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GPA revê lojas e aposta em autonomia regional para recuperar vendas

Publicado 05/08/2026 • 10:10 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • O GPA pretende reformar lojas, rever unidades com desempenho fraco e ampliar a autonomia das operações regionais.
  • A recuperação extrajudicial pode aliviar a pressão sobre a dívida, mas o grupo ainda precisa recuperar vendas, geração de caixa e competitividade.
  • A companhia não planeja abrir novas lojas nos próximos dois anos; ao menos oito unidades já tiveram o fechamento definido.

Divulgação

Fachada de uma loja Pão de Açúcar

O GPA prepara uma nova etapa da reestruturação, com revisão de lojas, reformas e maior autonomia para as operações regionais. A estratégia busca adequar a companhia ao tamanho atual e recuperar as vendas, sem retomar a expansão no curto prazo.

CEO Alexandre Santoro afirmou que o grupo não planeja abrir lojas nos próximos dois anos. Segundo a publicação, ao menos oito unidades já tiveram o fechamento decidido, enquanto outras terão de reagir em um prazo de três a seis meses. A entrevista foi dada ao InvestNews.

A revisão inclui a renegociação de aluguéis, o corte de despesas, mudanças no mix de produtos e ações para recuperar as vendas. No Rio de Janeiro, o GPA passou a testar uma gestão com maior autonomia para adaptar a oferta e negociar diretamente com fornecedores locais.

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A mudança ocorre enquanto a companhia tenta reduzir custos e preservar rentabilidade. No segundo trimestre, a receita líquida caiu 9,6%, para R$ 4,23 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado subiu 7,3%, para R$ 450 milhões. A margem avançou de 9% para 10,6%.

Nas vendas mesmas lojas, que desconsideram aberturas e fechamentos de unidades, a queda foi de 0,8%. O grupo registrou prejuízo de R$ 204 milhões nas operações continuadas, alta de 15,5% em relação ao mesmo período de 2025.

Plano pode reduzir pagamentos até 2028

O plano de recuperação extrajudicial ainda aguarda homologação judicial. Com a aprovação, o GPA poderá emitir novas debêntures e receber os recursos previstos na reestruturação. A negociação busca alongar os prazos de pagamento e aliviar a pressão de curto prazo sobre o caixa.

No fim de junho, a dívida líquida do grupo somava R$ 3,65 bilhões, o equivalente a quase quatro vezes o Ebitda.

Considerados os termos do plano e os R$ 298 milhões obtidos com a venda da participação do GPA na Financeira Itaú CBD, a dívida líquida cairia para R$ 1,18 bilhão em uma conta pro forma. A alavancagem recuaria para 1,3 vez.

O prazo médio da dívida deve passar de cerca de dois para pouco mais de seis anos. Já os pagamentos previstos até 2028 cairiam de R$ 5,2 bilhões para cerca de R$ 400 milhões.

A melhora esperada na estrutura financeira ainda não chegou ao caixa. Sem o efeito da venda da participação no programa de fidelidade Stix, o fluxo de caixa livre ficou negativo em R$ 89 milhões no segundo trimestre.

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Durante a negociação com os credores, alguns fornecedores reduziram prazos ou limites de crédito, segundo o InvestNews. Isso obrigou o GPA a desembolsar mais para manter o abastecimento das lojas.

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GPA reduz estrutura e concentra recursos em reformas

Após uma série de vendas e separações, o GPA ficou menor, mas ainda mantém sistemas, contratos e estruturas logísticas dimensionados para uma operação maior. O grupo já reuniu negócios como Assaí, Casas Bahia, Ponto Frio, hipermercados e operações internacionais.

No primeiro semestre, a companhia afirmou ter obtido R$ 244 milhões em economias, diante de uma meta anual de R$ 415 milhões. Os cortes incluem redução do quadro de funcionários, revisão de contratos de tecnologia, menor gasto com publicidade e ganhos em fretes e ocupação logística.

Os recursos disponíveis serão direcionados principalmente para a reforma das unidades existentes. Parte da rede envelheceu e perdeu espaço para concorrentes mais modernos, segundo os executivos ouvidos pelo InvestNews.

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Extra e passivo tributário ainda desafiam reestruturação

O GPA também tenta definir com mais clareza o espaço do Extra. Segundo o InvestNews, depois da venda dos hipermercados e da concentração do Pão de Açúcar no segmento de maior renda, a gestão passou a tratar a bandeira como um supermercado de bairro voltado às compras de abastecimento.

Outra frente é o passivo tributário. Segundo apuração do InvestNews, o GPA mantém uma contingência federal estimada em cerca de R$ 15 bilhões e discute separar os valores que pretende continuar contestando daqueles que poderão ser negociados.

A homologação da recuperação extrajudicial deve aliviar a pressão financeira mais imediata. Depois disso, o grupo ainda terá de recuperar vendas e geração de caixa com uma operação menor e mais adaptada aos mercados regionais.

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