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Liquidação da Sefer expõe outra engrenagem usada por Vorcaro no escândalo do Banco Master
Publicado 29/06/2026 • 11:00 | Atualizado há 58 minutos
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Publicado 29/06/2026 • 11:00 | Atualizado há 58 minutos
KEY POINTS
Foto: Reprodução
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A liquidação da Sefer Investimentos pelo Banco Central, na sexta-feira (26), revelou mais uma peça da engrenagem usada por Daniel Vorcaro para mascarar e dificultar o rastreamento de recursos desviados no esquema de fraudes do Banco Master. Controlada por Benjamim Botelho, a corretora teve o mesmo desfecho do Banco Pleno, de Augusto Lima, e da gestora Reag, de João Carlos Mansur.
O único ex-sócio de Vorcaro no banco que permanece ileso até o momento é Mauricio Quadrado, que tem participação na corretora Trustee DTVM, outra parceira de negócios do Master. Até 2020, Quadrado foi sócio da Planner, corretora que mediou captações de recursos de fundos de previdência pelo banco, incluindo o Rioprevidência.
Assim, Botelho e a Sefer, que já se chamou Foco DTVM e Indigo, são citados nas investigações do Master como peças na engrenagem de lavagem de dinheiro construída por Vorcaro.
A corretora também já havia sido pivô da Operação Fundo Fake, realizada em 2020 sobre fraudes na captação de recursos de um fundo de pensão em Rondônia, conforme apurou a coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo
Leia também: BC decreta liquidação da Sefer Investimentos, investigada por relação com o Master
Segundo o BC, a liquidação da Sefer foi motivada pelo descumprimento de normas legais e levou ao bloqueio de bens de Botelho. A nota divulgada pela instituição não cita expressamente o caso Master, embora seja público que a corretora fazia parte do ecossistema de Vorcaro.
Em comunicado oficial, o Banco Central declarou que a decretação foi motivada pelo comprometimento da situação econômico financeira da distribuidora, sujeitando seus credores quirografários a risco anormal, além de violações às normas legais que disciplinam a atividade da instituição.
Desde a queda do Master em 17 de novembro de 2025, o Banco Central já liquidou outras instituições do conglomerado, como o Will Bank, em janeiro, mirando sempre instituições que desempenhavam papel central na estratégia de Vorcaro.
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Siga o Times | CNBCO controlador Benjamim Botelho, de 63 anos, vive em Portugal e renunciou à nacionalidade brasileira em janeiro de 2024 para se nacionalizar no país europeu. Uma offshore ligada a ele nas Bahamas, o Faex Fund, foi listada entre os ativos do banco de Vorcaro no exterior pelo liquidante do Master, Eduardo Félix Bianchini, que pede o reconhecimento da liquidação extrajudicial no paraíso fiscal, primeiro passo para o arresto dos recursos. Bianchini obteve decisão favorável na Justiça das Bahamas no fim de maio.
Ainda assim, a parceria entre Botelho e Vorcaro é antiga. Na primeira tentativa de assumir o Master, então chamado Banco Máxima, em 2017, Vorcaro comunicou ao BC que pretendia adquirir 56,87% da instituição por R$ 40 milhões, dos quais R$ 36 milhões pagos em cotas do Brazil Realty Fundo de Investimento Imobiliário, administrado pela Sefer, então Foco DTVM, e R$ 4 milhões em espécie.
Leia também: Fictor: credores veem caixa vazio e pedem inclusão total do grupo em recuperação judicial
O Brazil Realty estava no centro das investigações da Operação Fundo Fake, que apurou irregularidades na gestão de fundos de previdência municipais em Rolim de Moura, no interior de Rondônia, e em outros quatro estados, incluindo o Rio de Janeiro.
Depois que a investigação chegou à Justiça Federal, em 2019, Vorcaro, Botelho e outros 11 alvos da Fundo Fake foram alvos de mandados de prisão. As cautelares nunca foram cumpridas e a ordem judicial acabou anulada meses depois, sem que eles tenham sido presos.
O envolvimento da Sefer na Fundo Fake levou a Comissão de Valores Mobiliários a suspender sua autorização de operação em 2020, decisão também derrubada pela Justiça. De acordo com a CVM, ainda há quatro processos em curso na autarquia contra Benjamim Botelho e a Sefer.
O empresário respondeu a um quinto procedimento que também mirava Daniel Vorcaro e o Master, por irregularidades na captação de R$ 49 milhões com a venda de debêntures de duas empresas. Segundo a apuração da CVM, o dinheiro foi desviado para fundos ligados ao banqueiro e a seus sócios, sem remunerar os investidores que compraram os papéis.
A Sefer, então chamada Indigo, atuou como agente fiduciária dos títulos ao mesmo tempo em que controlava indiretamente a empresa emissora das debêntures, configurando conflito de interesses, já que seu papel era oferecer aos investidores garantias pelo investimento.
Por fim, Botelho e a corretora firmaram termo de compromisso e se dispuseram a pagar R$ 300 mil em multas cada, enquanto Vorcaro e o Master se comprometeram a pagar R$ 250 mil e R$ 1 milhão, respectivamente.
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