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Estudo prevê retração do mercado automotivo dos EUA até 2040

Publicado 28/06/2026 • 17:17 | Atualizado há 57 minutos

KEY POINTS

  • Consultoria estima que vendas anuais de veículos nos Estados Unidos podem cair mais de 2 milhões de unidades até 2040.
  • Envelhecimento da população, queda da natalidade, preços elevados e mudanças no consumo pressionam o setor.
  • Analistas afirmam que montadoras disputarão um mercado menor e mais competitivo nas próximas décadas.

Há dez anos, os Estados Unidos registraram um recorde de 17,6 milhões de carros, picapes e SUVs vendidos em um único ano. Agora, algumas projeções indicam que o mercado pode nunca mais voltar a atingir esse volume.

Analistas da consultoria Bain & Company afirmam que diversos fatores apontam para uma retração ainda maior do setor. Segundo o estudo, a queda da taxa de natalidade, mudanças no comportamento dos consumidores, preços elevados dos veículos e o aumento das alternativas de mobilidade podem reduzir as vendas em mais de 2 milhões de unidades até 2040.

Mercado menor

Segundo Mark Gottfredson, sócio da Bain & Company, esses fatores apontam para um cenário em que as montadoras disputarão um número cada vez menor de consumidores.

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Historicamente, a indústria automobilística cresceu cerca de 1% ao ano, acompanhando o aumento da população. No entanto, estatísticas oficiais mostram que o crescimento populacional desacelerou em diversas partes do mundo e que alguns países já registram redução da população.

“É a tempestade perfeita, não é? Tudo começa com a queda da população. Você deixa de ser uma indústria em crescimento para se tornar uma indústria em declínio. E isso acontece justamente em um momento em que a tecnologia está transformando tudo”, afirmou Gottfredson.

A taxa de fecundidade dos Estados Unidos foi de aproximadamente 1,6 filho por mulher em 2025. Embora seja superior à registrada em alguns países da Europa e da Ásia, ela permanece abaixo da taxa de reposição populacional de 2,1 filhos, segundo os Centers for Disease Control (CDC).

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A Bain afirma que esse cenário foi parcialmente compensado por uma imigração relativamente elevada – cerca de 1 milhão de pessoas por ano, de acordo com a média histórica utilizada pela consultoria. No entanto, a empresa espera que políticas migratórias mais restritivas permaneçam em vigor pelos próximos 15 anos, reduzindo pela metade o fluxo migratório líquido observado nas últimas duas décadas e aproximando-o novamente dos níveis registrados em 2019.

Mudança de comportamento

Além da questão demográfica, a consultoria aponta mudanças no comportamento dos consumidores, impulsionadas pelos preços elevados dos veículos e por alternativas de transporte mais acessíveis.

Segundo Gottfredson, atualmente cerca de 50% dos jovens de 16 anos possuem carteira de motorista, ante quase 70% entre 1966 e 1984. Ainda assim, pesquisas da Bain indicam que a maioria obtém a habilitação até os 25 anos.

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Dados da S&P Global Mobility mostram que a participação de consumidores entre 18 e 34 anos nos registros de veículos novos caiu de 12% no primeiro trimestre de 2021 para menos de 10% em meados de 2025. Já compradores com 55 anos ou mais representam quase metade dos novos registros e lideram esse mercado há oito trimestres consecutivos.

“O principal motor por trás disso é a acessibilidade”, afirmou Craig Daitch, fundador e presidente da empresa de pesquisa automotiva Telemetry.

Segundo ele, o valor das parcelas mensais de veículos novos aumentou 30% em quatro anos, e quase um em cada cinco automóveis novos já exige pagamentos superiores a US$ 1.000 por mês (R$ 5.180).

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Alternativas de mobilidade

A empresa AutoForecast Solutions projeta que as vendas anuais de veículos novos nos Estados Unidos permanecerão relativamente estáveis, em torno de 16 milhões de unidades, até 2033, horizonte máximo de suas projeções.

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“Quando olhamos para o futuro, os jovens tendem a usar mais Uber ou Lyft para se deslocar”, afirmou Sam Fiorani, vice-presidente de previsão global de veículos da empresa. “Ainda vemos grupos de jovens que gostam de dirigir e querem comprar um carro novo, mas cada vez menos conseguem pagar por isso.”

Segundo a Bain, caso os robotáxis se tornem amplamente disponíveis e acessíveis nos próximos 15 anos, a parcela da população habilitada poderá cair entre 2 e 3 pontos percentuais, chegando a 85%. O número médio de veículos por motorista poderá recuar de 1,2 para 1,1, o equivalente a uma redução de um veículo entre 10% e 20% dos domicílios americanos.

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Gottfredson afirmou que essas projeções representam uma revisão de estimativas anteriores, que indicavam que as vendas cairiam abaixo de 14 milhões de unidades já em 2030. Segundo ele, a expectativa foi alterada porque os veículos autônomos estão demorando mais para chegar ao mercado do que o previsto.

Ainda assim, ele ressalta que as projeções demográficas permanecem praticamente definidas.

“Já sabemos quantas pessoas nasceram e quantas terão idade para dirigir daqui a 16 anos. Podemos afirmar com bastante certeza que, em 2040, veremos algum declínio nos Estados Unidos. Essa queda será ainda mais acentuada na Europa e na maior parte dos países da Ásia.”

Veículos mais duráveis

Segundo Gottfredson, um dos principais indicadores da possível retração futura é a taxa de retirada de veículos de circulação, processo conhecido como deregistration, quando automóveis são sucateados ou exportados para outros mercados.

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 De acordo com o relatório da Bain, essa taxa caiu de aproximadamente 6% em 2000 para cerca de 5% em 2025 e poderá recuar para 4,4% até 2040, principalmente porque os veículos permanecem mais tempo em circulação.

Segundo a S&P Global Mobility, a idade média dos veículos em circulação atingiu o recorde de 12,8 anos em 2025.

Esse cenário, no entanto, pode mudar. Ainda há incertezas sobre a durabilidade das baterias dos veículos elétricos e sobre por quanto tempo as montadoras conseguirão manter atualizados os softwares, cada vez mais essenciais nos automóveis modernos.

Mesmo assim, analistas afirmam que os elevados preços dos veículos exigirão que a indústria encontre formas de prolongar sua vida útil.

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“Os veículos de hoje não podem ter uma vida útil limitada entre cinco e dez anos. Não faz sentido alguém gastar US$ 50 mil (R$ 259 mil) ou US$ 100 mil (R$ 518 mil) em um carro que se tornará sucata antes de completar uma década”, afirmou Fiorani.

Concorrência mais intensa

Caso essas tendências se confirmem, o mercado automobilístico dos Estados Unidos deverá se tornar ainda mais competitivo.

Atualmente, os consumidores americanos já podem escolher entre cerca de 450 modelos disponíveis no país. “A concorrência nos Estados Unidos será feroz. Há montadoras e marcas demais disputando os mesmos consumidores. O mercado terá de passar por uma consolidação”, concluiu Gottfredson.

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