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Petrobras vê descoberta no Amapá como peça para recompor reservas após declínio do pré-sal

Publicado 17/08/2026 • 22:04 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Magda Chambriard afirma que descoberta no poço Morpho confirmou até agora as expectativas de potencial relevante de petróleo na costa do Amapá.
  • Renata Baruzzi diz que perfuração já consumiu cerca de US$ 300 milhões, considerando aproximadamente 300 dias de operação da sonda.
  • Clarice Coppetti afirma que estrutura de proteção ambiental montada para a campanha recebeu cerca de R$ 150 milhões em investimentos.

Foto: Agência Petrobras

A descoberta de petróleo no poço Morpho, em águas profundas do Amapá, pode ter papel importante na recomposição das reservas da Petrobras e do Brasil quando a produção do pré-sal entrar em declínio, afirmou nesta segunda-feira (17) a presidente da companhia, Magda Chambriard.

Em coletiva de imprensa realizada no Oiapoque, no Amapá, Magda afirmou que os resultados obtidos até agora confirmam as expectativas da estatal sobre o potencial petrolífero da região. A companhia, porém, ainda não informou o volume encontrado e nem se a descoberta terá viabilidade comercial.

“Descobrimos óleo no poço Morfo, no bloco BMFZA-59. É uma descoberta que é fruto de um trabalho de anos, um trabalho com muita tecnologia embarcada, um trabalho com muito esforço, com muito investimento, mas que até agora confirmou todas as nossas expectativas de um potencial relevante de petróleo na Margem Equatorial”, afirmou.

Segundo Magda, a importância estratégica do achado está ligada à necessidade de encontrar novas reservas para compensar, no futuro, a redução da produção das áreas atualmente responsáveis pela maior parte do petróleo brasileiro.

“A razão da nossa alegria é a constatação de que, tudo dando certo, e até agora tudo deu certo, a gente tem o condão de produzir uma área que pode ajudar de uma maneira muito importante a recomposição das reservas da Petrobras e do Brasil a partir do declínio da produção do pré-sal”, disse.

Segundo a executiva, cerca de 80% da produção brasileira de petróleo vem atualmente do pré-sal.

Leia também: “Tem petróleo”, diz presidente da Petrobras após perfuração na Margem Equatorial

Descoberta ainda não é comercial

Magda ressaltou que encontrar petróleo é uma etapa diferente de confirmar uma descoberta comercial.

“Nesse momento nós temos uma descoberta. O que vai dizer quando e quanto é a continuidade dessa exploração”, afirmou. “Um anúncio de uma descoberta é diferente do anúncio de uma descoberta comercial”, acrescentou.

A Petrobras terá de aprofundar os estudos e perfurar novos poços antes de estimar o volume recuperável, a capacidade de produção e a duração de uma eventual operação comercial.

“A gente ainda não sabe [a capacidade de produção], mas a gente sabe que todas as etapas do estudo até agora confirmaram que nós temos razões para o otimismo”, disse Magda.

Segundo a presidente da estatal, estão previstos mais três poços no bloco BMFZA-59, além de outros cinco na região.

Ao detalhar a campanha, Magda disse que o poço é perfurado desde 20 de outubro do ano passado e tem custo de aproximadamente US$ 1 milhão por dia, totalizando cerca de US$ 300 milhões desde o início da exploração.

Perfuração já custou cerca de US$ 300 milhões

Na sequência da coletiva, a diretora executiva de Exploração e Produção, Sylvia dos Anjos, afirmou que ainda faltam aproximadamente mil metros para a conclusão da perfuração.

“Faltam mil metros, cerca de mil metros para chegar ao fundo do poço, e vamos esperar terminar o mais rapidamente possível”, afirmou Sylvia.

Segundo ela, a Petrobras deverá retomar a perfuração após a conclusão da etapa de cimentação e seguir o planejamento acertado com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Estrutura ambiental recebeu cerca de R$ 150 milhões

A diretora executiva de Assuntos Corporativos, Clarice Coppetti, detalhou os investimentos feitos para a estrutura de proteção ambiental ligada à campanha no Amapá.

Segundo ela, os centros de atendimento e recuperação de fauna e a estrutura associada de defesa ambiental receberam aproximadamente R$ 150 milhões.

“Esse centro de atendimento e recuperação de fauna aqui no Amapá tem que ser entendido como parte de um grande complexo de defesa e proteção ambiental que a gente tem”, afirmou.

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Clarice explicou que a estrutura inclui outro centro em Belém, além de embarcações, aeronaves e um centro de defesa ambiental no Oiapoque.

“Esse complexo todo que a gente montou, essa estrutura toda de defesa ambiental, o investimento todo que nós fizemos é cerca de R$ 150 milhões”, disse.

Magda classificou o conjunto de medidas preparado para a campanha como o maior plano de emergência individual já estruturado para perfuração em águas profundas.

“É o nosso seguro e, como todo seguro, a gente espera que ele nunca seja acionado”, afirmou.

Petrobras detalha segurança do poço

Magda também destacou os equipamentos utilizados para reduzir riscos durante a perfuração.

A presidente da companhia citou o Blowout Preventer (BOP), conjunto de válvulas e sensores instalado no fundo do mar que permite interromper e fechar o poço em uma emergência.

Segundo ela, o equipamento utilizado na operação tem altura equivalente à de um prédio de seis andares.

“Por meio desse equipamento a gente pode, em qualquer incidente, interromper a produção do poço, fechar o poço e até cortar a coluna de perfuração, se for assim necessário”, afirmou.

Magda disse que o sistema foi apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a visita à sonda nesta segunda-feira.

Leia também: Petrobras descobre forte indício de petróleo na costa do Amapá

Licenciamento segue em diálogo com o Ibama

Clarice afirmou que a Petrobras continua respondendo às demandas do Ibama relacionadas ao processo de licenciamento.

Segundo ela, a companhia recebeu um novo parecer técnico do órgão em 10 de agosto e apresentou as complementações solicitadas na sexta-feira seguinte.

“Nós estamos ainda fazendo uma complementação de solicitações que o Ibama fez no último parecer técnico”, afirmou.

Entre as novas demandas mencionadas estão o reforço da quantidade de embarcações e medidas para atendimento a peixes-bois em recuperação na região Norte.

“É um processo de diálogo constante com o órgão ambiental”, disse Clarice.

Ela afirmou ainda que o processo é acompanhado pela Casa Civil, uma vez que projetos de exploração da Petrobras estão incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Blocos tiveram mais de R$ 1,5 bilhão em bônus

Magda lembrou que o bloco BMFZA-59 foi adquirido em 2013, na 11ª rodada de licitações da ANP.

Segundo a presidente da Petrobras, a rodada arrecadou R$ 3,8 bilhões em bônus de assinatura em todo o país, e aproximadamente metade desse montante veio de dois blocos localizados no Amapá, o BMFZA-59 e o BMFZA-57.

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