CNBC

CNBCTrégua comercial entre EUA e China foi prorrogada por dois meses, afirma Bessent, enquanto Xi inicia visita de Estado

Notícias do Brasil

Operação policial contra o crime organizado mira o Banco Genial e esquema ligado a recursos do filme Dark Horse

Publicado 24/09/2026 • 06:35 | Atualizado há 33 minutos

KEY POINTS

  • Operação Crédito Oculto faz buscas em 32 endereços de seis estados e do Distrito Federal contra a máfia dos combustíveis
  • Gaeco afirma que Banco Genial montou estrutura financeira para ocultar compra da Terrana por Beto Louco e Primo
  • Grupo Entre, de Antonio Carlos Freixo Junior, delator do Master, repassou R$ 20 milhões à usina Itajobi, diz investigação
genial investimentos

O sócio proprietário do Banco Genial, Humberto Tupinambá, e o Grupo Entre, usado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para enviar US$ 12,33 milhões (R$ 64 milhões) ao filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, estão entre os 40 alvos da Operação Crédito Oculto. A ação foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (24) contra o esquema de lavagem de dinheiro da máfia dos combustíveis, acusada de manter ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Promotores, policiais e auditores fiscais fazem buscas em 32 endereços de 11 cidades. A lista de investigados inclui ainda o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, delator do Banco Master e líder do Grupo Entre. As informações são da reportagem de Marcelo Godoy e Luiz Vassallo, do jornal O Estado de S. Paulo.

Leia também: BRB terá de explicar à Justiça contratação direta da Genial, mesmo após desistir da venda de Financeira

As buscas foram pedidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e autorizadas pelo juiz Sandro Nogueira de Barros Leite, da 2ª Vara Criminal de Catanduva. As diligências ocorrem em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e no Distrito Federal.

Além disso, a nova fase se apoia em provas reunidas na primeira etapa da Operação Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto de 2025. Documentos, mensagens e áudios apreendidos em celulares e computadores indicariam o esquema usado para dissimular o patrimônio dos empresários Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo.

Desde aquela data, os dois estão foragidos, depois de terem a prisão decretada no Paraná. Os investigadores apontam a dupla como líder da organização criminosa.

Compra da Terrana por até R$ 153 milhões

O foco da nova fase é a compra da distribuidora de combustíveis Terrana, sediada no Rio de Janeiro, que chegou a figurar entre as dez maiores do país. A aquisição, concluída em 2024, pode ter custado até R$ 153 milhões, conforme as investigações.

Na época do negócio, a Terrana, nome fantasia da Tobrás Distribuidora de Combustíveis, faturava R$ 445 milhões por mês e tinha capital social de R$ 245 milhões. A empresa opera no Centro-Oeste e no Sudeste e teve as atividades suspensas pela Justiça do Rio em 9 de julho.

Naquele período, Beto Louco e Primo já enfrentavam os desdobramentos da Operação Cassiopeia, que investigou fraudes em combustíveis praticadas pela Copape. A distribuidora teve a autorização de funcionamento revogada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Ainda assim, a dupla teria usado fundos de investimento para esconder das autoridades a participação na compra da Terrana e a propriedade de imóveis de valores milionários. O Gaeco sustenta que eles deram continuidade ao modelo que mantinham com a Reag Investimentos, gestora e administradora de fundos suspeitos.

Papel do Genial na estrutura investigada

A chamada “arquitetura de lavagem de capitais”, nas palavras dos investigadores, teria sido construída por Humberto Tupinambá e pelo advogado Rogério Garcia Peres, sócio e fundador da administradora de fundos Altinvest. Os promotores descrevem Garcia Peres como “operador criminoso de lavagem de capitais” da máfia dos combustíveis.

Em seguida, os dois teriam procurado o executivo Paulo Narcélio Simões do Amaral, que aceitou emprestar o próprio nome a duas holdings, Branson e Berna, usadas na compra da distribuidora e na ocultação dos imóveis. Em troca, ele receberia 0,75% do valor total da operação e R$ 100 mil mensais durante os três meses em que deveria permanecer à frente das empresas.

Para os promotores, o Banco Genial “se ofereceu como estrutura financeira fraudulenta para mascarar a ocultação dos valores que financiaram a compra”. Narcélio, por sua vez, “emprestaria a sua imagem à negociação” para dar legitimidade ao negócio diante dos vendedores e de terceiros.

Mensagens encontradas no celular do executivo indicam que o objetivo era impedir que o grupo americano Tramp Oil, dono da Terrana, e a ANP soubessem quem estava por trás da compra. A intenção, de acordo com a investigação, era manter abastecidas as centenas de postos ligados à organização, inclusive unidades onde integrantes do PCC lavavam dinheiro do tráfico de drogas.

No total, o esquema envolveria nove fundos de investimento e 27 empresas. Dessas, 16 tiveram os bens bloqueados por decisão da Vara de Catanduva.

Rota do dinheiro entre usina, fundos e banco

Os investigadores identificaram três estruturas de empresas montadas para esconder os donos do dinheiro. A primeira tinha como base o Fundo Celebration, administrado pela Reag, cujo único cotista era a Insight Participações, registrada em nome de Himad Mourad, primo de Mohamad.

Já a segunda girava em torno do Radford Fundo de Investimento Multimercado. O fundo teria sido montado e administrado pela Altinvest e, depois, transferido para a administração e a custódia do Banco Genial, com a Altinvest mantida como cogestora.

A reestruturação dos fundos da dupla pela Altinvest teria ocorrido depois da saída de Beto Louco e Primo da Reag, em 2024. O Radford tinha como cotista a usina sucroalcooleira Itajobi, no interior paulista, uma das cinco controladas pelos empresários.

