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Novartis cai 9% após terceiro revés em testes de medicamentos em uma semana

Publicado 08/09/2026 • 09:30 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • A Novartis informou nesta terça-feira (8) que o del-desiran, medicamento para um distúrbio que provoca perda muscular, não atingiu os objetivos em um teste clínico de fase avançada.
  • As ações da farmacêutica caminham para o pior pregão desde março de 2020.
  • O resultado do del-desiran representa o terceiro revés em testes de medicamentos da Novartis para investidores em apenas uma semana.

Andrew-from Flickr via Wikipedia

As ações da Novartis despencaram nesta terça-feira (08), depois que a farmacêutica informou que seu medicamento del-desiran, destinado ao tratamento de um distúrbio que provoca perda muscular, não teve sucesso em um teste clínico de fase avançada.

As ações da empresa chegaram a cair 8,9%, enquanto investidores reagiam ao terceiro revés em testes de medicamentos registrado pela Novartis em uma semana. Com a queda, os papéis caminhavam para o pior pregão desde março de 2020.

O resultado do del-desiran veio poucos dias depois de a Novartis informar que o medicamento pelacarsen não conseguiu reduzir o risco de eventos cardiovasculares em um teste de fase avançada. Uma semana antes, a companhia havia anunciado a suspensão de oito estudos clínicos de uma terapia celular experimental, a rap-cel, após a morte de três pacientes.

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Teste para distúrbio de perda muscular

A Novartis informou que o estudo global de fase 3 HARBOR, que avaliava o del-desiran em pacientes com distrofia miotônica tipo 1, “não demonstrou melhora estatisticamente significativa em comparação com o placebo” na avaliação do tempo necessário para os pacientes abrirem as mãos.

A companhia afirmou que está analisando o conjunto completo de dados do estudo HARBOR e que pretende conversar com autoridades regulatórias para determinar o caminho mais adequado para o desenvolvimento do del-desiran.

O medicamento é um dos três tratamentos de conjugados de oligonucleotídeos com anticorpos que passaram a integrar o portfólio de medicamentos neuromusculares da Novartis após a aquisição da Avidity Biosciences por cerca de US$ 12 bilhões no ano passado.

“Desenvolver terapias para uma doença complexa como a [distrofia miotônica tipo 1] continua sendo um desafio, e os reveses fazem parte do progresso científico”, afirmou Shreeram Aradhye, presidente de desenvolvimento e diretor médico da Novartis, em comunicado divulgado nesta terça-feira.

“Enquanto continuamos avaliando o conjunto completo de dados do HARBOR, permanecemos comprometidos em identificar o caminho de desenvolvimento mais adequado para o programa del-desiran e em avançar com abordagens inovadoras para pessoas que vivem com [distrofia miotônica] e outras doenças neuromusculares graves.”

A Novartis afirmou ainda nesta terça-feira que mantém a expectativa de crescimento médio anual das vendas entre 5% e 6% até 2030.

Analistas, porém, passaram a questionar a projeção após os anúncios desta terça-feira.

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A meta de crescimento da Novartis “provavelmente será vista como inatingível sem novas fusões e aquisições, o que agora volta a ser questionável”, afirmou a equipe de análise de ações do Jefferies em relatório divulgado pela manhã.

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Remibrutinib traz resultado positivo

A farmacêutica suíça também registrou resultados positivos em testes recentes. Na semana passada, a empresa anunciou que um estudo de fase avançada do medicamento remibrutinib apresentou um “atraso clinicamente significativo na progressão da incapacidade” em pacientes com esclerose múltipla recorrente.

O remibrutinib é um tratamento experimental para esclerose múltipla.

Mesmo diante do resultado positivo com o remibrutinib, analistas do Jefferies afirmaram que será difícil “ganhar confiança” nesse estudo sem os resultados do del-desiran e do del-brax. Segundo os analistas, a confiança no del-brax provavelmente só poderá ser avaliada quando os dados da fase 3 forem divulgados, em 2028.

“Como resultado, o desenvolvimento de negócios e as fusões e aquisições provavelmente continuam sendo uma parte fundamental da estratégia para garantir a ambição de crescimento de médio prazo da administração, na faixa de um dígito médio. A capacidade da administração de realizar negócios maiores provavelmente continuará sob escrutínio”, acrescentaram os analistas.

Analistas do Barclays estimaram que o del-desiran e o pelacarsen representavam, juntos, cerca de US$ 5 bilhões em oportunidades de vendas de pico ajustadas ao risco.

Mais importante, porém, segundo os analistas, o del-desiran funcionava como um teste para a aquisição da Avidity, de US$ 12 bilhões.

O fracasso do medicamento lança dúvidas sobre a aquisição e sobre a capacidade da Novartis de compensar os próximos vencimentos de patentes por meio de fusões e aquisições, afirmaram os analistas em relatório.

“Esperamos que as ações tenham desempenho significativamente inferior, e o prêmio de 20% da Novartis em relação ao setor pode agora ser questionado”, disseram.

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