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De café com proteína a refrigerante com CBD: como marcas lucram com a explosão das bebidas funcionais

Publicado 28/06/2026 • 12:30 | Atualizado há 55 minutos

KEY POINTS

  • Gigantes como Starbucks e Coca-Cola ampliam portfólio de bebidas funcionais com café proteico e refrigerantes prebióticos.
  • Mercado global de bebidas funcionais movimenta US$ 160 bilhões e atrai consumidores jovens preocupados com saúde e bem-estar.
  • Redes sociais transformaram as bebidas funcionais em um "símbolo de status", segundo executiva da startup Trip.

Divulgação / Starbucks

Latte gelado de matcha com baunilha e proteína da Starbucks

Marcas de bebidas estão aproveitando a crescente demanda por bebidas funcionais entre consumidores mais jovens e preocupados com a saúde ao lançar produtos cada vez mais inovadores, incluindo cafés enriquecidos com proteína e refrigerantes com infusão de CBD.

O mercado global de bebidas funcionais, avaliado em US$ 160 bilhões (R$ 828,8 bilhões), tornou-se uma categoria cada vez mais lucrativa, reunindo bebidas multifuncionais que prometem combinar sabor e prazer com benefícios para a saúde, à medida que consumidores buscam formas práticas de atingir suas metas de bem-estar.

“As bebidas funcionais são bebidas que vão proporcionar um resultado”, disse Sally Lyons Wyatt, vice-presidente executiva global e principal consultora para bens de consumo e serviços de alimentação da empresa de pesquisa de mercado Circana, à CNBC.

“A conveniência certamente é um fator, mas também existe essa busca por viver mais e com mais saúde… você quer beber algo que esteja apenas ali ou quer que essa bebida trabalhe mais por você?”

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Cerca de 75% dos millennials e 80% da geração Z consomem bebidas funcionais, que vão desde energéticos até bebidas probióticas e enriquecidas com vitaminas, segundo a pesquisa mais recente da EY com mais de 2.500 adultos nos Estados Unidos e no Brasil.

O levantamento também mostrou que mais da metade dos entrevistados está disposta a pagar mais por bebidas que contribuam para seus objetivos de saúde e bem-estar.

Além disso, o relatório Beverage Evolution 2026, da Circana, apontou que quase 64% dos consumidores substituem ocasionalmente um lanche por uma bebida. Entre pessoas de 25 a 34 anos, esse percentual sobe para 70%, indicando um aumento na procura por bebidas como substitutas de refeições.

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A Starbucks lançou, ao longo do último ano, cafés com proteína vendidos em lojas nos Estados Unidos, Canadá e Europa, aproveitando o crescimento da procura por bebidas voltadas ao bem-estar. A iniciativa amplia a linha de cafés proteicos prontos para consumo lançada em supermercados em 2024.

“As bebidas funcionais estão muito presentes em diversas categorias de alimentos e bebidas atualmente, e a proteína provavelmente lidera esse movimento”, afirmou à CNBC Sam Henderson, gerente de desenvolvimento de bebidas da Starbucks para a região EMEA.

“Estamos vendendo quase a mesma quantidade de espuma fria com proteína que de flat whites. E, como você pode imaginar, flat white é uma bebida extremamente popular, enquanto a proteína está apresentando desempenho semelhante neste momento”, disse.

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A indústria também busca ampliar sua participação nesse mercado. Recentemente, a francesa Danone adquiriu a fabricante de bebidas proteicas Huel, apoiada pelo empreendedor Steven Bartlett, em uma operação avaliada em cerca de US$ 1,15 bilhão (R$ 5,96 bilhões). A Huel oferece shakes proteicos nutricionalmente completos para substituição de refeições.

Enquanto isso, gigantes dos refrigerantes como PepsiCo e Coca-Cola também aderiram à tendência. A Coca-Cola lançou no início do ano passado, nos Estados Unidos, a marca de refrigerantes prebióticos Simply Pop, enquanto a Pepsi adquiriu a startup de refrigerantes prebióticos Poppi em um negócio de US$ 2 bilhões (R$ 10,36 bilhões).

“Acho que nossos consumidores – e todos os consumidores – estão procurando produtos que ofereçam benefícios funcionais mais do que nunca. As pessoas estão mais informadas do que nunca sobre nutrição e sobre aquilo que colocam em seus corpos”, afirmou Henderson.

