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‘Master paraguaio’: como a crise bancária e política no país vizinho afeta o Brasil
Publicado 05/11/2026 • 15:30 | Atualizado há 22 horas
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Publicado 05/11/2026 • 15:30 | Atualizado há 22 horas
KEY POINTS
A crise do Ueno Bank e o anúncio de renúncia do presidente Santiago Peña colocaram sob atenção uma economia ligada ao Brasil por comércio, investimentos e energia. O impacto mais imediato aparece na fronteira: o bloqueio de recursos de clientes e empresas paraguaias pode comprometer pagamentos, reduzir compras e afetar fornecedores do lado brasileiro.
Até o momento, porém, as reportagens consultadas do Times Brasil não confirmam prejuízos financeiros diretos para empresas brasileiras.
Os possíveis efeitos sobre o Brasil se concentram em três frentes: movimentação comercial, operações de empresas instaladas no Paraguai e confiança para novos investimentos. A dimensão dependerá da velocidade de devolução dos depósitos e da estabilização política.
Em Ciudad del Este, vizinha de Foz do Iguaçu, no Paraná, comerciantes demonstraram preocupação com a dificuldade de acessar recursos usados para pagar fornecedores, funcionários e despesas operacionais. A Associação de Importadores e Comerciantes do Paraguai alertou que o bloqueio pode comprometer pagamentos e vendas.
O alcance do Ueno ajuda a explicar essa preocupação. O banco informava processar mais de 3 milhões de transações por dia. Segundo a associação paraguaia de importadores e varejistas, dois terços das transações eletrônicas das grandes redes varejistas eram realizadas por meio de contas da instituição.
Para o Brasil, o risco comercial é indireto: uma empresa paraguaia com dinheiro indisponível pode atrasar pagamentos a um fornecedor brasileiro ou adiar novas encomendas. Esse é um possível desdobramento do bloqueio, cuja extensão ainda não foi quantificada.
A conexão vai além das compras na fronteira. Em reportagem publicada em maio, o Times Brasil | CNBC mostrou que mais de 200 empresas brasileiras haviam transferido parte de suas operações para o Paraguai desde 2007, atraídas principalmente pelo regime de maquila, voltado à produção para exportação.
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Siga o Times | CNBCSegundo os dados apresentados naquela reportagem, empresas brasileiras representavam 69% das indústrias com programas de maquila em vigor no país.
Essa presença cria um canal potencial de transmissão da crise. Uma operação que mantenha recursos no Ueno, ou dependa de clientes e fornecedores atingidos, pode enfrentar restrições de capital de giro e dificuldades para cumprir pagamentos. As reportagens consultadas, entretanto, não identificam quais dessas empresas possuem exposição ao banco nem apontam paralisação generalizada da indústria.
A crise também alcançou 13 fundos de investimento, cujos resgates foram temporariamente suspensos para avaliação dos ativos vinculados ao Ueno. A medida não significa liquidação dos fundos: o patrimônio permanece separado dos recursos das administradoras e do banco.
Para um investidor brasileiro eventualmente exposto a esses produtos, o efeito dependerá da composição da carteira e das regras de recuperação dos valores. Não há um levantamento que permita dimensionar a participação de brasileiros nos investimentos afetados.
O Banco Central paraguaio sustenta que os problemas estão concentrados no Ueno e que as demais instituições do país permanecem solventes e líquidas. Essa é a avaliação da autoridade monetária local.
Para o Brasil, os pontos concretos a acompanhar são a liberação dos depósitos, os pagamentos entre empresas dos dois países e a continuidade do comércio fronteiriço. São esses canais que podem transformar uma crise bancária paraguaia em dificuldades para negócios brasileiros.
A instabilidade acrescenta incerteza a um país que vinha atraindo empresas brasileiras por custos menores e incentivos à produção. A possibilidade de adiamento de projetos é um risco prospectivo: investidores podem aguardar maior clareza sobre a condução do governo e a resposta das autoridades financeiras antes de comprometer novos recursos.
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