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Privatização da Copasa esbarra em preço e falta de competição
Publicado 28/05/2026 • 06:00 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 28/05/2026 • 06:00 | Atualizado há 2 semanas
KEY POINTS
O preço pode ter sido o principal fator por trás da decisão do governo de Minas Gerais de rever as condições da privatização da Copasa. É o que avalia Cláudio Frischtak, economista e sócio gestor da Inter.B Consultoria.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Frischtak disse que, embora o governo não tenha detalhado os motivos da mudança, a hipótese mais provável é que as propostas recebidas não tenham alcançado o valor mínimo esperado pelo Estado.
“Aparentemente, o problema é preço. Houve, na realidade, nesse processo, dois licitantes, duas empresas ou grupos que se dispuseram a colocar envelopes fechados com ofertas, e aparentemente essas ofertas não chegaram ao chamado preço mínimo aceitável para o Estado”, afirmou.
Segundo o economista, a revisão é negativa para a companhia, para o governo mineiro e para o mercado. Ele afirmou que investidores e analistas foram surpreendidos pela decisão e que o Estado deve apresentar uma explicação mais clara sobre o que levou à mudança.
“Isso obviamente é muito ruim. Não é uma boa notícia para a empresa, não é uma boa notícia para o Estado e também não é uma boa notícia para o mercado”, disse.
Leia também: Ações da Copasa derretem depois de Minas Gerais puxar o freio da privatização
Frischtak afirmou que a pior hipótese teria sido avançar para um leilão sem interessados. Nesse sentido, a revisão das condições evitou um desfecho ainda mais negativo e pode permitir que o governo repense a modelagem da operação.
Para ele, o governo mineiro pode ter conduzido o processo com pressa, em meio ao calendário eleitoral e ao compromisso político de privatizar a companhia.
“Talvez tenha havido um pouco de pressa excessiva. Talvez o governo deveria ter tomado um pouquinho mais de tempo, feito um roadshow internacional, tentado atrair mais gente para esse processo”, afirmou.
O economista avaliou que a resistência política à privatização foi superada após aprovação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Também disse não ver a regulação estadual como o principal entrave, já que Minas teria capacidade técnica para regular uma empresa privada do porte da Copasa.
Na avaliação de Frischtak, o desafio está mais ligado ao tamanho financeiro da operação e ao número reduzido de investidores capazes de apresentar propostas competitivas.
“O ticket mínimo são alguns bilhões de reais. São poucos atores que têm esse tipo de recurso em mãos”, afirmou.
Segundo ele, grandes empresas do setor não entraram diretamente no processo, em parte por já terem níveis elevados de endividamento e compromissos de investimento relevantes. A participação ocorreu por meio de acionistas dessas companhias, o que, para Frischtak, mostra a dificuldade de mobilizar capital doméstico suficiente.
O economista defendeu que o governo de Minas busque investidores internacionais para ampliar a competição em uma nova tentativa.
“Nós praticamente não temos empresas internacionais nesse setor. Talvez devesse haver um esforço maior de atrair esses players”, afirmou.
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Seguir no GoogleFrischtak disse que o processo não volta necessariamente à estaca zero, mas deve passar por uma reavaliação de modelagem para elevar a probabilidade de sucesso.
Leia também: Copasa: recuo da oferta no dia do anúncio com as propostas já na mesa é ‘mais sério do que ajuste de cronograma’
Sobre a participação do Estado após uma eventual privatização, o economista afirmou que o ponto central é a manutenção de uma golden share, que daria ao governo poder de influência sobre decisões consideradas estratégicas para Minas Gerais.
“O mais importante é o golden share. O governo de Minas Gerais deve se reservar o direito de influir em decisões que efetivamente são críticas para o futuro do Estado”, afirmou.
Para Frischtak, o ganho da privatização está em dar mais agilidade e flexibilidade à operação da companhia, reduzindo amarras típicas do setor público.
“Esse é o grande ganho da privatização: agilidade, flexibilidade”, disse.
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