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GSI barra acesso a visitas de lobista ligada a Lulinha no Alvorada
Publicado 28/09/2026 • 09:15 | Atualizado há 55 minutos
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Publicado 28/09/2026 • 09:15 | Atualizado há 55 minutos
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Reprodução Instagram/ redes sociais
Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha; lobista é investigada pela PF em apurações que envolvem a relação com o filho do presidente.
O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) se recusou a informar os registros de entrada e saída da lobista Roberta Luchsinger no Palácio da Alvorada, residência oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre janeiro de 2023 e setembro de 2026.
Segundo o GSI, a divulgação dos dados poderia representar risco à segurança de instituições, autoridades nacionais ou estrangeiras e de seus familiares.
O órgão, porém, não informou qual classificação de sigilo foi aplicada nem por quanto tempo os registros permanecerão protegidos. A legislação prevê prazos de 5 anos para informações reservadas, 15 anos para secretas e 25 anos para ultrassecretas. A negativa foi dada em resposta a um pedido feito pela equipe da coluna de Malu Gaspar, de O Globo, por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
Roberta aparece em diferentes frentes de investigação da Polícia Federal, envolvendo suspeitas de tráfico de influência e de sua relação com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
Leia também: Mensagens mostram Roberta Luchsinger chamando Lulinha de “sócio”
Mensagens analisadas pela Polícia Federal mostram Roberta se referindo a Lulinha como “sócio” em diferentes conversas entre 2023 e 2024.
Os registros contrastam com o depoimento prestado pela lobista à PF em maio, quando ela descreveu a relação com o filho do presidente como uma amizade e negou ter feito repasses financeiros a ele.
Em outras mensagens, Roberta aparece tratando de pagamentos relacionados a uma pessoa identificada como “Fábio”. Em uma das conversas, ela orienta o motorista a entregar dinheiro; em outra, cita o pagamento de R$ 26.809 “pro Fábio na TTW”, agência de viagens utilizada por ela e por Lulinha.
A defesa do filho do presidente afirmou que não reconhece a autenticidade das conversas e negou que ele tenha recebido dinheiro de Roberta.
Outras mensagens atribuídas à lobista mostram referências a viagens em aeronaves da Força Aérea Brasileira e a acessos ao Palácio do Planalto. Em uma conversa de março de 2023, Roberta escreveu à mãe que havia ido de “aero Lula” para Brasília e, quando questionada sobre o significado, respondeu que se tratava do avião do presidente.
A PF também analisa mensagens que indicam atuação de Roberta em tratativas com integrantes do governo federal.
Em setembro de 2023, por exemplo, ela procurou Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde, afirmando ser amiga de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula, e que ele havia fornecido o contato.
Meses depois, novas conversas registraram articulações para uma reunião relacionada a um negócio de medicamentos à base de canabidiol.
A Polícia Federal investiga se Roberta buscou a participação de Lulinha para viabilizar negócios de interesse de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, junto ao Ministério da Saúde.
As tratativas envolviam o fornecimento de produtos derivados de canabidiol e de kits para testes de dengue. Nenhuma das contratações foi concretizada.
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Siga o Times | CNBCEm outra frente, mensagens mostram que Roberta enviou a Marcola um modelo de contrato para venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, com previsão de dispensa de licitação.
Segundo a investigação, ela havia recebido R$ 1,5 milhão do Careca do INSS para atuar na intermediação do negócio. O Ministério da Saúde afirmou que o canabidiol não está incorporado ao SUS e que a atual gestão nunca discutiu a compra ou oferta do produto.
Roberta também aparece em mensagens analisadas pela PF relacionadas a tratativas de interesse da Unigel junto ao governo e à Petrobras.
A investigação identificou conversas que indicam atuação de Roberta, Lulinha e Marcola em movimentações relacionadas à companhia. A lobista negociou com um diretor da Unigel uma consultoria que previa um pagamento inicial de R$ 100 mil e outros R$ 25 milhões caso fosse obtido financiamento de R$ 500 milhões junto ao BNDES.
A Petrobras assinou um contrato de tolling com a Unigel em dezembro de 2023, mas posteriormente informou que as condições previstas para a entrada em vigor do acordo não foram cumpridas. O contrato terminou sem produzir efeitos.
Mensagens obtidas pela PF também indicam que Leo Slezynger, herdeiro da Unigel, custeou uma hospedagem de R$ 32,7 mil em Paraty para Marcola no fim de 2023.
As conversas ocorreram no mesmo período em que Roberta articulava os interesses da companhia junto ao governo e à Petrobras. A defesa de Marcola afirmou que a hospedagem fazia parte de um empréstimo pessoal concedido por Roberta e posteriormente quitado, e negou atuação em favor de interesses privados.
A atuação de Roberta também aparece em apurações envolvendo outros negócios e órgãos públicos.
A empresa 3Structure, ligada a Cleber Ribas de Oliveira, fez pagamentos à RL Consultoria, de Roberta, e acumula cerca de R$ 81 milhões em contratos e aditivos com órgãos federais. Cinco dos seis contratos foram assinados a partir de 2023.
Em outra frente, Roberta recebeu ao menos R$ 5,9 milhões durante um período em que mantinha tratativas para a liberação de recursos federais para o Maranhão, inclusive para obras e ações na área da saúde.
A lobista também recebeu ao menos R$ 570 mil durante a fase final da concessão de garantia da União a um empréstimo de R$ 710 milhões contratado pela Prefeitura de Goiânia com o Banco do Brasil.
O Ministério da Fazenda afirmou que a operação seguiu critérios técnicos e que os contatos externos não interferiram na análise do pedido.
Na resposta ao pedido de informações sobre o Alvorada, o GSI afirmou que os registros de entrada e saída em residências oficiais do presidente devem ser protegidos quando revelarem aspectos da intimidade e da vida privada das autoridades e de seus familiares.
A ressalva, segundo o órgão, vale para situações em que os registros estejam relacionados a agendas oficiais ou a agentes privados que representem interesses junto à administração pública. O GSI não esclareceu se há registros de entrada de Roberta no Alvorada, nem qual grau de sigilo foi aplicado às informações.
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