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Incerteza sobre privatização derruba ações da Copasa e amplia temor no mercado
Publicado 28/05/2026 • 12:10 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 28/05/2026 • 12:10 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
A insegurança jurídica continua sendo um dos principais obstáculos para o avanço de privatizações e projetos de infraestrutura no Brasil, afirmou o especialista e sócio da Valor Investimentos, Higor Rabelo, ao comentar a reação negativa do mercado à interrupção do processo de privatização da Copasa.
Segundo ele, episódios desse tipo acabam desgastando a confiança dos investidores em novas operações semelhantes. “O investidor vai ficando machucado a cada episódio que isso acontece”, destacou, em entrevista ao Pré-Market, jornal do Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC, nesta quinta-feira (28).
Rabelo lembrou que o setor de saneamento vive forte pressão para cumprir as metas estabelecidas pelo novo marco regulatório, que prevê cobertura de 99% de abastecimento de água e 90% de coleta e tratamento de esgoto.
Na avaliação do especialista, o mercado vinha apostando que a iniciativa privada poderia acelerar esse processo no caso da Copasa. “O mercado comprou muito bem a tese”, ressaltou, ao mencionar a forte valorização registrada pelas ações da companhia desde abril do ano passado.
Leia também: Privatização da Copasa esbarra em preço e falta de competição
Apesar da reação negativa do mercado, Rabelo ponderou que o movimento anunciado pelo governo mineiro não representa exatamente um cancelamento definitivo da privatização. “Não foi necessariamente um cancelamento. É um reinício”, explicou.
Segundo ele, o comunicado divulgado pelo governo não esclareceu quais foram os fatores que motivaram a pausa no processo, o que acabou ampliando a incerteza entre investidores.
O especialista afirmou que será necessário reiniciar etapas importantes da operação, incluindo a divulgação de um novo prospecto e de um novo cronograma para a privatização. “Um ano eleitoral sempre vai trazer mais pressão sobre esse cronograma e sobre essa capacidade de execução”, alertou.
Para Rabelo, parte relevante da expectativa positiva em torno da privatização já estava incorporada ao preço das ações, o que intensificou a reação negativa após a interrupção do processo. “Foi realmente um banho de água fria”, avaliou, ao comentar a frustração do mercado diante da expectativa pela definição de um sócio de referência para a companhia.
Leia também: Mercado segue sem respostas e incerteza sobre privatização da Copasa provoca reação negativa entre investidores
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Siga o Times | CNBCNa visão do especialista, o principal fator de preocupação agora passa a ser o impacto do calendário eleitoral sobre a viabilidade de retomada da operação.
Segundo ele, quanto mais tempo o governo demorar para apresentar esclarecimentos detalhados sobre os motivos da suspensão, maior tende a ser a pressão sobre os papéis da empresa. “O papel vai sofrer com certeza, porque é a incerteza reinando sobre quem comprou a tese previamente”, frisou.
Rabelo destacou que investidores agora tentam recalcular as chances de o novo cronograma conseguir avançar dentro do atual cenário político.
Leia também: Ações da Copasa derretem depois de Minas Gerais puxar o freio da privatização
O especialista também apontou dúvidas sobre o volume de investimentos necessários para universalizar os serviços de saneamento em Minas Gerais como um possível ponto de divergência entre governo e potenciais compradores.
Segundo ele, antes da interrupção do processo, a própria Copasa trabalhava com um plano de investimentos estimado em R$ 21 bilhões. “Isso dá uma dimensão do volume de capital que seria necessário para tocar essa operação”, observou.
Rabelo afirmou que o mercado especula que as ofertas apresentadas pelos interessados podem ter ficado abaixo do valor esperado pelo governo mineiro, especialmente diante da necessidade de aportes elevados após a privatização. “O que a gente imagina que aconteceu é justamente esse descasamento temporário entre o que faz sentido para os dois lados”, pontuou.
Para ele, embora esse tipo de divergência seja comum em operações bilionárias, o cenário eleitoral adiciona uma camada extra de complexidade ao processo. “Esse calendário eleitoral pode realmente trazer um pouco mais de complicações para a tese”, concluiu.
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