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Oferta premium

À medida que cafeterias, fabricantes de refrigerantes e startups disputam espaço no mercado de bebidas funcionais, muitas cobram preços superiores aos dos produtos tradicionais.

Os cafés proteicos vendidos nas lojas da Starbucks custam entre US$ 5,75 (R$ 29,79) e US$ 6,75 (R$ 34,97). Já o leite enriquecido com proteína e a espuma fria proteica podem ser adicionados a qualquer bebida por valores extras de US$ 1 (R$ 5,18) e US$ 2 (R$ 10,36), respectivamente.

“São, sem dúvida, uma oferta premium”, afirmou Henderson.

A Trip, startup britânica de bebidas para bem-estar fundada em 2019, comercializa bebidas com adaptógenos e extratos botânicos contendo ingredientes como CBD e magnésio.

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Uma única bebida da Trip pode custar mais de £ 2,00 (US$ 2,60 – R$ 13,47) e é vendida em supermercados do Reino Unido e em diversas redes varejistas dos Estados Unidos.

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“A Trip é um produto premium; ela não é comercializada ao lado dos refrigerantes tradicionais”, afirmou à CNBC a cofundadora Olivia Ferdi. “Nós não produzimos refrigerantes convencionais; desenvolvemos soluções diárias de bem-estar, e os consumidores reconhecem isso.”

Ferdi explicou que, há seis anos, as bebidas funcionais eram um conceito emergente, mas hoje se tornaram uma “necessidade fundamental” para muitos consumidores, que aceitam pagar mais por esses produtos.

Ela acrescentou que ingredientes como magnésio, cogumelo lion’s mane e ashwagandha – uma erva medicinal associada à redução do estresse – exigem padrões diferentes de produção em relação aos refrigerantes convencionais.

“Nossos consumidores não estão pagando apenas por refrescância; eles estão investindo em um benefício funcional que contribui para a clareza mental e para o equilíbrio diário.”

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Isso realmente funciona?

Especialistas e nutricionistas disseram anteriormente à CNBC que ainda existe ceticismo sobre a eficácia de suplementos e vitaminas como magnésio e colágeno. Eles alertam que suplementos alimentares não são rigorosamente regulados pela Food and Drug Administration (FDA) nos Estados Unidos e recomendam que os nutrientes essenciais sejam obtidos, preferencialmente, por meio da alimentação.

Em 2025, a Advertising Standards Authority (ASA), do Reino Unido, proibiu um anúncio da TRIP para a bebida Cucumber Mint, Mindful Blend Drink, ao considerar que a publicidade fazia alegações enganosas sobre benefícios à saúde, incluindo afirmações de que o produto poderia reduzir estresse e ansiedade sem autorização regulatória.

A TRIP recusou comentar a decisão da ASA, mas Ferdi afirmou à CNBC que os produtos da empresa são desenvolvidos por uma equipe formada por especialistas em nutrição, ciência dos alimentos e inovação culinária.

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“Também trabalhamos em estreita colaboração com especialistas em formulação, regulamentação e parceiros industriais durante todo o processo de desenvolvimento para garantir que nossos produtos atendam aos padrões exigidos em cada mercado onde atuamos”, acrescentou.

Um novo “símbolo de status”

Tanto a Starbucks quanto a Trip afirmam que consumidores da geração Z e dos millennials lideram a demanda por bebidas funcionais, enquanto as redes sociais ampliam a exposição desses produtos.

A Trip, que se tornou a marca de bebidas número um da TikTok Shop Reino Unido em janeiro de 2025, adotou uma estratégia voltada prioritariamente para as redes sociais para alcançar esse público.

“As redes sociais foram um enorme catalisador desse movimento, transformando as bebidas funcionais em um símbolo de status”, afirmou Ferdi. “Em plataformas como TikTok e Instagram, escolher uma bebida que contribua para o bem-estar mental tornou-se uma declaração de estilo de vida.”

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Segundo dados de 2025 compartilhados com a CNBC pela empresa de análise Datassentials, 72% da geração Z acompanha nas redes sociais tendências relacionadas à alimentação, bebidas e bem-estar.

“Eles [os consumidores jovens] serão responsáveis pelo crescimento desse mercado nos próximos cinco anos, porque estão entrando em uma fase de maior renda, o que amplia seu poder de compra”, explicou Sally Lyons Wyatt.

“Se vão gastar dinheiro com um produto, querem obter o maior benefício possível. É por isso que cafés com proteína e outras funcionalidades provavelmente continuarão superando as opções tradicionais”, concluiu.

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