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Próximo presidente terá “problema gravíssimo” nas contas públicas em 2027, diz economista Jason Vieira

Publicado 15/10/2026 • 21:18 | Atualizado há 36 minutos

KEY POINTS

  • Economista-chefe da Lev DTVM diz que medidas aprovadas ou anunciadas na reta final da eleição ampliam o desafio fiscal para 2027.
  • Vieira afirma que o fim da escala 6x1 pode elevar custos principalmente em serviços, micro e pequenas empresas e atividades que dependem dessa jornada.
  • Segundo o economista, mercado mantém cautela diante da disputa eleitoral e da falta de detalhes sobre o ajuste fiscal do próximo governo.

Quem assumir a Presidência em 2027 enfrentará um quadro fiscal mais difícil, independentemente do resultado da eleição, avaliou Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.

Segundo ele, a combinação entre novas despesas, incerteza sobre o ajuste das contas públicas e medidas discutidas na reta final da campanha aumentou a cautela dos investidores.

“Está chegando no ponto que quem quer que ganhe a eleição terá um problema gravíssimo para cuidar em 2027”, afirmou.

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Vieira disse que o cenário eleitoral passou a funcionar como um dos principais catalisadores do mercado brasileiro, ao lado de fatores externos. Nesta quinta-feira (15), o Ibovespa fechou em queda pelo terceiro pregão consecutivo, em um dia também marcado por pressão sobre ativos internacionais ligados ao setor de tecnologia.

Escala 6×1 entra na conta do mercado

O economista afirmou que o fim da escala 6×1 também passou a ser considerado pelos investidores diante do potencial impacto sobre os custos das empresas.

Na avaliação dele, os efeitos podem ser mais relevantes em segmentos de serviços e em micro e pequenas empresas que dependem desse modelo de jornada.

Vieira considera que uma mudança deveria ser acompanhada de uma transição mais ampla e de discussão específica entre os setores afetados.

Segundo ele, parte das empresas pode responder ao aumento dos custos com mudanças nas contratações ou repasse para preços.

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“Alguns lugares que tiverem que incorporar mais um funcionário vão acabar transferindo isso, de alguma maneira, para os preços”, afirmou.

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O economista também mencionou a possibilidade de maior utilização de trabalho intermitente em empresas que precisem reorganizar suas escalas.

Mercado cobra definição sobre ajuste fiscal

Perguntado sobre as propostas econômicas de Flávio Bolsonaro (PL), Vieira afirmou ter conversado com pessoas próximas à formulação de uma possível equipe econômica e disse haver, segundo esses interlocutores, intenção de reduzir gastos e o número de ministérios.

Ele ponderou, porém, que as propostas permanecem pouco detalhadas durante a campanha.

“A caixa-preta está tão selada neste momento que é difícil você colocar uma proposta de dizer: ‘Nós vamos cortar tanto nos gastos, nós vamos fazer isso, nós vamos fazer aquilo’”, disse.

Vieira também relacionou o comportamento recente dos mercados à percepção dos investidores sobre a disputa presidencial e as perspectivas para a política fiscal.

Segundo ele, o mercado tende a reagir melhor à expectativa de maior contenção de despesas, mas ainda não dispõe de detalhes suficientes para avaliar como seria conduzido um eventual ajuste após a eleição.

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