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Incêndios na Espanha e França forçam retirada de mais de 300 mil pessoas; Macron convoca reunião de crise
Publicado 27/07/2026 • 10:15 | Atualizado há 51 minutos
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Publicado 27/07/2026 • 10:15 | Atualizado há 51 minutos
KEY POINTS
EPA
Um helicóptero de combate a incêndios trabalha para extinguir um incêndio perto de El Cerro del Andevalo, na província de Huelva, em 22 de julho de 2026
Os incêndios florestais devastam o sul da França e avançam sobre a Espanha, obrigando mais de 300 mil pessoas a deixar suas casas diante da previsão de novas ondas de calor ao longo da semana.
O presidente da França, Emmanuel Macron, convocou uma reunião de crise do gabinete para esta segunda-feira, enquanto o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, visitará as áreas atingidas pelos incêndios em Valência, no leste do país.
O incêndio, que começou na quarta-feira na região de Gironde, no sudoeste da França, já consumiu 42 mil hectares (quase 104 mil acres) e provocou uma das maiores evacuações da história do país, segundo a emissora France 24 e veículos locais. Os incêndios também atingiram 77 mil hectares (cerca de 190 mil acres) nas regiões de Ávila e Toledo, no oeste de Madri.
Leia também: Incêndios avançam na França e na Espanha e tiram 260 mil pessoas de casa
“A situação continua altamente desfavorável”, escreveu o ministro do Interior da França, Laurent Nunez, na rede social X, no sábado. “No início da noite, em Gironde, o incêndio voltou a se tornar extremamente violento e imprevisível, gerando seus próprios ventos e espalhando-se de forma errática em direção à região metropolitana de Bordeaux. Ao fim da noite, houve uma leve redução na intensidade.”
Também no sábado, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, afirmou que os incêndios representam uma “situação histórica” para o país. Segundo ele, quase 100 mil hectares (247 mil acres) foram queimados desde o início do ano — um nível “sem precedentes”.
Enquanto isso, o ministro da Economia da França, Roland Lescure, afirmou que a crise causou um duro golpe à economia local. “É como um raio em uma região que poderia muito bem ter passado sem isso”, disse a jornalistas.
Desde o início da tragédia, foram mobilizados 2.500 bombeiros, 1.500 militares e cerca de 1.200 policiais para tentar controlar as chamas, informou Nunez.
Nos desdobramentos mais recentes, a prefeitura de Gironde, principal centro administrativo da região de Bordeaux, informou nesta segunda-feira que “a situação permaneceu, de modo geral, estável durante a noite de domingo para segunda-feira, sem grandes evoluções a relatar”.
O gigantesco incêndio foi classificado como um raro e extremamente perigoso “pirocumulonimbus”, um tipo de nuvem de incêndio que gera seus próprios ventos e redemoinhos, tornando o fogo “errático e impossível de controlar”, afirmou à AFP o capitão dos bombeiros Nicolas Braz.
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Siga o Times | CNBCStefan Doerr, professor de ciência de incêndios florestais da Universidade de Swansea, afirmou que as mudanças climáticas e a má gestão da paisagem estão contribuindo para o aumento da intensidade dos incêndios.
“As mudanças climáticas desempenham um papel muito importante nisso, e uma gestão mais eficiente significa, certamente, administrar melhor a paisagem para impedir a propagação do fogo”, disse Doerr ao programa Squawk Box Europe, da CNBC.
Segundo o pesquisador, o abandono de áreas agrícolas em partes do sul da Europa, especialmente na região do Mediterrâneo e em áreas de Madri, permitiu a expansão de gramíneas inflamáveis, arbustos e florestas densas, tornando os incêndios mais difíceis de conter durante períodos de calor extremo e seca.
“Isso significa simplesmente que, quando enfrentamos essas condições climáticas extremas e essas secas severas, se ocorrer um foco de incêndio, torna-se muito mais difícil combatê-lo”, afirmou Doerr.
Além disso, o professor disse à CNBC que a Europa foi moldada por milhares de anos de agricultura e atividade humana, e que muitas florestas atualmente são compostas por densas plantações de coníferas, mais suscetíveis aos incêndios florestais.
“Se tivéssemos uma paisagem natural, teríamos, ao menos em algumas regiões, florestas muito menos inflamáveis”, afirmou. “Isso é resultado da ação humana. Não é que as plantas não sejam naturais, mas a forma como a paisagem se apresenta hoje é inteiramente artificial.”
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Doerr afirmou que a Europa não está necessariamente despreparada para os incêndios florestais, já que eles ocorrem todos os anos nas regiões mediterrâneas.
“O que é realmente incomum é que estamos enfrentando a terceira onda de calor consecutiva, que ressecou completamente a paisagem. Isso significa que, quando surge um foco de incêndio, ele pode rapidamente evoluir para um incêndio de grandes proporções”, disse. “A escala geral dos eventos agora ultrapassa a capacidade de resposta eficaz.”
O professor reconheceu que a Europa reforçou sua capacidade de combate aos incêndios, mas argumentou que ainda avançou pouco na redução dos riscos antes que os focos comecem.
“Isso passa, essencialmente, por uma melhor gestão do território, melhor preparação para os incêndios, melhor comunicação e também mais investimento em ciência, em vez de apenas ampliar os recursos de combate ao fogo, que, como estamos vendo agora, estão sobrecarregados”, concluiu.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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