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Greve na Caixa trava financiamentos e pressiona construtoras
Publicado 26/09/2026 • 12:00 | Atualizado há 56 minutos
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Publicado 26/09/2026 • 12:00 | Atualizado há 56 minutos
KEY POINTS
Foto: Reprodução
A greve dos funcionários da Caixa Econômica Federal, iniciada em 10 de setembro, já começa a produzir efeitos no mercado imobiliário. Construtoras relatam redução no ritmo de vendas financiadas, atraso na contratação de crédito e retenção de recursos destinados ao andamento de obras.
A situação tem peso relevante para o setor porque a Caixa concentra cerca de dois terços dos financiamentos habitacionais do país e também é responsável pelas operações do programa Minha Casa, Minha Vida.
Em condições normais, o banco formaliza, em média, 3,2 mil contratos de financiamento imobiliário por dia, movimentando cerca de R$ 920 milhões.
Considerando 13 dias de paralisação, uma estimativa conservadora, com interrupção de 20% das operações, indicaria cerca de 8,3 mil vendas afetadas. Se metade dos contratos tiver sido prejudicada, o total poderia chegar a aproximadamente 20,8 mil negócios.
A greve não interrompeu integralmente as operações da instituição. Na região metropolitana de São Paulo, 293 agências estavam fechadas, segundo o Sindicato dos Bancários. Em outras unidades e departamentos, o atendimento foi mantido parcialmente.
Até o período considerado, não havia um levantamento nacional consolidado sobre o número de agências fechadas ou operando com equipes reduzidas.
Os efeitos também variam de acordo com a localização. Um executivo de uma grande construtora de capital aberto relatou que cidades do interior têm enfrentado dificuldades maiores, principalmente quando dependem de uma única agência da Caixa. Nas capitais, onde há maior número de unidades, parte das operações consegue ser direcionada para agências que continuam funcionando.
Um dos principais impactos ocorre na etapa de contratação do financiamento. A venda de muitos imóveis depende da abertura de conta, entrega de documentos, análise de crédito e aprovação final pela Caixa.
Correspondentes bancários, que não participam da greve, continuam recebendo parte da documentação e iniciando os processos. A conclusão do financiamento, no entanto, depende da análise de equipes do próprio banco.
O problema ganha dimensão maior dentro do Minha Casa, Minha Vida. Nesse segmento, o comprador costuma ser encaminhado ao financiamento logo após a assinatura do contrato de compra da unidade ainda em construção. Sem a formalização do crédito, a operação não é concluída e os recursos não são repassados à incorporadora.
José Urbano Duarte, especialista em crédito imobiliário e ex-vice-presidente de Habitação da Caixa, avalia que haverá acúmulo de processos e que a normalização não deve ser imediata após o fim da greve. Segundo ele, a contratação de novos financiamentos tende a ser uma das etapas mais afetadas por exigir uma análise mais complexa.
A paralisação também interfere na liberação de valores de financiamentos já contratados para a construção de empreendimentos.
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Siga o Times | CNBCNormalmente, as construtoras recebem os recursos gradualmente, conforme o avanço físico das obras. Um técnico da Caixa ou profissional credenciado realiza a medição do canteiro e encaminha as informações para equipes internas do banco, responsáveis por validar os dados antes da liberação de cada parcela.
Com redução de pessoal e atrasos na análise, parte desses pagamentos deixou de seguir o cronograma habitual.
A BRZ Empreendimentos, incorporadora voltada ao Minha Casa, Minha Vida e presente em 32 cidades de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, estima impacto de R$ 24 milhões em seu fluxo de caixa.
Do total, R$ 17 milhões correspondem a 196 vendas de apartamentos cujos contratos de financiamento ainda aguardavam conclusão. Outros R$ 7 milhões estavam relacionados a parcelas destinadas a 14 obras com medições atrasadas.
Segundo a empresa, a prioridade será manter o pagamento dos funcionários, enquanto fornecedores de materiais e serviços começaram a ser procurados para renegociação de prazos.
Leia também: Greve na Caixa continua após funcionários rejeitarem nova proposta
A expectativa inicial era de que a paralisação terminasse em 21 de setembro, mas as negociações entre a direção da Caixa e os funcionários não chegaram a um acordo.
Com a continuidade do movimento, o banco informou às construtoras, no dia 22, que voltaria a utilizar temporariamente um sistema de medição remota dos canteiros de obras.
Pelo modelo, as empresas enviam pela internet uma planilha com informações sobre o avanço da construção. O procedimento substitui provisoriamente as visitas presenciais e deverá permanecer em vigor enquanto durar a greve. Após a retomada das atividades, as inspeções de campo voltam a ser realizadas.
O sistema já havia sido utilizado durante a pandemia. Para Urbano, a medida pode reduzir parte do represamento acumulado nos primeiros dias de paralisação.
“Esse é o mesmo sistema que foi implantado durante a pandemia e funcionou muito bem”, observou Urbano. “Vai ter algum impacto pelos atrasos até aqui, mas acredito que a liberação da parcela dos financiamentos vai fluir de um modo relativamente rápido a partir de agora”.
Procurada até o fechamento da apuração, em 23 de setembro, a Caixa não informou quantas agências estavam fechadas em todo o país.
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