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Gilmar leva disputa bilionária de usinas ao plenário do STF após CNJ cancelar R$ 4,7 bi em precatórios ligados ao Master

Publicado 24/09/2026 • 22:18 | Atualizado há 45 minutos

KEY POINTS

  • Gilmar Mendes decidiu levar ao plenário do STF uma disputa sobre os critérios usados para calcular indenizações de usinas sucroalcooleiras.
  • União estima em R$ 103,4 bilhões o risco provável relacionado a ações desse setor.
  • A decisão foi tomada dois dias depois do CNJ determinar o cancelamento de R$ 4,7 bilhões em precatórios de três usinas que haviam negociado créditos com o Banco Master.
Gilmar Mendes

Gilmar Mendes, é ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil

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O ministro Gilmar Mendes decidiu nesta quinta-feira (24) levar ao plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) uma disputa sobre o pagamento de indenizações bilionárias a usinas do setor sucroalcooleiro. O objetivo é unificar o entendimento da Corte diante de decisões diferentes sobre os critérios usados para calcular esses valores.

O processo envolve a União e a Raízen Energia e discute se uma regra já fixada pelo Supremo deve ser aplicada também a condenações antigas, já transitadas em julgado, cujo cálculo do prejuízo das usinas foi feito com base em um estudo da Fundação Getulio Vargas, e não em perícias individualizadas.

Hoje, o entendimento do STF estabelece que o dano sofrido por cada empresa deve ser comprovado por perícia técnica. O problema, segundo Gilmar, é que as turmas do Supremo vêm dando respostas diferentes quando se deparam com decisões antigas que já não admitem recurso.

Em alguns casos, o Tribunal determinou a aplicação desse entendimento mesmo depois do trânsito em julgado. Em outros, considerou que a decisão anterior deveria ser preservada.

“Tudo isso evidencia um cenário que impõe um pronunciamento uniformizador pelo Plenário deste Supremo Tribunal Federal”, escreveu Gilmar na decisão.

Leia também: Master repassou R$ 1,4 bilhão em precatórios à Entre Investimentos, empresa de Mineiro, um mês antes do banco ser liquidado

Disputa envolve risco de R$ 103,4 bilhões

Gilmar também destacou o tamanho do impacto financeiro do caso. De acordo com o Anexo de Riscos Fiscais da Lei de Diretrizes Orçamentárias, a União calcula em R$ 103,4 bilhões os valores relacionados a indenizações do setor sucroalcooleiro classificados como risco provável de perda judicial.

O montante corresponde a quase um quinto dos R$ 559,1 bilhões em processos contra a União enquadrados na mesma categoria de risco. Também supera toda a previsão de despesas com precatórios e requisições de pequeno valor para 2027, estimada em R$ 97,7 bilhões.

Segundo o ministro, a demora em resolver a controvérsia tende a ampliar o passivo por causa da incidência de juros e correção monetária.

Gilmar também apontou o risco de o governo pagar precatórios que, depois de uma decisão definitiva do Supremo, possam ser considerados inexigíveis.

A decisão de levar o caso ao plenário ainda será submetida ao referendo da Segunda Turma, mas já produz efeitos e permite a inclusão imediata do processo na pauta da Corte.

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Decisão vem após cancelamento de precatórios ligados ao Master

A discussão no STF ocorre em meio à atenção crescente sobre precatórios do mesmo setor após as revelações envolvendo o Banco Master.

Dois dias antes da decisão de Gilmar, o corregedor nacional de Justiça, Benedito Gonçalves, determinou o cancelamento de 16 precatórios de três usinas, que somam cerca de R$ 4,7 bilhões, e ordenou a devolução dos valores ao Tesouro Nacional. A decisão foi assinada na terça-feira (22) e divulgada na quarta (23).

Esses precatórios pertencem a um conjunto diferente daquele analisado agora por Gilmar Mendes. Não se trata do mesmo processo nem da mesma controvérsia jurídica.

No caso do CNJ, a discussão era sobre precatórios expedidos antes do trânsito em julgado da fase de execução. O Conselho entendeu que não havia base legal para manter os chamados “precatórios bloqueados” e determinou que o dinheiro retornasse à Conta Única do Tesouro.

As três usinas atingidas pela medida haviam negociado créditos relacionados a essas ações com o Banco Master. A decisão se baseou na forma e no momento em que eles foram expedidos.

Leia também: Gilmar alerta para “risco que vem de dentro” e cobra TSE apartidário

Precatórios viraram uma das frentes de negócios do Master

O episódio chamou atenção para a presença do Banco Master no mercado de créditos judiciais do setor sucroalcooleiro.

Sob o comando de Daniel Vorcaro, o banco adquiriu direitos relacionados a ações de usinas contra a União, apostando no recebimento futuro de indenizações. Parte dessas operações passou a ser examinada nas investigações envolvendo a instituição.

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