Por meio do Grupo Aster, rede de postos de gasolina que pertencia à dupla, R$ 100 milhões chegaram à usina depois de passar pelas contas de outras duas empresas. A Itajobi recebeu ainda R$ 20 milhões da Entre Investimentos, empresa de Freixo.

Depois disso, o dinheiro da usina foi “emprestado” ao banco, por meio do fundo Radford, na forma de um Certificado de Depósito Bancário Vinculado (CDBV). Na sequência, o Genial repassou os mesmos recursos à Berna e à Branson por uma Cédula de Crédito Bancário (CCB), o que ocultaria a origem do dinheiro usado na compra da Terrana.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Pelo desenho da operação, o banco seria pago em parcelas semestrais de R$ 18,7 milhões, até somar R$ 150 milhões. As duas holdings também usaram os recursos para comprar 100% das cotas do Fundo Derby 44, atual Fundo Wels, e ofereceram como garantia da dívida os imóveis do Fundo Los Angeles 01, hoje chamado Lucerna.

Os promotores notaram ainda que o valor recebido pela Branson para a aquisição equivalia a apenas metade do capital social da distribuidora. As provas foram obtidas em buscas na Usina Itajobi, em Marapoama (SP), e em empresas ligadas a Mohamad em Senador Canedo (GO), Duque de Caxias (RJ) e Iguatemi (MS), que mostraram também vínculos com companhias do Grupo Refit, do empresário Ricardo Magro.

Reag e delação de Mansur

A Reag foi um dos alvos da primeira fase da Carbono Oculto e acabou liquidada pelo Banco Central depois da ação da Polícia Federal. No começo deste mês, o dono da gestora, João Carlos Mansur, fechou um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Resposta do Genial ao Gaeco

Questionado pelo Gaeco sobre a administração do Radford, o Banco Genial informou que o fundo foi constituído como “condomínio fechado, por tempo indeterminado de duração, com uma classe única de cotas”. A política de investimentos, conforme o banco, era voltada majoritariamente a créditos privados e destinada a receber aplicações de um único investidor.

Na mesma resposta, a instituição afirmou que as cotas do fundo somavam cerca de R$ 169,7 milhões quando a Carbono Oculto foi deflagrada. O banco disse que sua área de crédito aprovou o empréstimo à Berna e à Branson em razão da reputação de Narcélio no mercado.

Por outro lado, o Genial não teria observado que as duas empresas foram abertas um mês antes da operação, com capital social de R$ 1 mil e sede no mesmo endereço usado pelo grupo de Mohamad em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.

Depois da Carbono Oculto, o banco comunicou aos promotores que renunciou à administração do Radford, liquidou o CDBV e cedeu ao fundo sua posição na CCB. Os promotores, no entanto, avaliam que toda a operação serviu para encobrir a participação dos acusados na fraude.

Mensagens ligam irmãos Tupinambá ao Genial

O Gaeco obteve mensagens enviadas a Narcélio por Garcia Peres e por João Eduardo Gomes Santiago, ligado à corretora Banvoxx e sócio da Altinvest. Em uma delas, Santiago pergunta se o patrimônio declarado do executivo bastaria para comprovar capacidade econômica de ser sócio da empresa.

Em outra conversa, Narcélio conta a uma advogada que o token para movimentar as contas da Branson estava com Garcia Peres. As mensagens também indicariam a participação de Humberto Tupinambá e dos irmãos André e Bruno, alvos de buscas nesta quinta-feira, na montagem da estrutura de ocultação de patrimônio.

Nos diálogos, Narcélio relata que a proposta inicial pela Terrana seria de R$ 93 milhões, com possibilidade de chegar a R$ 153 milhões. Mais tarde, afirma que seria preciso conversar com Primo para saber como ele queria conduzir a aquisição.

Com André, o executivo acertou sua comissão em 2024. No início de 2025, Narcélio pediu para deixar as holdings, alegando já ter cumprido sua missão, mas foi convencido a ficar enquanto os irmãos Tupinambá cuidavam da reestruturação da Terrana.

“Torna-se nítido que o papel do Banco Genial não se restringiu à operação financeira”, escreveram os promotores. André e Bruno também teriam sido remunerados pela Aster, empresa da máfia dos combustíveis, segundo o Gaeco.

Outra mensagem deixa claro, conforme os investigadores, que as decisões na Terrana eram tomadas por Primo, registrado na agenda de Narcélio como “João Chefão”. Pelo sistema Pix, os promotores identificaram que o número de telefone de Mohamad era a chave de uma conta bancária em nome de um homem condenado a oito anos de prisão por roubo.

Em certo momento, Narcélio demonstra preocupação com uma reportagem que apontava Primo e Beto Louco como novos donos da Terrana e levantava suspeitas de ligação da dupla com o PCC. “O Primo está mais nervoso do que eu”, escreveu.

Em 30 de abril de 2025, Humberto contou ao executivo que havia conversado com Primo sobre o plano de negócios da distribuidora. Os dois discutiram ainda como driblar a fiscalização da Secretaria da Fazenda de São Paulo caso o órgão pedisse a quitação dos “empréstimos”.

Na troca de mensagens, Narcélio orienta que o dinheiro deveria cair diretamente em sua conta ou passar por outra movimentação e diz que vai reclamar com “Beto”. Humberto responde e apaga o diálogo, que permaneceu registrado no celular do interlocutor.

No dia da primeira fase da Carbono Oculto, Narcélio enviou a Humberto uma mensagem dizendo que estava “aumentando os preços”. O conteúdo consta de laudo da perícia.

O Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC procurou o Banco Genial para pedir esclarecimentos, mas não havia recebido nenhuma resposta até o fechamento desta matéria.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Notícias do Brasil