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Brasil deve fechar 2026 como 10ª economia mundial, longe da 5ª posição prevista há 15 anos
Publicado 12/07/2026 • 08:32 | Atualizado há 2 horas
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Um relatório publicado há exatos 15 anos previa que o Brasil poderia se tornar a quinta maior economia do mundo já em 2016. A projeção não se confirmou e o país deve terminar 2026 na décima posição do ranking global, apesar do avanço do agronegócio, da produção de petróleo e das exportações de commodities.
O documento foi elaborado por uma força-tarefa independente patrocinada pelo Council on Foreign Relations (CFR), centro de estudos de política externa dos Estados Unidos.
Publicado em julho de 2011, o estudo classificava o Brasil como uma das potências capazes de moldar o século 21. Naquele momento, o país era a oitava maior economia mundial e vinha de uma expansão de 7,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010.
A força-tarefa estimava que o Brasil poderia alcançar a quinta posição em 2016, apoiado pelo crescimento do mercado consumidor, pela expansão da classe média, pelo agronegócio, pela mineração e pelas descobertas de petróleo no pré-sal.
Segundo as projeções de abril do Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB nominal brasileiro deve alcançar US$ 2,64 trilhões em 2026. O valor coloca o país em torno da décima posição entre as maiores economias do mundo. A comparação considera o PIB convertido em dólares e, portanto, também é afetada pelas oscilações cambiais.
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A previsão começou a se distanciar da realidade nos anos seguintes à publicação do relatório.
Depois de crescer quase 4% em 2011, a economia brasileira perdeu força e entrou em uma recessão profunda. O PIB caiu 3,5% em 2015 e outros 3,3% em 2016, justamente o ano em que o país deveria alcançar a quinta posição mundial. O investimento também recuou e chegou a 15,5% do PIB em 2016, menor nível da série histórica iniciada em 1995.
O próprio relatório já apontava riscos capazes de limitar a expansão brasileira. Entre eles estavam a infraestrutura insuficiente, a baixa qualidade da educação básica, a escassez de trabalhadores qualificados, o baixo investimento em inovação e a complexidade dos sistemas tributário e regulatório.
O CFR também alertava para a dependência da demanda asiática e para a exposição do país às oscilações dos preços internacionais das commodities.
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Siga o Times | CNBCEm 2011, a força-tarefa afirmava que as reservas descobertas no pré-sal poderiam colocar o Brasil entre os dez maiores produtores de energia do mundo. O documento, no entanto, já advertia que o país precisaria administrar a distribuição dessa riqueza, um processo considerado sujeito à politização.
Em abril de 2026, o Brasil produziu o recorde de 4,34 milhões de barris de petróleo por dia, alta de 19,5% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A produção conjunta de petróleo e gás no pré-sal chegou a 4,61 milhões de barris de óleo equivalente por dia e representou 81,8% do total nacional.
O crescimento da produção, porém, não foi suficiente para levar o Brasil ao tamanho econômico previsto em 2011. O desempenho mostra que a exploração de recursos naturais pode ampliar exportações, investimentos e receitas públicas, mas não elimina a necessidade de ganhos de produtividade, educação e infraestrutura.
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A experiência venezuelana mostra que grandes reservas não garantem produção crescente nem desenvolvimento econômico.
Em 2023, a Venezuela possuía aproximadamente 303 bilhões de barris em reservas provadas, cerca de 17% do total mundial. Apesar disso, o país respondeu por apenas 0,8% da produção global de petróleo naquele ano.
A Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos atribui a deterioração do setor venezuelano a uma combinação de má gestão governamental, sanções internacionais, crise econômica, falta de investimentos e manutenção e degradação da infraestrutura.
A produção venezuelana de petróleo caiu de aproximadamente 3,2 milhões de barris diários em 2000 para 735 mil barris por dia em setembro de 2023. A queda já estava em curso antes das sanções mais amplas impostas à estatal PDVSA em 2019, embora as restrições tenham agravado as dificuldades de financiamento e operação.
O relatório de 2011 já registrava dúvidas sobre a adesão da Venezuela às regras democráticas do Mercosul. Mesmo assim, o governo brasileiro apoiou a entrada do país no bloco, sob a avaliação de que a integração econômica poderia facilitar o diálogo e reduzir tensões regionais.
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