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Peruca de R$ 10 mil, hotéis de R$ 1,4 milhão e figurino de R$ 518 mil: os gastos de ‘Dark Horse’
Publicado 12/09/2026 • 11:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 12/09/2026 • 11:00 | Atualizado há 2 meses
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Reprodução
Jim Caviezel em cena de “Dark Horse”; documentos da produção registram gasto de R$ 10 mil com o aluguel de uma peruca usada pelo ator.
Uma peruca de R$ 10 mil para Jim Caviezel, mais de R$ 1,4 milhão em hospedagens e R$ 518,5 mil em figurino estão entre as despesas de “Dark Horse”. Documentos da produção mostram que os gastos no Brasil somaram R$ 20,9 milhões.
Só a hospedagem de Caviezel respondeu por R$ 733,9 mil, pouco mais da metade de todas as despesas com hotéis. O ator norte-americano interpreta o ex-presidente Jair Bolsonaro no longa-metragem. Os registros também detalham gastos com caracterização, veículos, motoristas, transporte de figurinos e outros custos das filmagens.
A documentação veio a público após a retirada do sigilo de parte da investigação sobre o financiamento do filme. A Polícia Federal apura a origem, o caminho e o destino dos recursos utilizados na produção e investiga possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados ao financiamento.
Leia também: Dark Horse: PF faz buscas contra Mario Frias e produtora de filme sobre Bolsonaro em investigação sobre emendas
Os comprovantes mostram pagamentos ao Hotel Unique, em São Paulo, relacionados à hospedagem de Caviezel e de integrantes de sua equipe.
Em dezembro de 2025, uma transferência de R$ 107,5 mil foi registrada como a sexta e última parcela da hospedagem do ator, de seu agente, Nath Lewis, e dos seguranças. Outro desembolso, de R$ 298,3 mil, aparece relacionado à estadia de Caviezel, além de gorjetas e serviços de massagem.
As notas fiscais registram ainda pagamentos de R$ 124,5 mil e R$ 107,5 mil pela hospedagem de Caviezel e de outros integrantes da produção em diferentes períodos de novembro.
No total, R$ 733.913,20 dos gastos com hotéis foram atribuídos ao ator. A documentação também registra duas parcelas de R$ 34.417,80 destinadas à hospedagem de dois seguranças vinculados à produção.
Os gastos com caracterização incluem R$ 10 mil pelo aluguel da peruca usada por Caviezel, R$ 3 mil pela locação de apliques e R$ 5,5 mil pela compra de perucas destinadas a um dublê e de um kit de dreadlocks.
As despesas classificadas como figurino somaram R$ 518,5 mil. A maior parcela, no valor de R$ 210 mil, foi destinada à equipe responsável pela área.
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Siga o Times | CNBCOutros R$ 157,5 mil foram gastos com a locação de peças e do acervo de figurino, R$ 120 mil com transporte e R$ 30,9 mil com serviços de costura, bordado e lavanderia.
A documentação também detalha as despesas de transporte durante as filmagens. Foram registrados 81 pagamentos relacionados a motoristas, vans e caminhões, totalizando R$ 375,9 mil.
Outros quatro pagamentos, no valor total de R$ 402,7 mil, aparecem relacionados à aquisição de veículos. Já 32 despesas com estacionamento somaram cerca de R$ 14 mil.
O detalhamento dos gastos ganhou relevância porque a Polícia Federal abriu uma investigação específica para apurar o financiamento de “Dark Horse”. A apuração busca esclarecer a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos recursos movimentados.
Um contrato encontrado nas comunicações extraídas do celular de Daniel Vorcaro previa investimento de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões à época, na produção. A PF identificou sete transferências da Entre Investimentos para o Havengate Development Fund, nos Estados Unidos, que somaram US$ 12,33 milhões em 2025.
Os R$ 20,9 milhões detalhados nos documentos correspondem aos gastos realizados no Brasil. Em uma prestação de contas mais ampla, a produtora também informou despesas relacionadas à etapa de produção nos Estados Unidos, elevando o custo declarado do projeto a cerca de R$ 75 milhões.
A investigação aponta que Flávio Bolsonaro participou de tratativas e cobranças relacionadas aos aportes. A PF encontrou, ainda, uma conversa atribuída a Eduardo Bolsonaro, com orientações sobre como os recursos poderiam ser administrados nos Estados Unidos.
O financiamento do longa já havia colocado a produção no centro das investigações sobre a relação entre Daniel Vorcaro e integrantes da família Bolsonaro.
O documento policial ressalta que o custo elevado de uma produção cinematográfica não caracteriza, por si só, irregularidade. A própria PF observa que contratos com profissionais internacionais, filmagens em diferentes países, pós-produção, marketing e distribuição podem elevar o orçamento. Ainda assim, considera que a dimensão dos valores identificados justifica aprofundar a investigação sobre a compatibilidade econômica e a destinação dos recursos.
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