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Indústria da construção civil comemora correção do FGTS pelo IPCA em evento com elite do Planalto

Publicado 20/05/2026 • 15:29 | Atualizado há 11 minutos

Dois trabalhadores com capacetes e coletes de segurança observam e apontam para estrutura de obra com armações de ferro e andaimes ao fundo.

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A Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC) destacou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de garantir como mínimo a inflação oficial do país, o IPCA, para a correção dos saldos do FGTS, o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.

Durante a abertura do Enic 2026, o Encontro Internacional da Indústria da Construção Civil, nesta terça-feira (19) em São Paulo, o presidente da CBIC, Renato Correia, citou o entendimento do STF como “um dos grandes desafios” vencidos com o apoio da AGU, a Advocacia-Geral da União. O FGTS é a principal fonte de recursos para o financiamento da construção civil já que os recursos dos trabalhadores podem ser usados no crédito habitacional, principalmente para o programa Minha Casa, Minha Vida.

O Supremo decidiu pela aplicação do IPCA há quase dois anos, permitindo ao conselho curador do FGTS adotar o índice quando a fórmula tradicional render abaixo da inflação oficial. A fórmula atual prevê remuneração de 3% mais TR, que é a Taxa Referencial.

“A relação da câmara com o governo é uma relação ativa e de encontrar solução”, resumiu Correia. “Empregamos mais de três milhões de pessoas. Temos o maior salário de entrada entre todos os setores da economia. Colocamos R$ 800 bilhões todos os anos na economia do Brasil. E 20% disso é recurso público, e 80% é privado”, destacou o presidente da CBIC.

De acordo com o ministro das Cidades, Vladmir Lima, a meta do governo federal é chegar a dezembro deste ano com um total de 3 milhões de moradias contratadas para o programa. “O Minha Casa, Minha Vida é responsável por mais da metade dos lançamentos e das vendas na construção civil”, pontuou Lima.

O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, ressaltou que o crédito imobiliário hoje representa 10% do PIB brasileiro. “O propósito da Caixa hoje é transformar a vida das pessoas e não há melhor forma do que em parceria com o setor da construção”, avaliou Vieira diante de um auditório repleto de empresários e representantes da indústria da construção civil.

“O Enic é um ambiente onde a gente pode conectar as mais altas autoridades do país aos tomadores de decisão da indústria da construção civil”, reforçou o presidente da CBIC. “Vamos encontrar aqui trilhas de tecnologia e inovação, sustentabilidade, negócios, pessoas e a trilha internacional”, anunciou Correia sobre o evento, que tem a expectativa de reunir 5 mil pessoas nos três dias de feira na zona norte de São Paulo.

Ainda sobre os desafios do setor, Correia lembrou a escassez de mão-de-obra para fazer frente ao déficit habitacional. “Pela primeira vez, vemos esses números baixarem”, comemorou o líder da CBIC. Dados do Ministério das Cidades de 31/3 mostraram um recuo de 3,4% em 2024 no déficit na comparação com o ano de 2023. O nível chegou aos 5.773.983, o que representa 7,4% do total de domicílios particulares ocupados no país.

“Nós temos o desafio, obviamente, da redução de jornada. Um tema que nos preocupa não o que fazer. O que fazer, o senhor [presidente Lula] já definiu que vamos reduzir, mas é como fazer. Eu tenho certeza que o senhor e sua equipe vão trabalhar para que esse impacto não seja relevante, ou seja, que a gente vai ter o tempo adequado para fazer essa transição”, cobrou Correia. “Nós temos o desafio da taxa de juros, o endividamento das famílias, das empresas, custo da burocracia e seus processos”, acrescentou.

O fim da escala 6×1 foi um dos temas abordados pelo presidente ao falar no fim da abertura. A pauta foi abraçada pelo governo federal e enfrenta resistência da oposição no Congresso e de parte do empresariado.

“Eu queria terminar dizendo para vocês o seguinte: não não se escondam de fazer qualquer proposta para nós. A construção civil é imprescindível para o futuro desse país em qualquer momento histórico. Ela é que gera emprego com mais facilidade. Ela é que pode fazer as coisas acontecerem, inclusive a escala 6×1. Não fique assustado. A escala 6×1 é uma coisa que é necessária porque hoje o povo quer mais tempo para ficar em casa; quer mais tempo para lazer; quer mais tempo para estudar; quer mais tempo para namorar”, discursou Lula.

“Ninguém vai impor na marra. A gente precisa respeitar a realidade de cada categoria, de cada profissão, de cada setor econômico, pra gente fazer a coisa que resulte no benefício que nós queremos. Trazer mais benefício para a sociedade brasileira”, assegurou.

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