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PF aponta núcleo com Lulinha para intermediar interesses privados no governo
Publicado 21/08/2026 • 09:00 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 21/08/2026 • 09:00 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citado em investigação da Polícia Federal sobre relações com empresários e possíveis pagamentos de despesas pessoais.
A Polícia Federal identificou, em uma investigação sobre suspeitas de tráfico de influência, elementos que indicam a existência de um núcleo de atuação permanente e coordenada formado por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, pela lobista Roberta Luchsinger e pelo empresário Fernando Bittar. Segundo a PF, o grupo atuaria na intermediação de interesses privados junto a agentes e órgãos do governo federal.
A avaliação consta de um relatório da PF revelado pela revista Veja, que teve acesso ao inquérito sigiloso. No documento, os investigadores atribuem a Lulinha papel de “elevada relevância” nas tratativas, embora ele apareça com menor exposição, e o apontam como beneficiário indireto de articulações conduzidas por terceiros.
Segundo o relatório, Roberta mantinha uma relação próxima e contínua com Lulinha e Bittar e atuava como elo entre eles, empresários, operadores financeiros e pessoas em cargos relevantes na administração pública.
A PF afirma ainda que as mensagens analisadas mostram que Roberta citava Lulinha como referência para as decisões nos projetos discutidos. Já a lobista é apontada pelos investigadores como responsável por conduzir diretamente as tratativas e por manter contato com empresários e agentes públicos.
A investigação ainda está em andamento. Não há decisão judicial que reconheça a prática de crimes pelos investigados.
Leia também: PGR pede que dois inquéritos sobre Lulinha saiam do STF e fiquem na primeira instância
Entre os elementos analisados pela PF estão mensagens recuperadas após a quebra do sigilo telemático de Roberta.
Parte das conversas ocorria em um grupo de WhatsApp chamado “Musaranhos”, do qual participavam Roberta, Lulinha e Fernando Bittar. Segundo a investigação, o grupo era utilizado para discutir negócios e contatos relacionados ao governo federal.
Em uma das mensagens reproduzidas no inquérito, Roberta afirma que Lulinha deveria ser preservado e só entraria diretamente nas articulações quando necessário. A PF interpreta as conversas como indicativas de que ele mantinha relevância nas tratativas, mesmo quando adotava menor exposição.
Os investigadores também analisaram mensagens relacionadas a negociações nas áreas de saúde, tecnologia e telecomunicações.
Uma das frentes envolve a tentativa de viabilizar a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. Segundo o material obtido pela PF, Roberta buscava acesso a integrantes da pasta e atuava na articulação do negócio.
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Siga o Times | CNBCA reportagem da Veja afirma que o projeto poderia superar R$ 1 bilhão caso avançasse. Mensagens analisadas pela PF também indicariam a participação de Lulinha em articulações para facilitar contatos com integrantes do Ministério da Saúde.
Outra frente envolve a Dataprev. Segundo o inquérito, mensagens mostram tentativas de atuação sobre decisões da estatal, responsável pelo processamento de dados relacionados a aposentados e pensionistas do INSS.
A investigação também reúne conversas relacionadas à Telebras. Em uma delas, Roberta informa a Lulinha que Kalil Bittar, irmão de Fernando Bittar, estaria usando o nome do filho do presidente em uma tentativa de negociação na estatal. Lulinha responde, orientando a lobista a desmentir que ele tenha autorizado o uso de seu nome.
O material divulgado até agora não aponta que Lulinha e Roberta tenham efetivamente fechado contratos com o governo federal. A investigação busca esclarecer se houve uso de influência para favorecer interesses privados e se as articulações resultaram em vantagens indevidas.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que representa Lulinha, nega que o empresário tenha relação com negócios envolvendo a administração pública federal.
À Veja, a defesa afirmou que Fábio Luís vem sendo investigado há anos, sem que tenham sido encontrados elementos que comprovem irregularidades, e atribuiu as apurações ao fato de ele ser filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O presidente Lula não é investigado no inquérito.
O caso integra um conjunto de investigações envolvendo Lulinha que chegaram ao Supremo Tribunal Federal.
Na quinta-feira (20), a Procuradoria-Geral da República pediu ao ministro André Mendonça que dois inquéritos envolvendo o filho do presidente fossem enviados à primeira instância. O argumento é que não há autoridades com foro por prerrogativa de função entre os investigados. A transferência depende da decisão do ministro.
Um dos inquéritos envolve a negociação de medicamentos à base de canabidiol com o Ministério da Saúde. A PF também apura o pagamento de R$ 1,5 milhão feito por Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, a Roberta Luchsinger pela intermediação do negócio.
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