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Inflação dá trégua para famílias mais pobres em 2025, mas luz, gás e saúde ainda pesam

Publicado 23/01/2026 • 16:28 | Atualizado há 5 meses

KEY POINTS

  • A inflação para famílias de renda muito baixa desacelerou de 4,91% em 2024 para 3,81% em 2025, impulsionada pela queda nos preços de alimentos como arroz e feijão, segundo o Ipea.
  • Para o grupo de renda alta, o movimento foi inverso: a inflação acelerou de 4,43% para 4,72% no mesmo período, refletindo maior pressão de gastos como transporte, educação e despesas pessoais.
  • Apesar do alívio no preço dos alimentos e da desaceleração de itens como gasolina e eletroeletrônicos, aumentos em energia elétrica, gás de botijão e saúde seguiram pressionando o orçamento das famílias.

Valter Campanato/Agência Brasil

A queda nos preços de alimentos essenciais, como arroz e feijão, trouxe alívio para a inflação percebida pelas famílias de baixa renda ao longo de 2025. Esse movimento, no entanto, foi parcialmente compensado por aumentos em gastos obrigatórios, como conta de luz, gás de cozinha e despesas com saúde e cuidados pessoais, apontou o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda mostra que a inflação arrefeceu de um aumento de 4,91% em 2024 para uma alta de 3,81% em 2025 para o segmento familiar de renda muito baixa.

Para o grupo de renda alta, a inflação acelerou de uma elevação de 4,43% em 2024 para aumento de 4,72% em 2025.

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e usado pelo Ipea para fazer o cálculo da inflação por faixa de renda, arrefeceu de uma elevação de 4,83% em 2024 para alta de 4 26% em 2025.

“O resultado consolidado de 2025 indica que, à exceção da faixa de renda alta, todas as demais classes apresentaram queda da inflação em relação a 2024”, apontou Maria Andreia Parente Lameiras, técnica de Planejamento e Pesquisa do Ipea, no relatório do indicador.

O indicador do Ipea separa por seis faixas de renda familiar as variações de preços medidas pelo IPCA. Os grupos vão desde uma renda familiar menor que R$ 2.202,02 por mês, no caso da faixa com renda muito baixa, até uma renda mensal familiar acima de R$ 22.020,22, no caso da renda mais alta.

Em 2025, quanto mais baixa a faixa de renda, mais branda a inflação acumulada no ano. O movimento é oposto ao registrado em 2024, quando as famílias mais vulneráveis foram mais pressionadas pelos aumentos de preços do que as mais ricas.

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“Essa descompressão inflacionária ao longo de 2025 decorreu, principalmente, da melhora no comportamento dos preços dos alimentos no domicílio, cuja variação acumulada no ano recuou de 8,2% em 2024 para 1,4% em 2025”, justificou Lameiras.

A técnica lembra que houve contribuição também para o alívio, embora em menor magnitude, da desaceleração dos preços dos produtos eletroeletrônicos, de -0,8% em 2024 para -5,1% em 2025, e da gasolina, de 9,7% para 1,9%.

Já os principais vetores inflacionários no ano passado, especialmente para as faixas de renda baixa e média, foram os grupos habitação e saúde e cuidados pessoais.

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“No grupo habitação, os impactos estiveram associados, sobretudo aos reajustes do gás de botijão (2,5%) e da energia elétrica (12,3%). Já no grupo saúde e cuidados pessoais, destacaram-se os aumentos de preços dos produtos farmacêuticos (5,4%), itens de higiene (4,2%), serviços de saúde (7,7%) e planos de saúde (6 4%). Para as famílias de renda mais elevada, os grupos transportes, despesas pessoais e educação também exerceram influência relevante, refletindo os reajustes no transporte por aplicativo (56,1%), combustíveis (2,3%), serviços de recreação (6,7%) e mensalidades escolares (6,5%)”, enumerou a técnica do Ipea.

Na passagem de novembro para dezembro de 2025, a inflação acelerou de um aumento de 0,01% para uma alta de 0,14% para o segmento familiar de renda muito baixa.

Para o grupo de renda alta, a inflação saiu de uma elevação de 0 45% em novembro para aumento de 0,51% em dezembro. O IPCA do período passou de avanço de 0,18% em novembro para elevação de 0 33% em dezembro.

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