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Ações da Copasa derretem depois de Minas Gerais puxar o freio da privatização
Publicado 27/05/2026 • 15:09 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 27/05/2026 • 15:09 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Foto: Copasa
As ações da Companhia de Saneamento de Minas Gerais, a Copasa, despencaram nesta quarta-feira (27) após o governo de Minas Gerais anunciar mudanças nas condições da oferta secundária de ações da companhia, movimento que levantou dúvidas sobre o cronograma e o formato de privatização da estatal.
No pior momento do pregão, os papéis chegaram a cair cerca de 7%, negociados abaixo dos R$ 50. O movimento veio após a companhia informar que determinadas condições da operação protocolada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 20 de maio precisarão ser revisadas em razão de “fatores supervenientes” — ou seja, fatos novos surgidos após a estruturação inicial da oferta.
O governo mineiro, atual acionista controlador, possui hoje 50,03% da Copasa. A proposta em discussão previa a venda de 30% da participação para sócios de referência e outros 15% ao mercado, mantendo o estado com cerca de 5%, incluindo a chamada golden share, ação que permite tomar decisões estratégicas. A operação poderia render aproximadamente R$ 9 bilhões aos cofres do governo e reduzir a dívida de Minas Gerais, uma das mais preocupantes do país.
O mercado, no entanto, vinha precificando uma elevada probabilidade de avanço da privatização. Desde abril de 2025, quando o projeto ganhou força, as ações chegaram a quase triplicar até atingirem as máximas históricas neste mês.
Segundo Gustavo Trotta, sócio da Valor Investimentos, qualquer sinal de atraso ou dificuldade na execução da operação tende a pressionar os papéis no curto prazo.
“A gente olha o preço e ela (ação da Copasa) chegou a quase triplicar desde a tese de privatização, em abril de 2025, até o all time high, dentro deste mês ainda. Então, basicamente, qualquer ruído de execução como o que aconteceu hoje pressiona o papel de curto prazo porque mexe com essa probabilidade de o negócio sair ou não”, afirmou.
Na avaliação do mercado, o potencial de valorização da companhia depende diretamente do sucesso da desestatização. Estimativas apontam que uma Copasa privatizada poderia valer perto de R$ 80 por ação. Sem a operação, o valor justo cairia para algo próximo de R$ 30.
Na segunda-feira (25), as ações já haviam recuado cerca de 2%, mesmo após avanços relacionados à realização do leilão prevista inicialmente para quarta-feira (27), em um sinal de que parte do mercado já considerava a privatização incorporada aos preços.
“O que vai movimentando o mercado, obviamente, é o quanto que isso (a privatização) vai ter celeridade ou não. Então, o mercado sempre precifica. Quanto mais demora, pior. Em ano eleitoral, cada semana de atraso acaba contando. Então, quando todo mundo estava esperando um desfecho, alguém foi lá e puxou o freio de mão”, disse Trotta.
A Copasa informou que as mudanças ainda precisarão ser analisadas pelo Comitê de Coordenação e Governança de Estatais de Minas Gerais. Depois dessa etapa, o prospecto da operação deverá ser republicado, acompanhado de um novo cronograma para a oferta.
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Seguir no GoogleEntre os pontos que podem ser alterados estão o preço da oferta, a quantidade de ações vendidas, a estrutura da operação, os prazos e até o nível de participação do governo após a venda. Questões regulatórias e jurídicas também estão no radar, embora os detalhes ainda não tenham sido esclarecidos pela companhia nem pelo governo estadual.
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Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.
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