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“Nível crítico”: Abin eleva risco de pressão dos EUA nas eleições brasileiras
Publicado 19/09/2026 • 13:37 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 19/09/2026 • 13:37 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) colocou ao nível crítico o risco de ações dos Estados Unidos capazes de influenciar o ambiente político e econômico das eleições brasileiras de 2026.
A avaliação está em um relatório reservado encaminhado à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça. O documento analisa ameaças externas ao processo eleitoral e aponta que a pressão norte-americana sobre o Brasil pode aumentar durante a campanha. As informações foram publicadas pela Folha de S.Paulo, que teve acesso ao relatório.
A análise da Abin não se concentra em uma eventual intervenção nas urnas, mas em um conjunto de medidas políticas, comerciais e financeiras com potencial para interferir no debate eleitoral e elevar a tensão entre os dois países.
O principal risco apontado pela inteligência brasileira está na capacidade dos Estados Unidos de transformar decisões políticas em consequências econômicas para pessoas e empresas no Brasil.
Sanções norte-americanas podem dificultar transações em dólar, restringir operações internacionais e provocar bloqueios por parte de bancos e prestadores de serviços. Mesmo companhias que não sejam diretamente punidas podem rever contratos ou interromper negócios para evitar problemas com autoridades dos Estados Unidos.
A preocupação aumentou depois que Washington anunciou, em julho, sanções contra dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma companhia em Portugal. Os alvos foram associados pelo governo norte-americano a redes de lavagem de dinheiro ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Para a Abin, a medida mostrou que a pressão deixou de ser apenas diplomática e passou a alcançar diretamente pessoas físicas e jurídicas brasileiras.
Esse tipo de punição também pode gerar efeitos em cadeia. Bancos, empresas de tecnologia financeira, fornecedores e parceiros comerciais podem adotar restrições preventivas por medo de perder acesso ao sistema financeiro dos Estados Unidos ou de sofrer sanções adicionais.
O relatório identifica um método de atuação que combina segurança pública, relações internacionais e instrumentos financeiros.
Primeiro, organizações criminosas brasileiras passam a ser tratadas como ameaças à segurança dos Estados Unidos. Depois, o governo norte-americano destaca a atuação internacional desses grupos e suas possíveis conexões com o sistema financeiro. Esse enquadramento abre caminho para sanções contra pessoas e empresas no Brasil.
A Abin avalia que a tentativa de classificar facções brasileiras como organizações terroristas faz parte desse movimento. A medida ampliaria os instrumentos disponíveis para Washington aplicar punições e pressionar setores econômicos brasileiros.
Na prática, o alcance dos Estados Unidos ultrapassa suas fronteiras porque grande parte das operações internacionais depende do dólar e de instituições ligadas ao mercado norte-americano.
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Siga o Times | CNBCA agência relaciona a pressão sobre o Brasil a uma prioridade do segundo governo de Donald Trump: recuperar espaço político e econômico na América Latina.
O objetivo seria reduzir a influência de potências concorrentes, principalmente a China, e limitar o acesso desses países a minerais, infraestrutura, recursos naturais e outros ativos considerados estratégicos.
O Brasil aparece como um ponto de resistência por manter relações próximas com Pequim e defender maior autonomia em sua política externa. Na interpretação da Abin, essa postura aumenta a exposição do país a retaliações e cobranças de Washington.
O secretário de Estado e assessor de Segurança Nacional, Marco Rubio, é citado como um dos principais responsáveis por essa estratégia. O relatório associa sua atuação à tentativa de fortalecer governos conservadores e ampliar o número de países alinhados aos Estados Unidos na região.
Em audiência no Senado norte-americano, Rubio relacionou o avanço da influência dos Estados Unidos à chegada de governos considerados aliados. Brasil, Cuba, Nicarágua, Venezuela e a Colômbia então comandada por Gustavo Petro foram apresentados por ele como exceções nesse processo.
A Abin também chama atenção para a tentativa de responsabilizar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelas medidas comerciais adotadas contra o Brasil.
Rubio afirmou que as tarifas foram impostas porque o governo brasileiro não teria negociado de boa-fé. Para a inteligência brasileira, esse tipo de declaração desloca uma disputa entre países para a figura do presidente e pode ser incorporado ao debate eleitoral.
A narrativa pode ganhar espaço em discursos de candidatos, análises do mercado e discussões sobre os efeitos das tarifas na economia. Dessa forma, uma decisão de política externa passa a ter capacidade de influenciar a disputa interna.
A preocupação da Abin também considera uma proposta apresentada pela Casa Branca em outubro de 2025.
O governo Trump tentou incluir em uma declaração conjunta a exigência de que o Brasil não impedisse a participação de “dissidentes políticos” nas eleições de 2026. O texto dizia que o país deveria garantir eleições livres e não poderia prender ou restringir arbitrariamente esses participantes.
A iniciativa, revelada anteriormente pelo jornal O Estado de S. Paulo, foi interpretada como uma tentativa de Washington de incluir questões da política interna brasileira nas negociações entre os dois governos.
Com a proximidade da votação, o alerta da Abin indica que a possível influência externa não deve ser observada apenas dentro do processo eleitoral. Para a agência, decisões sobre tarifas, sanções, acesso ao dólar e relações comerciais também podem alterar o ambiente político e econômico no qual os brasileiros irão às urnas.
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