ALERTA DE MERCADO:

Ibovespa sobe 1,4% e encosta nos 173 mil pontos; Braskem despenca 13% após divulgação dos dados de reestruturação

CNBC
Estreito de Ormuz: o que está por trás do impasse entre EUA e Irã

CNBCIrã alerta navios que é “inaceitável e perigoso” transitar pelo Estreito de Ormuz sem sua aprovação

Operações da PF

Entenda o caso Americanas: ‘maior fraude contábil do Brasil’, segundo a PF

Publicado 25/06/2026 • 11:12 | Atualizado há 50 minutos

KEY POINTS

  • PF cumpre nove mandados contra Sicupira, filho de Lemann e executivos de bancos na fraude da Americanas.
  • Rombo contábil estimado em R$ 54 bilhões supera valor declarado pela varejista em 2023.
  • As ações da Americanas seguem distantes do valor anterior ao escândalo.

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure, que apura a fraude contábil da Americanas. A ação mira diretamente o núcleo histórico de controle da varejista, com mandados de busca e apreensão contra Beto Sicupira e Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann e ex-integrante do conselho de administração.

São nove mandados cumpridos no Rio de Janeiro e em São Paulo. A 10ª Vara Federal Criminal do Rio determinou ainda o sequestro de bens dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões, valor que se torna a nova referência do rombo, superior aos R$ 25,3 bilhões declarados pela própria companhia em 2023.

Leia também: Executivos são alvos de buscas da PF por rombo na Americanas; bloqueio de bens pode chegar a R$ 54 bilhões

Como a fraude começou

A crise da Americanas veio à tona em 11 de janeiro de 2023, quando o então presidente da varejista, Sérgio Rial, anunciou seu desligamento do cargo e revelou, em fato relevante, inconsistências contábeis da ordem de R$ 20 bilhões nos balanços da companhia. Dias depois, em 19 de janeiro, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial, declarando R$ 800 milhões em caixa, reduzidos posteriormente a R$ 250 milhões após bancos bloquearem recebíveis, e dívida de aproximadamente R$ 43 bilhões com 16,3 mil credores.

Meses depois, a própria companhia detalhou o tamanho da fraude, apontando lucro fictício de R$ 25,3 bilhões acumulado ao longo de anos. O mecanismo central envolvia operações de risco sacado, modalidade em que um banco antecipa a fornecedores o valor que a varejista deveria pagar e passa a ser o credor da operação, cobrando juros por isso.

Para crescer, a Americanas precisava de capital de giro cada vez maior, mas suas operações não geravam caixa suficiente. O risco sacado funcionava como alívio, já que alongava prazos de pagamento junto aos bancos. O problema contábil surgia porque, em vez de registrar esse valor como dívida financeira, a empresa mantinha o montante lançado como dívida com fornecedores, o que inflava artificialmente essa conta do balanço.

Para disfarçar o crescimento desproporcional dessa rubrica, a varejista lançava contratos de verba de propaganda cooperada, acordos em que fornecedores concedem descontos em troca de participação em publicidade, simulando descontos que não existiam de fato. Segundo análise de mercado à época, o objetivo não era inflar resultado, mas abrir espaço contábil para acomodar o crescimento do risco sacado sem expor o real volume de dívida bancária contraído pela companhia.

O esquema se intensificou com a alta da taxa de juros, que tornou o financiamento via risco sacado cada vez mais necessário para manter a operação da varejista funcionando e suas linhas de crédito abertas junto a bancos e ao governo.

O que a Polícia Federal apura agora

Segundo a investigação, os alvos desta fase tinham conhecimento do esquema contábil mantido ao longo de anos pela varejista. O mecanismo apurado é o mesmo identificado em 2023, mas agora a PF busca estabelecer quem, além da diretoria, sabia do funcionamento da fraude enquanto ela seguia em curso.

Na prática, segundo a investigação, a varejista escondia dívida bancária disfarçada de dívida comercial, recorrendo a esse artifício à medida que precisava de volumes cada vez maiores de financiamento.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Quem são os alvos da operação

Entre os nomes citados pela investigação estão Carlos Alberto Sicupira, controlador da companhia, e Paulo Alberto Lemann, ex-conselheiro e filho do fundador, Jorge Paulo Lemann. Também constam Eduardo Saggioro, outro ex-integrante do conselho, e Sérgio Rial. Segundo informações do colunista Fausto Macedo, do Estadão.

A resposta da Americanas e dos bancos

Em nota, a Americanas informou que não foi alvo de mandados de busca nesta manhã e que a Operação Disclosure, realizada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, se refere à fraude revelada em 2023. A companhia afirmou que seguirá colaborando com as investigações e que é a maior interessada no esclarecimento dos fatos.

Três anos depois, o que mudou na Americanas

Desde a revelação do rombo, em janeiro de 2023, a varejista cortou pela metade boa parte de sua estrutura. O quadro de funcionários caiu de 43,1 mil para cerca de 24 mil, queda de 44%, enquanto a rede de lojas foi reduzida de 1.880 para 1.452 unidades, com mais de 400 pontos fechados.

A companhia também promoveu um aumento de capital de R$ 24 bilhões para cobrir parte do buraco contábil e está perto de encerrar formalmente a recuperação judicial em 2026, após cumprir o plano negociado com os credores.

Enquanto isso, o trio histórico de controladores, Lemann, Sicupira e Telles, usou um mecanismo previsto no próprio plano de recuperação judicial para reconverter bônus de subscrição em ações. Com isso, retomou em 2024 mais de 50% do capital votante da companhia, o mesmo grupo que havia reduzido sua participação em 2021.

O que ainda não foi resolvido

Apesar do avanço operacional, a responsabilização dos antigos controladores não andou no mesmo ritmo. Investidores abriram uma arbitragem de R$ 12,8 bilhões contra Lemann, Sicupira e Telles, enquanto a própria Americanas processou o ex-CEO e outros três executivos em março de 2025.

A CVM, por sua vez, abriu dois novos inquéritos administrativos no fim de janeiro deste ano. Um deles apura a atuação dos bancos nas operações de risco sacado, o mesmo ponto que hoje sustenta os mandados contra Itaú, Bradesco e Santander.

As ações da Americanas seguem distantes do valor anterior ao escândalo, acumulando queda expressiva nos últimos doze meses, ainda que a companhia diga monitorar o retorno de investidores institucionais. Atualmente em R$ 4,23, tendo o topo em 2020, durante a pandemia, quando chegou a R$ 28.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Operações da PF