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EXCLUSIVO: Pedidos de falência caem 31% e de recuperação judicial 27% em abril, mostra Serasa Experian
Publicado 11/08/2026 • 21:13 | Atualizado há 30 minutos
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Publicado 11/08/2026 • 21:13 | Atualizado há 30 minutos
KEY POINTS
O ritmo de pedidos de recuperação judicial e de falências de empresas despencou em abril. O Indicador de Falências e Recuperações Judiciais da Serasa Experian, primeira e maior datatech do país, registrou 60 processos no mês, uma queda de 27% frente aos 82 contabilizados em março, conforme dados divulgados nesta terça-feira (11).
Junto com o menor número de processos, recuou também o total de empresas envolvidas. Em abril, 141 CNPJs apareceram nos pedidos, ante 184 no mês anterior, segundo o levantamento.
A leitura, porém, exige cautela. Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, a melhora pontual não significa virada de cenário. “A melhora pontual ocorre em um contexto em que as empresas ainda convivem com juros elevados, crédito mais restrito e uma atividade econômica em desaceleração”, afirma.
Ainda de acordo com Abdelmalack, muitas companhias seguem concentrando esforços na recomposição de caixa e no equacionamento de passivos acumulados nos últimos anos, o que mantém o ambiente de insolvência corporativa sob pressão.

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Na análise por setor, Serviços liderou os pedidos de recuperação judicial em abril, com 45 empresas envolvidas, seguido por Comércio, com 43. Na sequência apareceram Agropecuária, com 31, e Indústria, com 22.
O setor de Agropecuária registrou a maior retração do período, saindo de 50 pedidos em março para 31 em abril. Em relação a abril do ano passado, a queda é ainda mais acentuada, já que o setor somava 94 empresas envolvidas em recuperação judicial.
Para Abdelmalack, o comportamento dos pedidos precisa ser lido à luz do cenário econômico atual. “Mesmo quando observamos recuos pontuais nos pedidos de recuperação judicial, o quadro de fundo permanece desafiador. As empresas seguem lidando com um ambiente de crescimento mais moderado, restrições financeiras e necessidade de ajuste de suas estruturas de capital”, comenta.
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Paralelamente, o indicador também registrou queda nos pedidos de falência. Foram 55 processos em abril, envolvendo 58 empresas, ante 80 processos e 83 CNPJs em março.
Na divisão por setor, Indústria concentrou o maior volume de empresas envolvidas em pedidos de falência, com 27 companhias. Comércio apareceu na sequência, com 18, seguido por Serviços, com 12, e Agropecuária, com apenas uma empresa.
A economista-chefe da datatech destaca que os pedidos de falência continuam funcionando como termômetro das empresas com maior dificuldade para reequilibrar sua situação financeira. “Quando a empresa já não consegue avançar na reorganização financeira, a falência passa a ser um desfecho possível”, explica.
Ainda segundo Abdelmalack, o espaço para alongar dívidas e preservar liquidez fica mais estreito em um cenário de crédito seletivo, atividade fraca e custos de financiamento elevados. “Por isso, mesmo com a queda observada em abril, os pedidos de falência continuam sendo um sinal relevante de fragilidade entre as companhias mais pressionadas”, conclui.

Outro ponto citado pela economista é o aumento da incerteza para setores mais expostos ao mercado externo. As recentes mudanças no cenário tarifário internacional entram na conta das empresas brasileiras, com potencial de afetar investimentos, planejamento e geração de receita nos próximos meses.
O Indicador de Falências e Recuperações Judiciais é elaborado com base no levantamento mensal do número de processos e de CNPJs envolvidos em pedidos de falência e recuperação judicial registrados na base de dados da Serasa Experian, considerando exclusivamente pessoas jurídicas. Por causa da defasagem informacional decorrente do curso processual e dos prazos de comunicação pelos órgãos competentes, o indicador possui atraso de três meses em relação ao mês de referência.
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