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Famílias perderam R$ 62,5 bilhões para plataformas de apostas esportivas em 2025, estima estudo
Publicado 08/09/2026 • 10:05 | Atualizado há 52 minutos
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Publicado 08/09/2026 • 10:05 | Atualizado há 52 minutos
KEY POINTS
Foto: Freepik
Estudo estima que famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets em 2025.
As famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões para as bets em 2025, segundo estimativa do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros. O valor corresponde ao dinheiro que ficou no setor de apostas depois de descontados os valores que voltaram aos jogadores em forma de prêmios.
Para chegar à estimativa, os pesquisadores compararam os pagamentos e recebimentos registrados com um cenário estatístico que projeta como essas transações teriam evoluído sem a expansão das bets. 2025 foi o primeiro ano de vigência da regulamentação das apostas esportivas online no país.
O tamanho dessa perda aparece também quando o valor é comparado à renda das famílias: os R$ 62,5 bilhões equivalem a cerca de 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias, indicador que representa os recursos disponíveis para consumo ou poupança depois de considerados impostos e transferências.
O levantamento faz parte da terceira edição atualizada do boletim, elaborado pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) e pelo Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento.
O impacto não se limitou a 2025. Entre outubro de 2024 e março de 2026, a diferença entre o que as famílias pagaram e o que receberam de volta, na parcela atribuída às bets, foi estimada em R$ 4,7 bilhões por mês, em média. Segundo os pesquisadores, esse fluxo aumenta a pressão sobre o orçamento doméstico e pode reduzir a capacidade das famílias de arcar com outros compromissos financeiros.

Leia também: Governo bloqueia bets para mais de 5 milhões de brasileiros; 3 milhões recebem Bolsa Família ou BPC
O salto aparece nas transferências via Pix. Os dados analisados pelo estudo mostram que os pagamentos de pessoas físicas para empresas classificadas pelo Banco Central no setor de artes, cultura, esporte e recreação, categoria que inclui as casas de apostas, mudaram de patamar após a regulamentação das bets.
Até meados de 2024, o volume mensal dessas operações permanecia relativamente estável. A partir de janeiro de 2025, porém, saltou de cerca de R$ 5 bilhões para mais de R$ 25 bilhões em poucos meses e chegou perto de R$ 42 bilhões no pico registrado em meados do ano. Segundo o estudo, o movimento não acompanhou o crescimento generalizado das transferências via Pix.
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Siga o Times | CNBCPara calcular quanto desse avanço poderia estar relacionado às apostas, os pesquisadores compararam os valores registrados com uma projeção feita a partir do comportamento das transferências até agosto de 2024. Em outras palavras, estimaram quanto seria movimentado caso a trajetória anterior tivesse continuado.
A diferença entre o que efetivamente aconteceu e esse cenário foi atribuída à expansão das bets. Com essa metodologia, o volume adicional de transações atingiu R$ 350,97 bilhões em 2025. Considerando todo o período de outubro de 2024 a março de 2026, o acréscimo médio foi de R$ 24,1 bilhões por mês.
A restrição às apostas para beneficiários do Bolsa Família também aparece nos dados. Depois da proibição, adotada em outubro de 2025, o crescimento das transferências perdeu força e o volume registrado começou a se aproximar do que o modelo projetava para um cenário sem a expansão das bets.
Para os pesquisadores, esse movimento é relevante porque a medida alcançou um público específico. O efeito sobre o volume total das operações sugere que famílias de menor renda tinham participação importante no mercado de apostas online.
A mudança ocorreu em um momento em que o orçamento doméstico já estava pressionado. O boletim mostra que o endividamento das famílias permaneceu próximo do pico histórico da série no primeiro bimestre de 2026, enquanto o comprometimento da renda com juros e amortizações continuou elevado.
Entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, a parcela da renda comprometida com amortizações aumentou em 0,85 ponto percentual. No mesmo período, a fatia destinada ao pagamento de juros avançou em 1,16 ponto percentual.
O estudo não trata as apostas como causa isolada do endividamento. Segundo os autores, elas funcionam como um fator adicional de pressão sobre as finanças das famílias e, quando somadas ao alto nível de dívida e ao maior comprometimento da renda, reforçam o quadro de vulnerabilidade financeira.
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