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Flávio Bolsonaro teria negociado R$ 134 milhões com Daniel Vorcaro para financiar filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro

Publicado 13/05/2026 • 16:59 | Atualizado há 58 minutos

KEY POINTS

  • Flávio Bolsonaro teria negociado com Daniel Vorcaro repasse de US$ 24 milhões para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
  • Ao menos US$ 10,6 milhões teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025.  Flávio Bolsonaro nega as acusações.
  • O dinheiro não teria saído diretamente do Banco Master. Segundo a investigação, o fluxo teria passado pela Entre Investimentos e Participações, empresa que atuaria em parceria com empresas de Vorcaro.

O pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria negociado diretamente com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, o repasse de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões) para financiar “Dark Horse”, o filme biográfico sobre o pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação foi publicada com exclusividade pelo Intercept Brasil nesta quarta-feira (13), com base em mensagens de WhatsApp, comprovantes bancários e documentos societários obtidos pelo veículo.

Segundo a investigação, ao menos US$ 10,6 milhões já teriam sido efetivamente transferidos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações. O material analisado pelo Intercept inclui um cronograma de desembolsos, um comprovante bancário de transferência internacional e registros de cobranças relacionadas às parcelas previstas. Os demais oito pagamentos previstos, segundo o veículo, não teriam sido realizados.

Questionado presencialmente por repórteres do Intercept nesta manhã, nas proximidades do STF, onde havia se reunido com o ministro Edson Fachin, Flávio negou as acusações. “De onde você tirou essa informação? É mentira”, disse, antes de dar uma gargalhada e se afastar. O senador não havia retornado contatos feitos anteriormente por telefone, WhatsApp e e-mail.

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Como começou

A articulação teria começado em 8 de dezembro de 2024, quando o empresário Thiago Miranda, então CEO do Portal Leo Dias, organizou um encontro entre Flávio e Vorcaro na residência do banqueiro em Brasília. Nas mensagens, Miranda teria dito a Vorcaro que “Flávio está ciente de tudo” e que o tema seria o “filme do presidente e do SBT”. A reunião foi marcada para o dia 11, às 17h30.

Registros do canal do Senado no YouTube mostram que, naquele mesmo dia, por volta desse horário, Flávio Bolsonaro recebeu um telefonema durante sessão da CCJ, levantou e saiu da sala, retornando à sua cadeira pouco depois das 18h. Menos de uma hora depois, às 18h24, o deputado Mario Frias (PL-SP), ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro, teria enviado um áudio a Vorcaro agradecendo pelo apoio ao projeto e dizendo que o filme “vai mexer com o coração de muita gente”.

Além de Miranda e Frias, a negociação teria contado com a participação do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro. Segundo o Intercept, ao longo do primeiro semestre de 2025, o relacionamento entre Flávio e Vorcaro evoluiu para uma interlocução direta, com cobranças, tratativas operacionais e demonstrações crescentes de proximidade pessoal.

A engenharia financeira

O dinheiro não teria saído diretamente do Banco Master. Segundo a investigação, o fluxo teria passado pela Entre Investimentos e Participações, empresa que atuaria em parceria com empresas de Vorcaro — embora ambos neguem qualquer vínculo formal. Em março de 2026, após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da Entrepay, empresa do grupo, autoridades passaram a investigar se Vorcaro seria o dono oculto da companhia.

No destino, os recursos teriam chegado ao fundo Havengate Development Fund LP, registrado no Texas. Documentos societários obtidos pelo Intercept mostram que o fundo tem como agente legal Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, e como membro do quadro societário o corretor de imóveis Altieris Santana. Os dois compartilham o mesmo endereço comercial em Dallas.

O caminho até lá, no entanto, não foi simples. Em fevereiro de 2025, Fabiano Zettel, apontado pela Polícia Federal como principal operador financeiro de Vorcaro, relatou ao banqueiro que o próprio setor de câmbio do Banco Master estava recusando realizar as operações, dizendo que as informações de cadastro eram “meio estranhas”. Vorcaro orientou então que o pagamento fosse feito “via entre”. Zettel perguntou se poderia “pedir pro Minas” — referência a Antônio Carlos Freixo Júnior, executivo do Grupo Entre cujo telefone estava salvo na agenda de Vorcaro como “Mineiro”.

Em 14 de fevereiro de 2025, Zettel encaminhou ao banqueiro o comprovante de uma transferência internacional de 2 milhões de dólares para o Havengate Development Fund LP, com a Entre Investimentos e Participações como remetente.

As mensagens indicam que o cronograma foi ajustado ao longo do tempo. Em janeiro de 2025, Zettel teria explicado a Vorcaro que o filme seria pago em dez parcelas de 2,5 milhões de dólares. Meses depois, em agosto, Miranda teria enviado ao banqueiro uma tabela com um fluxo diferente: 14 parcelas, sendo 12 de 1,666 milhão de dólares e duas de 2 milhões.

As pressões

Desde janeiro de 2025, as mensagens mostram Vorcaro pessoalmente engajado no acompanhamento dos pagamentos. No dia 20 daquele mês, Miranda teria encaminhado ao banqueiro uma captura de tela em que um número atribuído a Flávio Bolsonaro pedia que o jurídico de Vorcaro fosse pressionado para concluir os contratos. Horas depois, Vorcaro respondeu a Miranda: “Vou atrás aqui”.

