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Geração X chega perto da aposentadoria com menos proteção que os boomers

Publicado 26/07/2026 • 13:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Apenas 14% dos trabalhadores da geração X têm pensão tradicional, contra 56% dos boomers.
  • Ações da Amazon levaram uma década para recuperar o valor de pico da bolha das pontocom.
  • Especialistas recomendam reserva de caixa e diversificação para reduzir risco na aposentadoria.
Petróleo Investimento geração x

Pexels

Enquanto os baby boomers concentram a maior parte da atenção nas conversas sobre aposentadoria, a geração X caminha para o mesmo destino, e em muitos casos, sem os benefícios financeiros que marcaram a geração anterior. Aposentar-se aos 55 anos nos Estados Unidos é hoje quase um resquício da era dos planos de pensão de benefício definido.

Atualmente, a maioria das pessoas entre 50 e 55 anos ainda tem pela frente de 10 a 15 anos de trabalho. Isso estende o período de contribuição a planos 401(k) e IRAs para acumular patrimônio, e o tempo de permanência no mercado segue como a maior vantagem de longo prazo para investidores. Quanto mais perto da aposentadoria, porém, maior o estrago que um crash mal cronometrado pode causar.

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Geração X tem menos pensão tradicional que boomers

A geração X, formada por pessoas nascidas entre 1965 e 1980, foi fortemente afetada pela transição dos planos de pensão de benefício definido para os de contribuição definida, à medida que planos de previdência corporativa se tornaram menos comuns. Apenas 14% dos trabalhadores dessa geração têm pensão tradicional, contra 56% dos boomers, segundo pesquisa do Retirement Income Institute, ligado à Alliance.

Por praticamente todos os critérios, a geração X é apontada como a menos preparada financeiramente para a aposentadoria entre as gerações analisadas. Segundo os autores da pesquisa, enquanto os baby boomers dominam as manchetes, a geração X enfrenta uma crise ainda maior de aposentadoria.

Essa situação deixa muitos integrantes da geração observando com cautela o próprio fundo de aposentadoria. Uma década de retornos fortes concentrou boa parte dos investidores, sobretudo os que estão a poucos anos de se aposentar, em fundos e ETFs atrelados ao S&P 500, acompanhando os ganhos recordes da bolsa até a véspera da aposentadoria. Mas a história tem vários exemplos de quedas que, para os menos sortudos, aconteceram no pior momento possível.

Bolha das pontocom ainda ronda a geração X

O gráfico da Amazon durante a bolha das pontocom ilustra bem esse risco. Quem comprou ações da empresa no pico de 1999 precisou esperar uma década inteira até o papel recuperar aquele patamar, batendo novos recordes apenas no fim de 2009.

O S&P 500 conta história parecida de recuperação lenta. Depois de tocar o fundo em outubro de 2002, na sequência do estouro da bolha das pontocom, o índice levou quase cinco anos para alcançar um novo recorde, em 2007, patamar que nem se sustentou, apagado quase de imediato pela crise de 2008. A partir do fundo dessa segunda queda, em março de 2009, foram necessários mais quatro anos até o S&P 500 superar de forma definitiva o pico de 2007, em março de 2013.

Dependendo da forma de contagem, isso representa de quatro a treze anos com o investimento no vermelho, a depender de qual queda e qual fundo servem de referência. Para quem está a três ou cinco anos da aposentadoria, esse não é um exercício apenas teórico.

O planejador financeiro certificado Ernie Cave, fundador da Cave Wealth Management, afirma que o mercado sempre volta a subir, mas o tempo dessa recuperação importa muito para quem já está aposentado. Segundo ele, a história mostra que os mercados se recuperam, mas quem está aposentado não escolhe se essa recuperação leva um ano ou vários, e vender investimentos enquanto estão desvalorizados para gerar renda tira essas cotas para sempre da possibilidade de participar da recuperação. Esse é o motivo pelo qual consultores financeiros chamam de risco de sequência de retornos algo tão perigoso.

Especialistas recomendam reserva de proteção

Para quem já pensa em se aposentar, o primeiro passo é evitar se deixar levar apenas pelo desempenho recente do S&P 500. Segundo Cave, um dos maiores erros que ele observa é o investidor chegar perto da aposentadoria com quase todo o patrimônio em um único fundo atrelado ao índice, simplesmente porque ele performou bem na última década.

Cave afirma que o S&P 500 segue como excelente investimento de longo prazo, mas pode não ser o lugar certo para o dinheiro que será usado nos primeiros anos de aposentadoria. Segundo ele, o problema não é ter um fundo atrelado ao S&P 500, e sim pedir que esse mesmo fundo pague as contas do próximo ano e também financie uma aposentadoria de 25 anos.

