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Mensagens de Vorcaro revelam cobranças por R$ 35 milhões em negócio ligado ao Tayayá Resort

Publicado 14/09/2026 • 22:49 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Conversas de 2024 mostram Daniel Vorcaro cobrando Fabiano Zettel por aportes ligados ao Tayayá; em agosto, o cunhado informou que haviam sido pagos R$ 20 milhões anteriormente e outros R$ 15 milhões.
  • PF levantou a hipótese de que Dias Toffoli possa ter figurado como “beneficiário final” ou “proprietário de fato” do fundo Arleen, que recebeu ao menos R$ 35 milhões.
  • Toffoli nega ter recebido qualquer valor de Vorcaro ou Zettel, afirma que nunca manteve recursos no exterior e diz que as operações de sua empresa foram declaradas à Receita Federal.
Daniel Vorcaro

Foto: Master

Daniel Vorcaro

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro mostram que o fundador do Banco Master acompanhava de perto e cobrava a realização de aportes financeiros ligados ao Tayayá Resort, empreendimento em Ribeirão Claro, no Paraná, que teve participação de uma empresa ligada ao ministro Dias Toffoli e à família dele.

Em uma conversa de agosto de 2024, Vorcaro pediu ao cunhado Fabiano Zettel um levantamento do que já havia sido pago na operação. Zettel respondeu: “Pagamos 20M lá atrás. Agora mais 15M”. Os valores somam R$ 35 milhões. O relatório da Polícia Federal afirma que Vorcaro aportou “ao menos” esse montante no fundo Arleen, que tinha participação no Tayayá.

Ao analisar as movimentações posteriores do Arleen, os investigadores levantaram a hipótese de que Toffoli possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do fundo e de seus ativos. O ministro nega.

Leia também: Documento revela ordem de Toffoli ao BC para seguir apenas decisões do STF no caso Master

Vorcaro cobrava solução para aporte

As mensagens mostram que o assunto já preocupava Vorcaro meses antes. Em 24 de maio de 2024, ele perguntou a Zettel sobre um aporte ainda não resolvido e identificou o negócio como relacionado ao Tayayá. Na mesma sequência, escreveu: “Estou em situação ruim”.

Segundo o relatório, Zettel posteriormente apresentou uma relação de pagamentos em que aparecia a referência “Tayaya – 15”. A PF interpretou a anotação como um aporte de R$ 15 milhões. Diante da lista, Vorcaro determinou que os pagamentos fossem realizados naquele dia.

A preocupação reapareceu em 14 de agosto. Naquela manhã, Vorcaro perguntou ao cunhado se a operação envolvendo o Tayayá havia sido concluída. Zettel respondeu que a operação tinha sido feita, mas que ainda dependia do advogado Guilherme Lippi para efetuar a transferência do fundo.

Quando Vorcaro perguntou o que faltava, Zettel respondeu: “Que ele me diga pra quem passar…”

O diálogo mostra que Vorcaro considerava a pendência urgente. Ao descobrir que a operação ainda não havia sido finalizada, ele questionou onde estava o dinheiro. Zettel respondeu que os recursos estavam no fundo ligado ao Tayayá.

Pouco depois, Zettel informou que R$ 15 milhões haviam sido aportados e que faltava apenas concluir a transferência. Mais tarde, ao apresentar a Vorcaro o histórico financeiro do negócio, registrou os R$ 20 milhões anteriores e os R$ 15 milhões adicionais. No fim daquele dia, informou que a questão estava resolvida.

A PF também registrou uma tentativa de contato entre Vorcaro e Toffoli durante as tratativas de 14 de agosto. Depois de tomar conhecimento do entrave, Vorcaro comunicou ao ex-ministro Fábio Faria que mandaria uma mensagem a Toffoli. Pouco depois, escreveu diretamente ao ministro do Supremo pedindo para encontrá-lo rapidamente naquele dia.

As mensagens de 2024, sozinhas, não permitem identificar com segurança quem pressionava Vorcaro pelo cumprimento das obrigações nem estabelecer que Toffoli fosse o destinatário dos R$ 35 milhões.

A suspeita levantada pela PF sobre o ministro surge da análise conjunta dessas mensagens com a estrutura societária do Arleen e com movimentações posteriores do fundo.

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PF levanta hipótese sobre beneficiário final do Arleen

O Arleen tinha participação no Tayayá e integrou uma estrutura de fundos ligada a Fabiano Zettel. A Maridt Participações, empresa da qual Toffoli admitiu ser acionista e que mantinha participação no empreendimento, vendeu parte de suas cotas ao Arleen em 2021. Toffoli afirma que sua participação no negócio foi encerrada posteriormente e que todas as operações foram realizadas a valores de mercado e declaradas à Receita Federal.

Em fevereiro de 2025, o Arleen passou para o empresário Alberto Leite, descrito pela PF como amigo de Toffoli e dono da FS Security. Naquele momento, o fundo ainda detinha participação no Tayayá.

No mês seguinte, Leite registrou nas Ilhas Virgens Britânicas a Egide I. O regulamento do Arleen também foi alterado para permitir investimentos no exterior.

No fim de 2025, o fundo foi encerrado. Cerca de R$ 34 milhões de seus ativos foram transferidos para a Egide I, segundo os dados analisados pela PF.

Os investigadores afirmaram ter identificado elementos que, analisados em conjunto, apontam para a hipótese de Toffoli ter sido o beneficiário final ou proprietário de fato do Arleen e de seus ativos. A PF também menciona a possibilidade de utilização de interpostas pessoas e de estrutura no exterior.

Toffoli nega ter recebido dinheiro de Vorcaro

Toffoli nega as suspeitas levantadas a partir do relatório. O ministro afirma que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou Fabiano Zettel e diz que não manteve relação de amizade ou intimidade com o ex-banqueiro.

Também declarou que nunca manteve, direta ou indiretamente, recursos no exterior e que não realizou operações nas Ilhas Virgens Britânicas.

Segundo o ministro, as participações e negociações da Maridt foram informadas à Receita Federal e realizadas dentro dos valores de mercado.

Leia também: “A Turma” de Vorcaro lamentou saída de Toffoli de relatoria do caso Master

Relatório foi produzido a partir do celular de Vorcaro

As informações fazem parte da Informação de Polícia Judiciária de Análise nº 893171/2026, elaborada a partir do conteúdo do celular apreendido com Vorcaro em sua primeira prisão, em novembro de 2025.

No documento, a Polícia Federal afirma ter identificado contatos diretos e indiretos recorrentes entre Vorcaro e Toffoli e encaminhou as informações ao presidente do STF, Edson Fachin, para análise das providências cabíveis.

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