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Ajuste fiscal mal calibrado pode levar Brasil à recessão em 2027, diz Felipe Salto
Publicado 17/08/2026 • 22:41 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 17/08/2026 • 22:41 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
O Brasil corre risco de entrar em recessão em 2027 caso o próximo governo erre a calibragem do ajuste fiscal em um ambiente de juros elevados e atividade econômica em desaceleração. A avaliação é de Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Salto afirmou que os dados mais recentes já mostram com maior clareza os efeitos da política monetária restritiva sobre a economia.
O economista citou a queda de 0,6% do IBC-Br e afirmou que, desconsiderada a contribuição do agronegócio, a retração se aproxima de 1%, com ajuste sazonal.
“O que está acontecendo é que a política monetária está fazendo o seu efeito. Demorou para começar a aparecer com mais nitidez, pelo menos a olho nu, mas finalmente começou a aparecer”, afirmou.
Para Salto, a desaceleração também ajuda a explicar a melhora recente dos indicadores de inflação.“Para mim, já está claro que há uma desaceleração contratada”, disse.
Na avaliação do economista, o próximo governo terá de lidar simultaneamente com juros ainda elevados, atividade mais fraca e a necessidade de recuperar a confiança na trajetória das contas públicas.
Salto classificou esse cenário como uma “sinuca de bico”.
“Você tem uma carga de juro muito alta. A gente sabe que o Banco Central tem essa meta rigorosa de 3%. E nós vamos chegar com esse juro, não tem jeito”, afirmou.
Segundo ele, mesmo que a taxa básica esteja em torno de 13,75% no início de 2027, a curva de juros em diferentes prazos pode continuar pressionada.
Esse ambiente deverá se somar à necessidade de um ajuste fiscal para conter o crescimento da dívida e melhorar a percepção dos agentes econômicos.
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Salto afirmou que o desafio estará justamente em encontrar um equilíbrio para a política fiscal.
“Se o governo errar a mão e fizer um ajuste brutal, que eu não acho que vai acontecer, nas contas públicas, ele aprofunda essa desaceleração da atividade. Corremos o risco de recessão”, disse.
Por outro lado, uma ausência de ajuste também poderia piorar a percepção sobre a economia.
“Se ele não fizer nada ou até se optar por expandir determinados incentivos, crédito público, medidas parafiscais ou até mesmo gasto primário, aí peca pelo extremo oposto”, afirmou.
Nesse segundo cenário, segundo Salto, a combinação poderia reforçar a desconfiança dos investidores e pressionar ainda mais os juros.
“Pode acabar reforçando esse quadro de desconfiança, o mercado dobra a aposta e aí começamos a entrar numa outra seara de risco mais grave, envolvendo a solvência do Estado e tudo mais”, disse.
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Siga o Times | CNBCPara o economista-chefe da Warren, a melhor alternativa seria construir uma solução intermediária, capaz de recuperar credibilidade sem produzir uma contração excessiva da atividade.
“Esse meio do caminho precisa ser construído rapidamente para que esse timing da composição do juro, do ajuste fiscal e da melhora na confiança dos agentes econômicos seja tal que a gente tenha um ano ainda com algum crescimento em 2027 e não uma recessão”, afirmou.
Salto defendeu que as medidas sejam preparadas e anunciadas ainda durante o período de transição após as eleições de outubro, independentemente de quem vencer a disputa presidencial.
“O que precisa é um ajuste fiscal anunciado ainda esse ano, depois das eleições, naquele período conhecido como transição”, disse.
Segundo ele, o objetivo deveria ser permitir que o pacote comece a valer já no início de 2027.
Salto também destacou que as projeções de mercado apontam para perda de ritmo da economia no próximo ano.
Segundo ele, a pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira indica expectativa de crescimento de aproximadamente 1,5% em 2027.
“O desafio vai ser muito grande para resolver essa equação de juro alto com déficit fiscal, portanto uma necessidade de retomar a credibilidade por meio de um ajuste e também evitar a recessão”, afirmou.
Apesar da preocupação com a atividade, o economista avalia que a inflação brasileira não apresenta atualmente um quadro de descontrole.
“Eu vejo que a inflação está sob controle”, disse.
Salto citou inflação acumulada em 12 meses de 4,44% e expectativas próximas de 4% para os próximos anos.
“Não me parece um cenário de descontrole inflacionário, mas é que a meta é muito apertada”, afirmou.
Segundo ele, o Banco Central continuará obrigado a manter vigilância elevada para levar a inflação à meta de 3% no horizonte relevante.
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O cenário externo também pode dificultar a queda dos juros no Brasil.
Salto afirmou que a abertura financeira brasileira deixa a economia particularmente sensível às decisões de política monetária dos Estados Unidos, principalmente por meio do câmbio.
“O Fed dá um espirro e, para nós aqui, esse espirro é uma tempestade”, afirmou.
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