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Lula reforça soberania na ONU e busca projetar Brasil como potência média, diz professor Leonardo Trevisan
Publicado 22/09/2026 • 21:37 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 22/09/2026 • 21:37 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou o discurso na Assembleia Geral da ONU para reforçar a defesa da soberania e apresentar o Brasil como uma potência média que busca maior participação nas decisões internacionais. A avaliação é de Leonardo Trevisan, professor de Relações Internacionais da ESPM.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Trevisan destacou como uma das principais mensagens a afirmação de Lula de que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”. No discurso desta terça-feira (22), o presidente também criticou interferências externas em processos eleitorais e defendeu a soberania dos países.
Segundo o professor, Lula procurou associar essa mensagem a uma demonstração dos ativos econômicos e estratégicos brasileiros.
“Na prática, com esse discurso, ele apresenta o Brasil como uma potência média que quer participar de processo decisório no mundo”, afirmou.
Trevisan apontou como pontos relevantes as referências feitas pelo presidente à produção de petróleo, à economia verde e às riquezas naturais brasileiras. Na avaliação dele, esses elementos funcionam como argumentos para ampliar o peso do país nas discussões internacionais.
Para o professor, o discurso também dialogou com o cenário político brasileiro. Trevisan avaliou que Lula apresentou resultados de seu mandato e temas que podem ganhar espaço no debate eleitoral.
“Falou sim, sem dúvida nenhuma. Todos os recortes desse discurso vão direto para a campanha eleitoral”, disse. O professor ponderou, porém, que o eventual efeito sobre os eleitores só poderá ser observado posteriormente.
Logo depois de Lula, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou um tom mais voltado a ameaças de segurança e concentrou parte importante de seu discurso no Irã.
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Siga o Times | CNBCTrump voltou a afirmar que os Estados Unidos não permitirão que o país desenvolva uma arma nuclear e defendeu a estratégia de pressão adotada por Washington. O presidente também reafirmou que os EUA estão dispostos a empregar poder militar para proteger seus interesses.
Na avaliação de Trevisan, o discurso representou continuidade da estratégia adotada pela Casa Branca.
“É impossível negar que é mais do mesmo”, afirmou.
O professor chamou atenção para a ausência de sinais mais claros sobre uma saída negociada para o conflito com o Irã e avaliou que a guerra pode se prolongar.
Segundo Trevisan, uma das dificuldades é a falta de clareza sobre o objetivo final da estratégia americana. Ele afirmou que, na sua leitura, setores militares dos Estados Unidos têm pressionado por uma definição mais concreta sobre os resultados esperados antes de uma eventual ampliação das operações.
Para o especialista, a combinação entre a retórica de pressão de Trump e a resistência iraniana ainda deixa poucas indicações de uma solução de curto prazo.
“Talvez a gente esteja lidando com uma guerra que vai bem longe”, afirmou.
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