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Ferro-gusa entra no radar da indústria mineira diante de possível tarifa dos EUA
Publicado 03/06/2026 • 12:15 | Atualizado há 4 dias
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Publicado 03/06/2026 • 12:15 | Atualizado há 4 dias
KEY POINTS
O possível fim da isenção tarifária para o ferro-gusa brasileiro acendeu um sinal de alerta na indústria de Minas Gerais, afirmou Verônica Winter, coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais da FIEMG, ao comentar os impactos da proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros. Segundo ela, que concedeu entrevista nesta quarta-feira (3) ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, o produto ocupa posição estratégica na pauta exportadora mineira e tem os Estados Unidos como principal mercado de destino.
“O ferro-gusa é o nosso segundo produto mais exportado para os Estados Unidos e os Estados Unidos são o principal destino do ferro-gusa mineiro”, destacou a especialista. Ela lembrou que Minas Gerais é o principal exportador brasileiro do produto para o mercado americano, o que amplia a preocupação do setor diante da possibilidade de novas barreiras comerciais.
De acordo com Verônica Winter, a exclusão do ferro-gusa da lista de produtos isentos causou surpresa porque a indústria americana depende da matéria-prima importada para abastecer parte de sua produção.
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“Os Estados Unidos não conseguem produzir de forma ideal para atender sua própria demanda e precisam desse ferro-gusa importado. O Brasil é o principal fornecedor desse produto”, afirmou. Por isso, a expectativa do setor é que, durante o processo de consulta pública, sejam apresentados argumentos que permitam o retorno do produto à lista de isenções.
A executiva destacou ainda que Minas Gerais respondeu por cerca de US$ 1,6 bilhão (R$ 8,08 bilhões) em exportações de ferro-gusa para os Estados Unidos no ano passado, concentrando praticamente todo o volume brasileiro destinado ao mercado americano.
Além do ferro-gusa, a representante da FIEMG apontou que diversos segmentos industriais podem sofrer impactos relevantes caso a tarifa seja implementada. Entre eles estão transformadores, joias, alimentos processados, máquinas e equipamentos.
Segundo ela, o problema não se limita ao aumento de custos. Em muitos casos, as empresas produzem especificamente para atender normas técnicas e certificações exigidas pelos Estados Unidos, o que dificulta a busca por novos mercados.
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“Muitas vezes a estratégia de diversificação é inviabilizada por requisitos técnicos exclusivos dos Estados Unidos”, explicou. “As empresas já produzem com direcionamento específico para atender as exigências daquele mercado.”
Ao comparar a proposta de tarifa de 25% voltada exclusivamente ao Brasil com a sobretaxa de até 12,5% relacionada a investigações mais amplas envolvendo dezenas de países, Verônica Winter avaliou que o impacto competitivo tende a ser diferente.
“A tarifa de 25% é mais preocupante porque foi direcionada exclusivamente ao Brasil. Nesse caso, nossos concorrentes não estariam sujeitos à mesma condição”, afirmou. Já a cobrança de até 12,5% afeta outros países exportadores, reduzindo parcialmente a perda relativa de competitividade dos produtos brasileiros.
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A coordenadora destacou que, do ponto de vista técnico, existem argumentos para contestar ambas as medidas, com base em informações já apresentadas anteriormente por empresas e pelo governo brasileiro durante investigações comerciais conduzidas pelos Estados Unidos.
Segundo Verônica Winter, os efeitos das discussões tarifárias já são percebidos pelas empresas por meio do aumento da incerteza sobre o ambiente de negócios.
“Essas medidas trazem instabilidade e insegurança para as empresas que trabalham com comércio exterior e exportação para os Estados Unidos”, afirmou. Ela lembrou que, em episódios anteriores, algumas companhias anteciparam embarques para evitar custos adicionais, enquanto outras chegaram a cancelar pedidos diante da incerteza sobre o cenário futuro.
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De acordo com a especialista, esse ambiente afeta diretamente o planejamento empresarial e pode produzir reflexos sobre investimentos, geração de renda e manutenção de empregos em setores mais dependentes do mercado americano.
Para os próximos meses, a expectativa da FIEMG é que empresas brasileiras intensifiquem a participação no processo de consulta pública aberto pelas autoridades americanas, reforçando argumentos técnicos contra as medidas tarifárias.
“É importante que as empresas se mobilizem novamente e apresentem elementos técnicos que demonstrem os impactos dessas medidas”, afirmou Verônica Winter. Segundo ela, o setor privado deverá atuar em conjunto com o governo brasileiro para fortalecer a defesa dos interesses nacionais durante as negociações.
A coordenadora ressaltou ainda que empresas americanas afetadas pelas tarifas também têm participado das discussões e pressionado por soluções. “As contrapartes norte-americanas também estão sendo prejudicadas e têm feito movimentos pelo lado dos Estados Unidos para tentar reverter essas medidas”, concluiu.
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