Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no
Finados começou em mosteiro francês há mais de mil anos e hoje combina rituais religiosos, atividades culturais e tecnologia de ponta
Publicado 01/11/2026 • 22:15 | Atualizado há 36 minutos
Por que a IA está impulsionando os negócios de publicidade da Meta enquanto prejudica as buscas do Google?
Setor de criptomoedas investe mais de US$ 200 milhões nas eleições dos EUA para pressionar por regras favoráveis
OpenAI reduz meta de captação e pretende levantar até US$ 20 bilhões em nova rodada
Justiça dos EUA rejeita ação de Trump contra The Wall Street Journal por suposta carta a Epstein
Binance diz já ter recuperado 90% dos US$ 6,3 bilhões perdidos em ataque hacker e prevê retomar saques no domingo
Publicado 01/11/2026 • 22:15 | Atualizado há 36 minutos
KEY POINTS
Foto: Cemitério Vertical de Curitiba
Uma decisão tomada em um mosteiro francês, no fim do século X, deu origem ao Dia de Finados, que em 2026 cai na segunda-feira (2). Nessa data, milhões de pessoas visitam cemitérios, deixam flores sobre túmulos e rezam por familiares e amigos que já partiram.
A história começa na Abadia de Cluny, na França. Naquele período, comunidades cristãs já tinham o costume de rezar por seus entes queridos, mas não havia uma data estabelecida para a homenagem.
Foi o abade Odilo de Cluny quem determinou que os mosteiros sob sua orientação reservassem o dia 2 de novembro para orações em memória dos fiéis falecidos. Ele chamou a data, inicialmente, de “Dia de todas as almas”.
Segundo o Vaticano, a instituição da celebração é tradicionalmente situada no ano de 998. A escolha tem lógica, porque o dia 2 vem logo depois do Dia de Todos os Santos, celebrado em 1º de novembro.
Em seguida, o costume se espalhou por outras comunidades religiosas até virar tradição em diversos países, incluindo o Brasil.
Embora Finados tenha origem medieval, o hábito de dedicar cuidados a quem já partiu é mais antigo. Há registros de orações pelos falecidos entre comunidades cristãs desde o século II, feitas após o sepultamento e nos aniversários de morte.
A preparação de despedidas remonta a milhares de anos antes. Em uma caverna no atual território de Israel, pesquisadores encontraram vestígios de plantas floridas usadas em sepultamentos de 13,7 mil a 11,7 mil anos atrás. A descoberta, publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), está entre as evidências diretas mais antigas do uso de flores em sepulturas.
Com o passar dos séculos, cada sociedade criou suas formas de despedida. Hoje, visitas a cemitérios, flores, orações e encontros familiares servem para recordar pessoas queridas.
Para Carlos Camargo, sócio-diretor do Cemitério Vertical de Curitiba, esses rituais têm uma função. “Os rituais de despedida e homenagem ajudam a dar expressão a sentimentos que nem sempre conseguimos entender. Cada pessoa encontra sua maneira de lidar com a perda, e respeitar esse tempo e essas formas de expressão é importante para atravessar o luto”, avalia.
Em Curitiba, a data ganha programação própria no Cemitério Vertical, inaugurado em 1989. Segundo a instituição, a preocupação com as famílias e com os detalhes da despedida vem da visão de seu idealizador, Nelson Fernandes.
A programação de Finados de 2026 ocorre entre sexta-feira (30) e o próprio Dia de Finados, com o tema “A Vida Continua em Amor”. Ao longo dos quatro dias, o espaço recebe celebrações religiosas, apresentações de corais, homenagens ao som de violino e exposições de orquídeas e pinturas.
Há ainda atividades para toda a família, como apresentações de teatro, oficinas de pulseiras personalizadas, ações interativas, espaço para crianças e feiras de artesanato e de adoção de animais. O cemitério oferece também quick massage, sessões pensadas para dar pausa e relaxamento aos visitantes.
Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.
Siga o Times | CNBCSegundo Camargo, a variedade de atividades reflete a forma como cada visitante vive a data. “Enquanto alguns visitantes procuram o silêncio e a oração, outros encontram nas apresentações musicais, nas atividades compartilhadas ou no contato com familiares uma maneira de recordar quem já partiu”, diz.
No dia 2 de novembro, às 18h15, as homenagens se encerram com o “Caminho das Luzes”. A cerimônia começa com a apresentação de um coral formado por integrantes da equipe do Cemitério Vertical.
Em seguida, os participantes acendem velas e seguem em cortejo pela área central do cemitério, com as luzes apagadas. A cerimônia também é transmitida ao vivo pelo YouTube, para que familiares e amigos acompanhem a homenagem à distância.
Em outra frente, o Cemitério Vertical de Curitiba desenvolveu um dispositivo patenteado para evitar o sepultamento de pessoas vivas, hipótese ligada a casos de catalepsia. Camargo detalhou o equipamento em entrevista à Banda B em 2016.
A ideia partiu de Nelson Fernandes, que se preocupava com o caso do ator Sérgio Cardoso, que teria sofrido de catalepsia. Fernandes estudou o tema no livro “Os Enterrados Vivos”, de Peron-Autret.
Batizado de “detector vida”, o sistema usa um sensor que se enche com os gases liberados na decomposição do corpo. Se a pessoa estiver viva, o sensor permanece vazio e parado, e uma sirene alerta a equipe do cemitério. Um tubo leva oxigênio à urna até o resgate.
Segundo Camargo, o objetivo é “ter certeza do óbito e dar mais conforto às famílias”.
Mais de mil anos depois de sua instituição, alguns costumes de Finados permanecem praticamente os mesmos. Outros foram incorporados com as mudanças na maneira como as famílias vivem a despedida, compartilham lembranças e encontram apoio.
A tecnologia entrou nesse movimento. A transmissão de cerimônias pela internet, adotada durante a pandemia de covid-19, segue como alternativa para quem não consegue estar presente, inclusive no Cemitério Vertical de Curitiba.
Além disso, em alguns cemitérios, a data passou a reunir atividades culturais, apresentações musicais e espaços de convivência entre gerações, junto às visitas individuais e às celebrações religiosas.
“As homenagens tradicionais continuam presentes, agora acompanhadas de outras maneiras de expressar afeto, compartilhar histórias e preservar a memória de quem partiu”, explica Camargo.
Para ele, lembrar quem partiu “pode significar visitar um túmulo, reunir a família para contar histórias ou simplesmente reservar um momento para a memória”. Camargo acrescenta que, “quando a ausência se torna difícil de enfrentar, buscar apoio também é uma forma de cuidado”.
🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais
🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562
🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube
🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Zapping | Novos Streamings
Maiores Audiências
1
PlayStation resgata visual dos anos 1990; conheça os novos acessórios
2
Leilão do Banco Master reúne 447 lotes, de cadeiras Herman Miller a TV de 98 polegadas, com lances a partir de R$ 21; veja os itens
3
Protestos e acusações de golpe mergulham Polônia em nova crise institucional
4
Banco Central decreta liquidação da MW Pay, instituição ligada a bets, por violações graves às normas do sistema de pagamentos
5
Trump descarta encontro com Flávio Bolsonaro, mas diz que senador pode ficar nos EUA “pelo tempo que quiser”