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Setor de serviços melhor que o esperado é sinal de PIB forte no 1º trimestre, dizem economistas
Publicado 14/03/2026 • 07:47 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 14/03/2026 • 07:47 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
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O setor de serviços abriu 2026 acima do esperado. Em janeiro, o volume cresceu 0,3% ante dezembro, na série com ajuste sazonal, superando a mediana de 0,1% prevista pelo Projeções Broadcast. Na comparação com janeiro de 2025, a alta foi de 3,3%, também acima da mediana de 2,7%. Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada nesta sexta-feira (13) pelo IBGE.
O resultado provocou leituras distintas entre os economistas consultados. Há quem enxergue apenas recomposição técnica após a queda de dezembro. E há quem veja dinamismo com fôlego para durar.
Para André Valério, economista sênior do Inter, o dado de janeiro “foi concentrado em setores menos cíclicos da economia, como ‘outros serviços’ e ‘serviços de informação e comunicação'”. A alta de informação e comunicação foi de 1,0%, sustentada por tecnologia da informação, que avançou 3,4%.
Valério ressalta que o segmento “tem sido o principal responsável pela robustez do setor de serviços, representando 44% do crescimento observado no acumulado dos últimos 12 meses”.
Do lado mais sensível à demanda, ele chama atenção para a queda dos serviços prestados às famílias, de 1,2%, e para serviços profissionais sem variação. A ressalva, porém, é que janeiro costuma ser um mês historicamente fraco para esse grupo.
Leonardo Costa, economista do ASA, também vê surpresa na margem, mas sem mudança de leitura. Para ele, “o dado não altera o diagnóstico de desaceleração bastante gradual da economia, em um ambiente de juros elevados”.
Costa destaca que “outros serviços” avançou 3,7% em janeiro, revertendo boa parte do tombo de 4,2% registrado em dezembro, e que informação e comunicação acumulou alta de 3,6% nos dois últimos meses. O movimento, segundo ele, “confirma uma projeção do PIB do primeiro trimestre de 2026 mais forte, em grande parte por fatores sazonais”, sem alterar a visão de desaceleração ao longo do ano.
O Bradesco segue a mesma linha de cautela. O banco avalia que a PMS de janeiro “não muda a projeção de crescimento em torno de 1% para o PIB do primeiro trimestre” e que o resultado “representa uma devolução da queda de 0,4% observada em dezembro”, padrão que também apareceu na indústria e no varejo do mesmo mês.
Rafael Perez, economista da Suno Research, adota tom mais otimista. Para ele, os serviços devem manter “forte dinamismo em 2026”, com liderança de informação e comunicação, serviços profissionais e administrativos e transportes.
Perez argumenta que a digitalização amplia a demanda por serviços empresariais e que o segmento de transportes pode se beneficiar do agronegócio e do aumento de renda. Ele acrescenta que a isenção do Imposto de Renda para pessoas físicas pode favorecer os serviços às famílias e projeta alta de 0,9% do PIB no primeiro trimestre, com expansão de 1,8% no acumulado do ano.
Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, informa que o levantamento da casa aponta PIB de 1% no primeiro trimestre e calcula que os serviços avançaram 0,4% no trimestre móvel encerrado em janeiro.
Para Margato, “o setor de serviços permanecerá em trajetória de expansão em 2026, em meio à inflação corrente mais baixa, ao aumento da renda disponível e a um amplo conjunto de medidas de estímulo”. Ele avalia que “a renda real disponível às famílias deverá aumentar significativamente neste ano” e que esses fatores “devem mais do que compensar o impacto de taxas de juros ainda restritivas”.
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