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Ibovespa cai 0,93% com crise no STF e pressão externa; dólar sobe a R$ 5,11 com cautela global

Publicado 09/09/2026 • 18:01 | Atualizado há 50 minutos

KEY POINTS

  • Ibovespa caiu 0,93%, aos 185.629,04 pontos, após oscilar entre 184.810,27 e 187.362,44 pontos, com volume de R$ 19,5 bilhões.
  • Crise no STF continuou influenciando as expectativas para a eleição, mas correção da bolsa foi atribuída especialmente ao exterior ruim e à realização após a forte alta recente.
  • Dólar avançou 0,52%, a R$ 5,1123, com investidores retomando posições defensivas diante da piora externa e da cautela doméstica.

O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira (9), enquanto o dólar voltou a subir diante do real, em uma sessão marcada pelo agravamento da crise no Supremo Tribunal Federal (STF), pela piora do ambiente internacional e por uma correção dos ativos brasileiros após a forte valorização das últimas semanas.

O principal índice da bolsa brasileira recuou 0,93%, aos 185.629,04 pontos, depois de oscilar entre 184.810,27 e 187.362,44 pontos. O volume financeiro somou R$ 19,5 bilhões.

No câmbio, o dólar à vista avançou 0,52%, a R$ 5,1123, após variar entre R$ 5,0817 e R$ 5,1153. No mercado futuro, o contrato para outubro subia 0,43%, a R$ 5,1350, às 17h05.

Crise no STF mantém tensão política

A crise no STF ganhou um novo capítulo após o ministro Flávio Dino determinar a volta de Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal, derrubando uma liminar concedida por André Mendonça.

O episódio colocou o chamado “trade eleitoral” em segundo plano em parte da sessão e ampliou a cautela em torno do ambiente político e institucional.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Felipe Corleta, sócio da Brazil Wealth, afirmou que a crise tem influência sobre as expectativas para a eleição, hoje um dos principais fatores acompanhados pelo mercado. No entanto, ponderou que ela não foi a principal responsável pela queda da bolsa nesta quarta-feira.

“Essa crise do Supremo Tribunal Federal tem mexido com as expectativas para as eleições, que é o principal driver do mercado nesses últimos dias. Mas a gente vem de uma sequência muito forte de altas da Bolsa”, afirmou.

Para Corleta, o pregão refletiu também uma correção do movimento recente, que levou o Ibovespa da região dos 170 mil pontos para perto dos 190 mil em poucas sessões.

O analista destacou ainda que a instabilidade institucional tende a aumentar a cautela do investidor estrangeiro. Na avaliação dele, o Brasil continua atraente em alguns aspectos, como a força das commodities e a distância geográfica do conflito no Oriente Médio, mas o quadro político adiciona incerteza às decisões de alocação.

Fiscal também pesa no mercado

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No ambiente doméstico, outra fonte de cautela veio das sinalizações do governo para reduzir o preço da gasolina. Segundo Corleta, o anúncio levantou dúvidas entre investidores sobre possíveis impactos fiscais, especialmente diante da proximidade das eleições.

A preocupação ocorre depois de duas semanas nas quais os ativos brasileiros foram beneficiados por uma forte reprecificação das expectativas eleitorais, com queda dos juros futuros, valorização da bolsa e recuo do dólar.

Petróleo acima de US$ 100 pressiona exterior

O cenário internacional também voltou a pesar sobre o mercado brasileiro. O petróleo Brent superou os US$ 100 por barril diante da continuidade das tensões no Oriente Médio e da ausência de sinais concretos de uma trégua. A energia mais cara aumenta as preocupações com a inflação global e reforça a possibilidade de juros elevados por mais tempo.

Corleta destacou que o mercado já trabalha com a perspectiva de uma alta dos juros americanos na próxima semana.

A curva de juros dos Estados Unidos também pressionou os ativos. Segundo o analista, os rendimentos dos títulos de dez anos chegaram aos níveis mais altos desde 2023, após o Tesouro americano anunciar um volume de recompra de títulos inferior ao esperado por parte do mercado.

O ambiente levou as bolsas americanas ao campo negativo e reduziu o apetite por risco globalmente.

Dólar volta a subir

No câmbio, a combinação de maior cautela doméstica e piora externa levou investidores a retomarem posições defensivas, interrompendo parte do movimento recente de valorização do real. O dólar fechou a R$ 5,1123, com alta de 0,52%.

O movimento ocorreu mesmo com a moeda americana praticamente estável diante das principais divisas globais. No fim da tarde, o índice DXY subia apenas 0,02%, aos 98,811 pontos.

O euro avançava 0,03%, a US$ 1,1630, enquanto a libra ganhava 0,06%, a US$ 1,3544.

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