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Trump questiona gigantes do petróleo por estarem ganhando dinheiro demais com crise em Ormuz
Publicado 10/08/2026 • 09:15 | Atualizado há 1 hora
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Publicado 10/08/2026 • 09:15 | Atualizado há 1 hora
KEY POINTS
Michael M. Santiago | Getty Images
The ExxonMobil and Chevron company logos are displayed on the floor of the New York Stock Exchange during morning trading on July 24, 2026 in New York City.
As gigantes do petróleo registraram lucros extraordinários no segundo trimestre. A principal questão agora é se o setor usará essa abundância de caixa para remunerar acionistas, fortalecer os balanços ou investir no futuro, tudo isso enquanto tenta evitar uma reação política cada vez maior.
As cinco supermajors, Exxon Mobil, Chevron, BP, Shell e TotalEnergies, tiveram lucro combinado de impressionantes US$ 48 bilhões entre abril e junho, beneficiadas pela alta dos preços dos combustíveis fósseis em meio às hostilidades entre Estados Unidos e Irã.
As companhias também registraram quase US$ 90 bilhões em geração de caixa no mesmo período, um recorde histórico, superior até mesmo ao registrado após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, no início de 2022.
Os resultados robustos provocaram a indignação de ativistas ambientais, que voltaram a defender a adoção de um imposto sobre os lucros extraordinários do setor, além de críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Na semana passada, Trump criticou as petrolíferas americanas Exxon e Chevron por ganharem “dinheiro demais” com a alta dos preços dos combustíveis durante a guerra com o Irã e reiterou sua cobrança por preços menores nos postos.
“As supermajors tiveram uma geração de caixa sem precedentes no último trimestre”, disse à CNBC por e-mail Clark Williams-Derry, analista de finanças de energia do IEEFA, organização sem fins lucrativos.
Mas as empresas não usaram esse dinheiro para “drill, baby, drill”, afirmou Williams-Derry, em referência à política de Trump de maximizar a produção de energia. Ele observou, por exemplo, que os gastos de capital, os dividendos e as recompras de ações das grandes petrolíferas permaneceram estáveis.
“Então, isso levanta uma questão: se elas não repassaram mais dinheiro aos acionistas, o que as supermajors fizeram com essa abundância de caixa?”
Em grande parte, segundo Williams-Derry, do IEEFA, as petrolíferas buscaram reforçar suas reservas de caixa e reduzir dívidas para melhorar seus balanços. De fato, as reservas de caixa das cinco maiores petrolíferas do mundo aumentaram pouco mais de US$ 17 bilhões na comparação trimestral.
“Uma forma cínica de descrever a estratégia financeira da indústria do petróleo seria: ‘rezar por uma guerra’. As supermajors precisam de picos periódicos nos preços, como os provocados pelas crises na Ucrânia e no Irã, apenas para reforçar suas finanças”, afirmou Williams-Derry.
“Para as supermajors, o forte impacto sobre os consumidores e a escassez global de combustíveis funcionam como um antídoto financeiro para os longos períodos de preços baixos e estáveis que corroem suas finanças. Do ponto de vista das grandes petrolíferas, os picos de preços são parte do modelo, e não um problema”, acrescentou.
Executivos das grandes companhias de petróleo e gás disseram à CNBC que pretendem reforçar o foco em áreas do negócio que conseguem controlar durante o conflito no Oriente Médio, como o desempenho operacional, as operações de trading e a otimização.
“O que a BP está fazendo é garantir que estejamos focados nas coisas que podemos fazer para ajudar a enfrentar a situação. Estamos trabalhando intensamente na confiabilidade, tanto nos nossos ativos de upstream, onde produzimos esses barris, quanto nos ativos de refino, onde fazemos o processamento”, disse a CEO da BP, Meg O’Neill, ao programa “Squawk Box Europe”, da CNBC, em 4 de agosto.
O’Neill afirmou que a companhia fez ajustes na forma como organiza suas operações de refino para maximizar a disponibilidade dos produtos mais necessários aos consumidores em cada momento, citando combustível de aviação e diesel como exemplos.
O CEO da Shell, Wael Sawan, por sua vez, descreveu a volatilidade como “o novo normal” e afirmou que o cenário macroeconômico é tal que a alta dos preços das commodities deu um impulso muito forte aos resultados da companhia.
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Siga o Times | CNBCLeia também: Lucro de petrolíferas dispara para US$ 93 bilhões durante guerra no Oriente Médio
As grandes companhias de petróleo e gás já demonstraram como pretendem usar seus lucros elevados e fortes fluxos de caixa, segundo Russ Mould, diretor de investimentos da AJ Bell.
“As opções incluem fusões e aquisições, investimentos de manutenção, aportes em novos projetos, sejam renováveis ou de hidrocarbonetos, redução de dívida e, por fim, dividendos e recompras de ações”, disse Mould à CNBC por e-mail.
A proporção destinada a cada uma dessas frentes varia de empresa para empresa, afirmou Mould. A BP está em “modo de redução de dívida”, enquanto a Shell tem adotado uma postura mais expansiva, com uma aquisição no Canadá, por exemplo.
“O que está claro, no entanto, é que as grandes companhias de hidrocarbonetos estão abordando os investimentos em novos campos de petróleo e gás com certo grau de cautela, diante da manutenção de um controle rígido sobre os orçamentos gerais de capital”, afirmou Mould.
“Isso pode ser resultado da percepção de que a atual abundância de lucros e fluxo de caixa talvez não seja sustentável, especialmente se Estados Unidos e Irã chegarem a um acordo de paz duradouro, ou diante do receio de novos impostos ou da continuidade da pressão pública, política e de grupos ativistas em relação ao meio ambiente”, acrescentou.
Além das críticas de Trump, a pressão política sobre os lucros obtidos pela indústria de petróleo e gás durante a guerra aumentou nas últimas semanas.
Ativistas têm pedido que formuladores de políticas adotem impostos mais altos sobre as grandes empresas de energia para ajudar a financiar infraestrutura resiliente às mudanças climáticas, como sistemas de proteção contra incêndios e enchentes.
O governo de Portugal informou na semana passada que aprovou um imposto sobre os lucros extraordinários obtidos por empresas de petróleo e refino em 2026.
O American Petroleum Institute (API), grupo de lobby que representa cerca de 600 empresas de perfuração, refinarias e outros segmentos do setor, descreveu a indústria de petróleo e gás como um negócio cíclico que deve ser avaliado ao longo de décadas, e não de trimestres, e alertou contra a adoção de um imposto sobre lucros extraordinários.
“Durante uma das maiores disrupções globais no setor de energia em décadas, a indústria americana de petróleo e gás natural está registrando produção recorde e atividade de refino em patamar de liderança mundial, ao mesmo tempo em que continua investindo em oferta, infraestrutura e resiliência para fortalecer a segurança energética dos Estados Unidos no longo prazo”, disse um porta-voz do API à CNBC por e-mail.
Sobre os impostos sobre lucros extraordinários, o API afirmou que não é possível ampliar a segurança energética por meio de tributação. “Impostos sobre lucros extraordinários não reduzem os preços para os consumidores. Eles desestimulam os investimentos de longo prazo necessários para fortalecer a oferta, a infraestrutura e um sistema energético mais resiliente”, acrescentou.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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