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Finados começou em mosteiro francês há mais de mil anos e hoje combina rituais religiosos, atividades culturais e tecnologia de ponta

Publicado 01/11/2026 • 22:15 | Atualizado há 36 minutos

KEY POINTS

  • Finados foi instituído pelo abade Odilo de Cluny, na França, e situado por tradição no ano de 998, segundo o Vaticano
  • Flores em sepulturas de Israel de 13,7 mil a 11,7 mil anos atrás estão entre as evidências mais antigas de homenagem aos mortos
  • Cemitério Vertical de Curitiba faz programação de 30 de outubro a 2 de novembro com o tema A Vida Continua em Amor
Finados Cemitério Vertical de Curitiba

Foto: Cemitério Vertical de Curitiba

Uma decisão tomada em um mosteiro francês, no fim do século X, deu origem ao Dia de Finados, que em 2026 cai na segunda-feira (2). Nessa data, milhões de pessoas visitam cemitérios, deixam flores sobre túmulos e rezam por familiares e amigos que já partiram.

Finados nasceu na Abadia de Cluny

A história começa na Abadia de Cluny, na França. Naquele período, comunidades cristãs já tinham o costume de rezar por seus entes queridos, mas não havia uma data estabelecida para a homenagem.

Foi o abade Odilo de Cluny quem determinou que os mosteiros sob sua orientação reservassem o dia 2 de novembro para orações em memória dos fiéis falecidos. Ele chamou a data, inicialmente, de “Dia de todas as almas”.

Segundo o Vaticano, a instituição da celebração é tradicionalmente situada no ano de 998. A escolha tem lógica, porque o dia 2 vem logo depois do Dia de Todos os Santos, celebrado em 1º de novembro.

Em seguida, o costume se espalhou por outras comunidades religiosas até virar tradição em diversos países, incluindo o Brasil.

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Homenagem aos mortos é anterior à data

Embora Finados tenha origem medieval, o hábito de dedicar cuidados a quem já partiu é mais antigo. Há registros de orações pelos falecidos entre comunidades cristãs desde o século II, feitas após o sepultamento e nos aniversários de morte.

A preparação de despedidas remonta a milhares de anos antes. Em uma caverna no atual território de Israel, pesquisadores encontraram vestígios de plantas floridas usadas em sepultamentos de 13,7 mil a 11,7 mil anos atrás. A descoberta, publicada na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), está entre as evidências diretas mais antigas do uso de flores em sepulturas.

Com o passar dos séculos, cada sociedade criou suas formas de despedida. Hoje, visitas a cemitérios, flores, orações e encontros familiares servem para recordar pessoas queridas.

Para Carlos Camargo, sócio-diretor do Cemitério Vertical de Curitiba, esses rituais têm uma função. “Os rituais de despedida e homenagem ajudam a dar expressão a sentimentos que nem sempre conseguimos entender. Cada pessoa encontra sua maneira de lidar com a perda, e respeitar esse tempo e essas formas de expressão é importante para atravessar o luto”, avalia.

Cemitério Vertical de Curitiba faz programação de quatro dias

Em Curitiba, a data ganha programação própria no Cemitério Vertical, inaugurado em 1989. Segundo a instituição, a preocupação com as famílias e com os detalhes da despedida vem da visão de seu idealizador, Nelson Fernandes.

A programação de Finados de 2026 ocorre entre sexta-feira (30) e o próprio Dia de Finados, com o tema “A Vida Continua em Amor”. Ao longo dos quatro dias, o espaço recebe celebrações religiosas, apresentações de corais, homenagens ao som de violino e exposições de orquídeas e pinturas.

Há ainda atividades para toda a família, como apresentações de teatro, oficinas de pulseiras personalizadas, ações interativas, espaço para crianças e feiras de artesanato e de adoção de animais. O cemitério oferece também quick massage, sessões pensadas para dar pausa e relaxamento aos visitantes.

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Segundo Camargo, a variedade de atividades reflete a forma como cada visitante vive a data. “Enquanto alguns visitantes procuram o silêncio e a oração, outros encontram nas apresentações musicais, nas atividades compartilhadas ou no contato com familiares uma maneira de recordar quem já partiu”, diz.

Caminho das Luzes encerra homenagens com cortejo de velas

No dia 2 de novembro, às 18h15, as homenagens se encerram com o “Caminho das Luzes”. A cerimônia começa com a apresentação de um coral formado por integrantes da equipe do Cemitério Vertical.

Em seguida, os participantes acendem velas e seguem em cortejo pela área central do cemitério, com as luzes apagadas. A cerimônia também é transmitida ao vivo pelo YouTube, para que familiares e amigos acompanhem a homenagem à distância.

Detector contra sepultamento de pessoa viva

Em outra frente, o Cemitério Vertical de Curitiba desenvolveu um dispositivo patenteado para evitar o sepultamento de pessoas vivas, hipótese ligada a casos de catalepsia. Camargo detalhou o equipamento em entrevista à Banda B em 2016.

A ideia partiu de Nelson Fernandes, que se preocupava com o caso do ator Sérgio Cardoso, que teria sofrido de catalepsia. Fernandes estudou o tema no livro “Os Enterrados Vivos”, de Peron-Autret.

Batizado de “detector vida”, o sistema usa um sensor que se enche com os gases liberados na decomposição do corpo. Se a pessoa estiver viva, o sensor permanece vazio e parado, e uma sirene alerta a equipe do cemitério. Um tubo leva oxigênio à urna até o resgate.

Segundo Camargo, o objetivo é “ter certeza do óbito e dar mais conforto às famílias”.

Finados mantém costumes antigos e incorpora novos

Mais de mil anos depois de sua instituição, alguns costumes de Finados permanecem praticamente os mesmos. Outros foram incorporados com as mudanças na maneira como as famílias vivem a despedida, compartilham lembranças e encontram apoio.

A tecnologia entrou nesse movimento. A transmissão de cerimônias pela internet, adotada durante a pandemia de covid-19, segue como alternativa para quem não consegue estar presente, inclusive no Cemitério Vertical de Curitiba.

Além disso, em alguns cemitérios, a data passou a reunir atividades culturais, apresentações musicais e espaços de convivência entre gerações, junto às visitas individuais e às celebrações religiosas.

“As homenagens tradicionais continuam presentes, agora acompanhadas de outras maneiras de expressar afeto, compartilhar histórias e preservar a memória de quem partiu”, explica Camargo.

Para ele, lembrar quem partiu “pode significar visitar um túmulo, reunir a família para contar histórias ou simplesmente reservar um momento para a memória”. Camargo acrescenta que, “quando a ausência se torna difícil de enfrentar, buscar apoio também é uma forma de cuidado”.

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