.
Os advogados também afirmam que faltariam registros completos sobre lacres, fotografias e o método utilizado para desbloquear o celular.
A defesa diz ainda ter recebido apenas um relatório derivado da extração, sem os arquivos originais produzidos pela ferramenta usada na coleta.
Na avaliação do assistente técnico contratado pelos advogados, sem os dados brutos e os códigos de verificação, conhecidos como hashes, não seria possível confirmar tecnicamente se o relatório entregue corresponde integralmente ao conteúdo original do telefone.
A defesa afirma que solicitou a perícia porque Vorcaro não reconhece como verdadeiros diversos conteúdos atribuídos a ele e divulgados a partir do material extraído do celular.
O aparelho é tratado pelos advogados como uma das principais fontes de provas da Operação Compliance Zero e originou conversas utilizadas nas investigações e posteriormente divulgadas pela imprensa.
Segundo a nota, desde fevereiro a defesa solicita acesso aos arquivos brutos da extração, aos códigos de verificação e aos registros de manuseio do telefone, mas afirma que o pedido ainda não foi apreciado.
Os advogados pedem que os dados originais da extração sejam preservados e disponibilizados integralmente para análise.
Também solicitam os registros técnicos da coleta, códigos hash, documentos de apreensão, informações sobre lacres, identificação de quem teve posse do aparelho e detalhes sobre o método e as ferramentas usadas para desbloqueá-lo.
A defesa sustenta que esses elementos são necessários para verificar a autenticidade e a integridade das conversas atribuídas a Vorcaro.
Os advogados também voltaram a pedir a soltura do ex-banqueiro, argumentando que ele permanece preso há mais de oito meses e questionando a manutenção da prisão enquanto contestam a confiabilidade de parte do material usado na investigação.
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