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Ele defende a montagem de uma reserva diversificada, batizada de “war chest”. Segundo Cave, o ideal é proteger cerca de dois anos de saques esperados em caixa ou aplicações de curtíssimo prazo, com cerca de cinco anos de saques futuros cobertos por caixa, títulos do Tesouro, CDs e títulos de alta qualidade, deixando o restante do patrimônio de longo prazo investido para crescimento.

Segundo ele, o objetivo dessa reserva não é abandonar ações ou eliminar quedas do mercado, e sim reduzir a chance de o aposentado ser forçado a vender investimentos de longo prazo durante uma delas.

Glide path e bond tent ganham espaço

Parte da geração X já segue o que o mercado chama de “glide path”, uma migração gradual do portfólio de ações para títulos de renda fixa à medida que o investidor se aproxima e atravessa a aposentadoria, reduzindo a exposição a uma queda justamente no momento em que mais doeria.

Segundo Elias Friedman, planejador financeiro certificado e fundador da Kadima Wealth, essa estratégia muda o portfólio de forma gradual conforme o cliente se aproxima da aposentadoria. Outra proteção é o chamado “bond tent”, estratégia de aumentar temporariamente a exposição a títulos de renda fixa nos anos que cercam a aposentadoria, considerada a janela de maior risco para uma queda de mercado.

Segundo Friedman, ambas as opções reduzem a chance de o investidor precisar vender ações depois de uma queda relevante do mercado, e ele nota que, pela experiência dele, os clientes se adaptam melhor à abordagem de glide path. Desmontar um bond tent, segundo ele, não depende de esperar algum sinal de que o perigo passou, já que ninguém consegue prever esse momento com precisão, e tentar fazê-lo é apenas uma forma disfarçada de tentar acertar o timing do mercado.

Friedman recomenda considerar uma escada de títulos ou CDs de vencimento curto a intermediário, sem recolocar todo o dinheiro no mercado de uma só vez, combinando essa tática com rebalanceamentos ocasionais da carteira. Para ele, qualquer transição deve ser gradual, e não uma grande realocação concentrada no momento da aposentadoria.

Concentração em ações de inteligência artificial preocupa

Segundo Asher Rogovy, diretor de investimentos da Magnifina, o mercado atual difere dos anteriores em um ponto importante, a presença cada vez maior de um pequeno grupo de ações de tecnologia dentro do S&P 500. Ele afirma que, tradicionalmente, de 20 a 30 ações individuais já ofereciam proteção suficiente contra risco específico de empresa, mas hoje entre 40% e 50% do valor de mercado do S&P 500 está concentrado em companhias ligadas a um único tema, inteligência artificial.

Para Rogovy, se o passado servir de referência, esse cenário pode não terminar bem, já que a bolha das pontocom envolveu nível parecido de concentração no índice, e as consequências daquele período merecem atenção. Ele lembra que o risco de concentração é inerente a índices ponderados por valor de mercado, e que investir o mesmo valor em cada empresa do S&P 500 teria evitado boa parte da queda e alcançado novos recordes anos antes. A versão do índice com peso igualitário existe desde 2003, com diversos fundos e ETFs oferecendo hoje essa alternativa.

Ainda assim, Rogovy não acredita que exista estratégia baseada apenas em ações capaz de escapar totalmente de uma queda de mercado, e por isso considera que a decisão mais relevante para quem se aproxima da aposentadoria é a divisão entre ações e títulos. Segundo ele, como a maioria das pessoas conhece ações muito melhor do que títulos, esse é o ponto em que um consultor de investimentos pode fazer diferença, combinando alocação em renda fixa com rebalanceamento disciplinado e investimento em valor para proteger o patrimônio do cliente diante da volatilidade.

Para Mike Dunlop, planejador financeiro certificado e cofundador da Ignite Planning, em Cedar Falls, no estado americano de Iowa, o maior risco para a geração X hoje é justamente essa concentração dentro de fundos atrelados ao S&P 500. Segundo ele, sete empresas respondem hoje por mais de 30% de todo o índice, e para quem tem entre 50 e 55 anos, o perigo real não é a queda em si, e sim uma queda no momento errado, o chamado risco de sequência de retornos.

Dunlop explica que, se o mercado cair 30% no ano da aposentadoria e a pessoa precisar sacar dinheiro para viver naquele período, ela estará vendendo na baixa para pagar contas básicas, e essa parcela do patrimônio nunca mais terá chance de se recuperar. Segundo ele, quem está perto de se aposentar não tem uma década perdida para dar de presente ao mercado.

A empresa de planejamento financeiro de Dunlop, que cobra apenas por honorários, tem movido parte dos ativos de clientes para fora de fundos concentrados no S&P 500 ou em índices amplos do mercado acionário, realocando para ações de valor de grandes empresas. Segundo ele, é a mesma bolsa de valores, apenas sem apostar toda a aposentadoria nos sete nomes do topo do índice.

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