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EXCLUSIVO: Tarifaço abre rombo fiscal duplo e empurra dívida a 83% do PIB em 2026, mostra estudo
Publicado 19/07/2026 • 14:00 | Atualizado há 3 meses
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Publicado 19/07/2026 • 14:00 | Atualizado há 3 meses
KEY POINTS
O discurso de soberania é necessário, mas precisa ser transparente e dizer que haverá uma conta salgada para pagar. O tarifaço americano vai cobrar do Brasil duas contas ao mesmo tempo. Uma chega pela fábrica, na exportação que deixou de sair, enquanto a outra vai chegar pelo Tesouro, na dívida que irá aumentar para cobrir o rombo.
É o que revela estudo do IBEVAR – FIA Business School, através do núcleo LabFin-Provar, divulgado em primeira mão ao Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
Enquanto a atividade industrial mais fraca diminui a arrecadação federal, o custo do socorro governamental já soma bilhões em compromissos fiscais diretos em subvenções. As duas frentes convergem para o mesmo número e a dívida bruta do país deve subir de 78% para 83% do PIB neste ano, com trajetória projetada entre 86% e 87% do PIB em 2027, sem sinal de estabilização.
Segundo o levantamento, o déficit primário projetado para 2026 gira em torno de 0,50% do PIB, pressionado pela queda de arrecadação ligada à atividade industrial mais fraca. Paralelamente, o custo fiscal direto do Fundo Garantidor de Exportações já soma R$ 1,5 bilhão, valor somado a um pacote estimado entre R$ 187 bilhões e R$ 227 bilhões, do qual 94% ficaria fora do arcabouço fiscal.
Leia também: Tarifaço: relação Brasil-China bate recordes, mas mercado asiático não substitui EUA em exportações
O estudo do IBEVAR – FIA Business School descreve o fenômeno como um efeito duplo. Enquanto o tarifaço reduz a receita de exportação setorial, o governo responde com crédito subsidiado via BNDES para tentar conter o impacto sobre empresas exportadoras. Esse socorro, porém, tem custo fiscal próprio, e vem somado à queda simultânea de arrecadação causada pela atividade industrial mais fraca.
Assim, o mesmo choque externo aparece duas vezes na conta pública. Primeiro na exportação perdida, depois no orçamento que precisa cobrir tanto a queda de impostos quanto o crédito emergencial oferecido às empresas afetadas.
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Siga o Times | CNBCDe acordo com o levantamento, o Plano Brasil Soberano ofereceu inicialmente R$ 40 bilhões em linhas de crédito, sendo R$ 30 bilhões do Fundo Garantidor de Exportações e R$ 10 bilhões do BNDES. Uma segunda fase, via Medida Provisória 1.345 de 2026, ampliou o total em mais de R$ 15 bilhões.
Apesar disso, já foram protocolados R$ 18,4 bilhões em pedidos, restando cerca de R$ 21 bilhões disponíveis dentro do limite anunciado. O BNDES chegou a solicitar reforço extra de R$ 7,25 bilhões ao Tesouro Nacional, sinal de que a demanda emergencial já pressiona o teto do socorro antes mesmo do fim da primeira fase.
Mais dívida sem ajuste fiscal eleva o prêmio de risco exigido pelo mercado, o que encarece o custo de rolagem da dívida pública, gerando ainda mais dívida.
Esse movimento tende a repercutir em indicadores de risco soberano, como o CDS e o EMBI+, além da perspectiva de rating atribuída por agências como S&P, Moody’s e Fitch, segundo o levantamento.

O estudo resume o fenômeno em um circuito de cinco etapas:
Primeiro, o tarifaço reduz a receita de exportação setorial. Em seguida, o governo socorre as indústrias afetadas com crédito subsidiado via BNDES. Na sequência, a menor atividade e os subsídios reduzem a arrecadação líquida de impostos. Depois, o déficit primário e a dívida bruta sofrem pressão adicional. Por fim, o prêmio de risco cobrado do país sobe, reiniciando a pressão sobre toda a economia.
Assim, cada etapa do tarifaço se conecta à seguinte, até chegar à conta de juros paga pelo país inteiro, segundo o levantamento do IBEVAR – FIA Business School.
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