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EXCLUSIVO: Brasil tem posição única para atrair investimentos em IA, diz Cathy Li no Fórum Econômico Mundial

Publicado 10/06/2026 • 22:15 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Relatório do Fórum Econômico Mundial e da McKinsey estima que a IA pode adicionar até US$ 1,7 trilhão por ano à economia da América Latina.
  • Cathy Li afirmou que o Brasil combina talentos, dados, infraestrutura e energia renovável, mas precisa transformar essa vantagem em investimento coordenado.
  • Executiva disse que a região deve focar setores em que já tem força, como agricultura, energia, mineração, turismo e serviços financeiros.

O Brasil tem uma posição única para atrair investimentos em inteligência artificial por combinar escala econômica, talentos, dados, infraestrutura e energia renovável, afirmou Cathy Li, head do Centre for AI Excellence do Fórum Econômico Mundial, em entrevista exclusiva ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

A avaliação foi feita em Davos, na Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial. A executiva comentou um relatório do Fórum com a McKinsey segundo o qual a adoção de IA pode adicionar entre US$ 1,1 trilhão e US$ 1,7 trilhão por ano à economia da América Latina.

Segundo Cathy, os maiores ganhos devem vir de setores em que a região já tem vantagem competitiva, como agricultura, energia, mineração e turismo. Serviços financeiros e setor público também aparecem entre as áreas com maior potencial de transformação.

“A região não precisa competir em tudo. Ela só precisa focar onde já é forte”, afirmou.

No caso do Brasil, Cathy disse que o país se destaca por ser a maior economia da região, ter boas universidades, um ecossistema de fintechs em expansão e uma base relevante de dados públicos.

Segundo ela, Chile, Uruguai e Brasil são reconhecidos como pioneiros em prontidão para inteligência artificial na América Latina. O México também aparece como um mercado relevante, com investimentos em infraestrutura de nuvem e IA.

Ainda assim, Cathy afirmou que o Brasil reúne um conjunto específico de vantagens.

“A combinação de competências, talentos, dados, infraestrutura e energia renovável do Brasil garante ao país uma posição única”, disse. “O desafio é converter essa posição em investimento coordenado e ação política.”

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Produtividade é gargalo histórico

Cathy afirmou que a produtividade continua sendo um dos principais desafios estruturais da América Latina. Segundo ela, o problema não é apenas tecnológico, mas envolve mercados fragmentados, baixo investimento em educação e infraestrutura e dificuldade de transição para setores mais intensivos em conhecimento.

Para a executiva, a IA pode ajudar a atacar esse gargalo, desde que deixe de ser usada apenas de forma marginal pelas empresas.

“O problema é que a maioria das empresas usa IA apenas nas margens”, afirmou. “Quando a inteligência artificial for integrada aos processos centrais, o impacto agregado será expressivo.”

Segundo Cathy, quase metade das empresas da América Latina já experimenta IA de alguma forma, mas apenas 23% conseguem gerar valor econômico com a tecnologia.

Ela disse que a primeira mudança necessária é de mentalidade. Empresas precisam parar de tratar a IA apenas como ferramenta individual de produtividade e passar a usá-la para redesenhar operações inteiras.

“As empresas que geram mais impacto não estão colocando a IA no topo dos processos existentes. Elas estão repensando esses processos de cima para baixo”, afirmou.

A velocidade de implementação também importa. Segundo Cathy, organizações que extraem valor da IA costumam executar iniciativas em seis a nove meses, enquanto aquelas que não conseguem impacto levam mais de um ano.

PMEs precisam entrar na agenda

A executiva também destacou a necessidade de incluir pequenas e médias empresas na adoção de IA. Segundo ela, 59% das PMEs da região relatam não gerar valor mensurável com a tecnologia, embora representem 99,5% das empresas latino-americanas.

Para Cathy, iniciativas público-privadas com acesso a ferramentas, modelos e capacitação são essenciais para que os ganhos econômicos da IA se materializem em escala.

Ela afirmou que a região já tem exemplos que funcionam, como bolsas de estudo em IA na Argentina, centros de pesquisa aplicada no Brasil e programas de habilidades digitais no México.

“A oportunidade agora é escalar o que já está funcionando, em vez de projetar tudo a partir do zero”, disse.

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IA verde pode ser vantagem competitiva

Cathy disse que o consumo de energia dos data centers torna a localização da infraestrutura cada vez mais relevante. Nesse ponto, o Brasil tem uma vantagem importante por gerar 88% de sua energia a partir de fontes renováveis, segundo a executiva.

“Isso não é apenas uma vantagem ambiental, é uma vantagem competitiva”, afirmou.

Segundo ela, empresas e governos com metas de emissão zero tendem a buscar cada vez mais locais com redes limpas para instalar infraestrutura de computação.

“A América Latina e o Brasil, em particular, estão extraordinariamente bem posicionados para capturar esse investimento”, disse. “A vantagem existe, mas ela precisa ser ativada.”

Para isso, Cathy afirmou que serão necessárias escolhas políticas ativas, incentivos ao investimento, clareza regulatória, infraestrutura adequada e uma narrativa nacional clara em torno da chamada IA verde.

Regulação comum não precisa começar por consenso político

Questionada sobre a possibilidade de colaboração regional em IA diante da fragmentação política da América Latina, Cathy disse que a integração não depende de resolver todas as diferenças entre países.

Para ela, a região deve começar por áreas técnicas em que os interesses já convergem, como padrões de dados, portabilidade, infraestrutura de pesquisa compartilhada e mobilidade de talentos.

“Governança como vantagem competitiva é a abordagem correta”, afirmou.

Segundo Cathy, países que criarem estruturas claras e interoperáveis mais cedo tendem a atrair mais investimentos, talentos e parcerias.

“Essa é uma estrutura de incentivos que supera as diferenças políticas”, disse.

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