No dia 28 de janeiro, o banqueiro demonstrou preocupação com os atrasos e definiu o projeto como “o mais importante disparado” entre seus compromissos. A ordem que deixou registrada foi direta: “Não pode falhar mais”.

Em março, Vorcaro encaminhou a Flávio um cronograma mostrando que apenas a primeira parcela havia sido quitada até então. Em agosto, com a tentativa de venda do Master ao BRB já frustrada pelo Banco Central, Miranda enviou ao banqueiro a tabela de financiamento confirmando que US$ 10,6 milhões haviam sido transferidos de um total previsto de US$ 23,9 milhões. Vorcaro respondeu: “Segunda fazemos duas”. Miranda garantiu estar “monitorando essa reta final”.

Em 21 de março, Eduardo Bolsonaro apareceu pela primeira vez nas conversas obtidas pelo Intercept. Miranda teria encaminhado a Vorcaro uma mensagem em que um número atribuído ao deputado cassado sugeria alternativas para facilitar o envio dos recursos aos EUA e informava que Altieris Santana estaria disponível para reuniões presenciais sobre a operação.

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O áudio de Flávio

Em 8 de setembro de 2025, dias antes de Jair Bolsonaro ser condenado pela trama golpista, Flávio teria enviado diretamente a Vorcaro um áudio em que reconhecia o momento difícil pelo qual ambos passavam e pressionava pelo cumprimento dos pagamentos.

“Irmão, preferi te mandar o áudio aqui para você ouvir com calma. Bom, aqui a gente tá passando por um dos momentos mais difíceis da nossa vida, né?”, começa o senador, antes de fazer referência ao que chamou de situação “dificílima” também do lado de Vorcaro. “E apesar de você ter dado liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas enfim, é porque tá no momento muito decisivo aqui do filme, e como tem muita parcela para trás, cara, tá todo mundo tenso e preocupado.”

No áudio, Flávio mencionou diretamente os profissionais americanos envolvidos na produção. “Imagina a gente dando calote no Jim Caviezel, no Cyrus, os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano, mundial. Pô, ia ser muito ruim.” E concluiu com o tom de urgência: “Agora que é reta final, que a gente não pode vacilar, não pode não honrar com os compromissos aqui, porque senão a gente perde tudo, cara, tudo. Contrato, perde ator, perde diretor, perde equipe, perde tudo.”

Vorcaro teria pedido desculpas, dito que a semana anterior havia sido muito difícil e prometido resolver até o dia seguinte. Na mesma noite, os dois fizeram uma ligação de cerca de dois minutos e meio.

Jantares, ligações e encontros

Além das negociações financeiras, as mensagens revelam uma relação de crescente proximidade entre o senador e o banqueiro. Em setembro de 2025, os dois realizaram quatro ligações — uma delas de 1 hora e 50 minutos — e marcaram encontros presenciais em São Paulo.

Em 22 de outubro, com as gravações já no terceiro dia, Flávio informou a Vorcaro que a produção havia chegado “no limite” e que, se o suporte financeiro não pudesse continuar, seria necessário avisar para que a equipe buscasse “outro caminho”. O banqueiro respondeu: “Deixa comigo.” No mesmo dia, o senador convidou Vorcaro para um jantar em São Paulo com o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. Vorcaro topou e ofereceu a própria casa. A data foi sugerida primeiro para 2 de novembro, depois para o dia 6. Não há confirmação nos registros se o jantar de fato ocorreu.

Em 7 de novembro, após enviar a Vorcaro um vídeo de visualização única, Flávio escreveu: “Tá perdendo, irmão! Tudo isso só está sendo possível por causa de vc”. Vorcaro respondeu: “Que demais. Ficou perfeito.”

A véspera da prisão

Em 15 de novembro, Vorcaro enviou a Flávio uma mensagem pedindo contato urgente. No dia seguinte, 16 de novembro, enquanto trocava imagens de visualização única com o senador, escreveu: “Fala irmaozao ro na igreja terminando te chamo.” A resposta de Flávio: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”

No dia 17, Vorcaro foi preso tentando embarcar para o exterior. Era acusado de operar um esquema de fraude que gerou um rombo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito. No dia 18, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master.

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O filme e as eleições

“Dark Horse” é uma produção americana com Jim Caviezel no papel de Jair Bolsonaro e direção de Cyrus Nowrasteh. O ator já anunciou estreia para 11 de setembro de 2026, poucas semanas antes do primeiro turno das eleições presidenciais. Flávio Bolsonaro é pré-candidato à Presidência pelo PL.

A produtora do filme no Brasil, Karina Ferreira da Gama, recebeu ao menos R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para operar um contrato de Wi-Fi público sem concluir as entregas previstas. Desde março de 2026, o Ministério Público investiga o contrato.

Eduardo Bolsonaro, Mario Frias, Daniel Vorcaro, Thiago Miranda, Paulo Calixto, Altieris Santana e demais intermediários mencionados não responderam à publicação até o momento.

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