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BRB recebeu crédito de R$ 152,9 mi do Banco Master ligado a 116 áreas de minerais críticos
Publicado 26/07/2026 • 20:56 | Atualizado há 44 minutos
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Publicado 26/07/2026 • 20:56 | Atualizado há 44 minutos
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O Banco de Brasília (BRB) recebeu do Banco Master um crédito de R$ 152,9 milhões concedido à 3D Minerals, empresa que havia arrematado mais de uma centena de áreas para pesquisa de minerais críticos em diferentes regiões do país.
O empréstimo foi firmado em 5 de novembro de 2024 e cedido ao banco público em 22 de julho de 2025. Na data da transferência, o saldo devedor era de R$ 175,1 milhões, mas o valor atribuído ao ativo na cessão foi de R$ 112 milhões. A diferença foi de aproximadamente R$ 63,1 milhões, ou 36%. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, a operação teria ocorrido no processo de substituição de carteiras que haviam sido identificadas pelo Banco Central como fraudulentas.
O financiamento tem como garantia metade da 3D Minerals. Trecho da primeira alteração contratual da companhia registra que os quotistas deram ao Banco Master, em alienação fiduciária, 250 das 500 quotas emitidas pela mineradora.
O documento menciona um instrumento particular assinado na mesma data do empréstimo, 5 de novembro de 2024. Cada quotista ofereceu 125 quotas como garantia da dívida.
A alienação fiduciária não significa que o banco tenha assumido o controle operacional ou se tornado definitivamente dono de metade da mineradora. Em caso de inadimplência, o credor pode buscar a execução da garantia, observadas as condições do contrato e a legislação aplicável.
Leia também: Nova irregularidade do Master expõe venda duplicada de carteira de R$ 1 bilhão; BRB seria o comprador
A 3D Minerals foi aberta em Belo Horizonte em 20 de junho de 2024, com capital social declarado de R$ 5 mil e atividade principal de estudos geológicos. Os registros públicos indicam que a empresa permanece ativa.
Pouco mais de um mês depois da abertura, a companhia participou da 8ª Rodada de Disponibilidade de Áreas da Agência Nacional de Mineração (ANM).
Levantamento publicado pela revista especializada Brasil Mineral, elaborado a partir dos resultados da rodada, mostra que a 3D arrematou 116 áreas relacionadas a minerais considerados críticos. Os lances somaram R$ 54,8 milhões e abrangeram uma área total de aproximadamente 6.462 quilômetros quadrados.
Desse conjunto, 101 áreas tinham o cobre como principal substância, 13 eram de níquel e duas de tântalo. A maior concentração estava em Mato Grosso, com 61 áreas, seguido por Bahia, Pará, Goiás, Roraima, Paraíba e Rondônia.
A empresa ficou com mais de um terço das 322 áreas de minerais críticos disputadas naquela rodada, segundo a publicação.
Os resultados não significam que a companhia tenha adquirido minas em operação ou reservas minerais comprovadas. A rodada da ANM concede ao vencedor prioridade, por prazo determinado, para requerer autorização de pesquisa ou concessão de lavra. A exploração comercial depende de novas etapas regulatórias, estudos geológicos e comprovação da viabilidade dos depósitos.
A 8ª Rodada ofereceu 5 mil áreas em todo o país. Ao fim do processo, 3.942 foram conquistadas ou arrematadas, das quais 3.256 passaram pela fase de leilão.
A ANM estimou uma arrecadação de R$ 558,3 milhões com a soma dos lances válidos apresentados pelos participantes contemplados. O resultado foi homologado em outubro de 2024.
O edital não exigia experiência anterior no setor mineral nem um valor mínimo de capital social, desde que os participantes cumprissem os requisitos cadastrais e pagassem os lances vencedores, segundo esclarecimento da agência reproduzido pela publicação especializada.
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Siga o Times | CNBCO empréstimo de R$ 152,9 milhões foi firmado cerca de três meses depois do leilão. O valor superava tanto o capital declarado da mineradora quanto o montante dos lances relativos às 116 áreas de cobre, níquel e tântalo.
Nos documentos públicos, não há detalhamento sobre a destinação de cada parcela do financiamento nem confirmação de que todo o dinheiro tenha sido aplicado no pagamento das áreas.
Uma das disputas envolvendo a 3D Minerals provocou questionamentos dentro da ANM e no Tribunal de Contas da União.
A empresa apresentou um lance de R$ 37,576 milhões por uma área de cobre no Pará e, depois da abertura das propostas, alegou ter acrescentado um zero por engano. A mineradora sustentou que pretendia oferecer R$ 3,756 milhões.
Em setembro de 2024, a diretoria da ANM aceitou o argumento por maioria e manteve o direito da 3D sobre a área 3.428, com o valor reduzido para R$ 3,756 milhões. O diretor-geral votou contra a correção.
A agência voltou atrás em 2025. A diretoria anulou a decisão anterior, retirou a área da rodada, determinou a suspensão do requerimento de autorização de pesquisa e mandou iniciar o processo para desfazer os atos praticados pela empresa.
A ANM também determinou a devolução do valor pago e a inclusão da área em um novo edital, por meio de plataforma operada com a B3, salvo eventual decisão diferente do TCU.
Em abril de 2026, o TCU considerou procedente a representação e classificou como infundada a alegação de erro material usada para pedir a redução dos lances. O tribunal afirmou que as decisões poderiam criar precedentes de risco para outras contratações públicas.
O TCU determinou que, caso as áreas fossem reincluídas no leilão, a ANM demonstrasse que os valores adjudicados não representariam prejuízo ao erário nem alienação antieconômica. Também deixou aberta a possibilidade de revogar a disputa sobre essas áreas para realizar uma nova licitação.
Leia também: Caso Master: BRB e governo do DF negam medidas extraordinárias para sustentar liquidez do banco
O BRB não divulgou comunicado específico identificando o crédito da 3D Minerals entre os ativos recebidos do Banco Master.
Em comunicados ao mercado sobre o conjunto das operações com o Master, o BRB informou que os ativos estavam em avaliação técnica para verificar composição, documentação e valores. A instituição também afirmou considerar a possibilidade de venda como parte da gestão de liquidez, capital e resultados.
Em abril, ao responder a questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários sobre reportagens de outros veículos, o BRB contestou percentuais e valores publicados sobre as substituições de carteiras. O banco afirmou que parte das informações era preliminar, estava sob sigilo e não correspondia a registros contábeis definitivos. Também disse que a substituição de um ativo não deveria ser contabilizada como uma nova aquisição independente.
Procurado pelo Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o BRB não se manifestou sobre o caso até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
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