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Fux assume Segunda Turma do STF em meio à disputa sobre caso Master

Publicado 29/06/2026 • 15:55 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Gilmar Mendes tem criticado decisões de André Mendonça no inquérito sobre o Banco Master.
  • Segunda Turma manteve, por 3 a 1, as prisões preventivas de Henrique e Felipe Vorcaro.
  • Presidente da Turma define a pauta de julgamentos e conduz as sessões do colegiado.
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Antonio Augusto/STF

Luiz Fux, ministro do STF

O ministro Luiz Fux será o próximo presidente da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele deve assumir o colegiado em agosto, no retorno do recesso do Judiciário, no lugar do ministro Gilmar Mendes.

A troca ocorre em meio à tensão na Corte sobre a condução das investigações do caso Banco Master. A Operação Compliance Zero é relatada pelo ministro André Mendonça e mira suspeitas de corrupção e fraude bilionária envolvendo a instituição.

Gilmar tem feito críticas à condução do inquérito por Mendonça. O decano comparou métodos adotados na investigação a “tristes reminiscências” da Operação Lava Jato e questionou fundamentos de prisões preventivas no caso.

Leia também: Liquidação da Sefer expõe outra engrenagem usada por Vorcaro no escândalo do Banco Master

Embate na Segunda Turma

No último dia 16 de junho, Gilmar incluiu de forma repentina na pauta a retomada do julgamento sobre a soltura de Henrique e Felipe Vorcaro, pai e primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.

Mendonça reagiu retirando o sigilo de duas investigações que miram os envolvidos nos supostos esquemas de corrupção e fraude no banco. O relator afirmou que as informações reunidas pela Polícia Federal (PF) ilustravam os possíveis crimes e deveriam ser expostas para que fosse possível compreender o que estava em jogo no julgamento sobre a prisão preventiva do pai do banqueiro.

Na semana seguinte, Mendonça restabeleceu o segredo de Justiça, sob o argumento de preservar a investigação diante de novas diligências em curso.

A sessão que analisou as prisões preventivas de Henrique e Felipe foi marcada por divergência entre os ministros. Gilmar, que havia pedido vista do processo em maio, defendeu a flexibilização das cautelares, com prisão domiciliar para Henrique e soltura de Felipe.

Ele foi vencido pelos demais ministros. A Segunda Turma decidiu manter os dois presos por 3 votos a 1.

Críticas à prisão preventiva

Durante o julgamento, Gilmar afirmou que a prisão preventiva dos investigados poderia servir como forma de pressão para que eles firmassem acordo de delação premiada. O ministro comparou a medida a práticas da Lava Jato.

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“Quando um acordo é celebrado em ambiente de pressão há a completa erosão da voluntariedade que necessariamente deve nortear qualquer colaboração”, disse.

Mendonça rebateu e citou indícios de condutas violentas atribuídas a um grupo que agiria a mando de Daniel Vorcaro.

“Não estamos aqui a julgar a Lava-Jato”, afirmou.

Segundo o relator, o caso é “mais do que um crime de colarinho branco” e tem “contornos de máfia”.

Leia também: BC decreta liquidação da Sefer Investimentos, investigada por relação com o Master

Pauta nas mãos de Fux

Com Fux na presidência da Segunda Turma, a expectativa é de que a condução da pauta ocorra de forma mais alinhada à relatoria do caso Master.

Cabe ao presidente da Turma definir a pauta de julgamentos e conduzir as sessões do colegiado. Também é ele quem decide quando processos serão levados a julgamento, inclusive após a devolução de pedidos de vista.

A mudança segue o sistema de rodízio previsto no Regimento Interno do STF. Cada Turma é presidida por um de seus cinco integrantes durante um ano, sem possibilidade de recondução até que todos tenham ocupado o cargo. A escolha obedece ao critério de antiguidade entre os ministros que ainda não exerceram a função.

Fux passou a integrar a Segunda Turma em outubro de 2025. Ele pediu transferência da Primeira Turma após a vaga aberta pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

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