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Fim da escala 6×1 pode elevar custo do trabalho em até 20% em alguns setores, diz economista Hélio Zylberstajn

Publicado 15/10/2026 • 21:26 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Professor da FEA/USP afirma que maior impacto pode vir da mudança da escala 6x1 para 5x2, e não apenas da redução da jornada semanal.
  • Empresas de operação contínua, como siderurgia, indústria química e petróleo, podem precisar ampliar equipes para cobrir as novas folgas.
  • Zylberstajn defende que a regra permita diferentes escalas, desde que preserve limites de jornada, produção e salários.

O fim da escala 6×1 pode elevar em até 20% o custo do trabalho em algumas empresas, principalmente nas atividades que operam de forma contínua e precisam manter equipes durante todos os dias da semana, afirmou Hélio Zylberstajn, professor de economia da FEA/USP, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo o economista, o maior impacto da mudança estaria na obrigatoriedade de substituir a escala de seis dias de trabalho por um de descanso pelo modelo 5×2.

“O grande impacto é a empresa que não pode parar”, afirmou. “Esse impacto pode chegar até 20% no custo do trabalho, dependendo do tipo de empresa, do tipo de atividade.”

Zylberstajn explicou que empresas atualmente dimensionadas para funcionar sete dias por semana, com revezamento de uma folga a cada seis dias trabalhados, podem precisar contratar mais funcionários para acomodar duas folgas a cada cinco dias de trabalho.

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Entre os setores potencialmente mais afetados, ele citou siderurgia, indústria química, derivados de petróleo, aviação civil e atividades de produção contínua, além de operações em plataformas de petróleo.

Mudança na escala pesa mais que redução da jornada

Na avaliação do professor, a discussão inicialmente se concentrou no impacto da redução da jornada semanal, mas as simulações passaram a apontar um efeito maior decorrente da própria reorganização das escalas.

“A gente, no começo, prestou muita atenção na jornada semanal de 44 para 40. O impacto grande vem da mudança de 6×1 para 5×2”, disse.

Zylberstajn afirmou que mesmo empresas que já trabalham no modelo 5×2 podem enfrentar algum impacto, dependendo da forma como a jornada e as folgas são atualmente organizadas.

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O efeito, segundo ele, tende a ser mais expressivo em negócios que não podem interromper a produção e que precisariam recompor equipes para manter o nível de operação.

Professor defende maior flexibilidade

Zylberstajn avaliou que a proposta deveria permitir maior espaço para negociação entre empresas e trabalhadores, em vez de estabelecer uma única escala para todas as atividades.

“A PEC está muito determinista. A escala é 5×2 e ponto”, afirmou.

Como alternativa, o professor defendeu uma regra que estabeleça limites para a jornada, mas permita diferentes formas de distribuição das horas de trabalho.

“Seria muito melhor que a PEC dissesse: pode definir a escala desde que a jornada não ultrapasse oito horas por dia”, afirmou.

Segundo ele, o desenho deveria permitir soluções diferentes conforme o setor e a empresa, preservando dois princípios: manutenção da produção e dos salários.

Zylberstajn também criticou a velocidade da discussão no Congresso e avaliou que o calendário eleitoral acelerou a tramitação.

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