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PF apura se Jaques Wagner tratou de crédito consignado em tema de interesse do Banco Master

Publicado 31/07/2026 • 17:25 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Jaques Wagner apresentou em março de 2022 uma emenda à medida provisória que ampliou a margem e o público do crédito consignado.
  • PF afirma que a mudança interessava ao Banco Master, que tinha no consignado e no Credcesta uma parte relevante de seus negócios.
  • Investigadores apontam proximidade temporal entre a atuação parlamentar e o início de contratos e pagamentos do banco a uma empresa ligada ao enteado do senador.
Senador Jaques Wagner.

Foto Lula Marques/ Agência Brasil.

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A Polícia Federal apura se a atuação do senador Jaques Wagner (PT-BA) na discussão sobre a ampliação do crédito consignado esteve alinhada aos interesses econômicos do Banco Master.

A linha de investigação consta de uma representação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal em 9 de junho. No documento, a PF relaciona a participação de Wagner na tramitação da Medida Provisória 1.106, de 2022, ao início de contratos e pagamentos do Master para a BN Financeira, empresa ligada ao núcleo familiar do parlamentar.

Os investigadores trabalham com a hipótese de que a atuação no Congresso e os repasses estariam relacionados. Essa possível conexão ainda está sob apuração e não representa uma conclusão sobre a prática de crime.

Wagner continua exercendo o mandato de senador pela Bahia, com período legislativo previsto até 2027.

Medida ampliou mercado do consignado

A Medida Provisória 1.106 foi editada em 17 de março de 2022 e posteriormente convertida na Lei 14.431.

A nova legislação elevou de 35% para 40% o limite da remuneração que trabalhadores regidos pela CLT poderiam comprometer com empréstimos consignados.

Para aposentados e pensionistas do Regime Geral de Previdência Social, a margem total passou de 35% para 45%. A medida também permitiu a contratação desse tipo de crédito por beneficiários do BPC e de programas federais de transferência de renda.

Na avaliação da PF, as mudanças aumentaram tanto o valor que poderia ser contratado quanto o número de pessoas habilitadas a tomar empréstimos.

A representação afirma que a expansão tinha relevância direta para o Banco Master e para o Credcesta, plataforma de crédito consignado ligada a Augusto Ferreira Lima, então sócio de Daniel Vorcaro na instituição financeira.

Wagner apresentou emenda sobre juros

Cinco dias depois da edição da medida provisória, em 22 de março de 2022, Jaques Wagner apresentou a Emenda 30.

Segundo a representação policial, a proposta tratava do limite dos juros cobrados nas operações. Na justificativa, o senador também pediu apoio dos demais parlamentares à aprovação da medida.

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O relatório não afirma que a emenda apresentada por Wagner tenha sido incorporada integralmente ao texto final. A linha investigativa se concentra no apoio do parlamentar à tramitação e à conversão da medida provisória em lei.

Para a PF, a atuação precisa ser analisada em conjunto com os vínculos mantidos entre pessoas próximas ao senador e o Banco Master.

Empresa ligada ao enteado foi contratada em 2022

A BN Financeira foi constituída em julho de 2021, como microempresa, com capital social de R$ 45 mil.

Entre os sócios estavam Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Wagner, e Bonnie Toaldo Bonilha, mulher de Eduardo.

A representação registra que a BN teria sido contratada pelo Banco Master a partir de 2022 para prospectar e indicar, com exclusividade, operações de crédito consignado. Os pagamentos também teriam começado naquele ano.

A PF considera relevante a proximidade entre a apresentação da emenda, em março de 2022, e o início da relação comercial entre o banco e a empresa ligada ao enteado do senador.

Segundo os investigadores, o serviço atribuído à BN correspondia justamente ao mercado ampliado pela legislação discutida no Congresso.

PF questiona capacidade da BN Financeira

A Polícia Federal afirma que a BN era uma empresa recém-criada, com capital reduzido e sem capacidade operacional aparente ou experiência que explicasse sua escolha para prospectar um dos principais produtos do Banco Master.

A hipótese investigativa é que os contratos tenham sido usados para dar aparência regular a transferências que não corresponderiam a serviços efetivamente prestados.

O relatório também menciona uma transferência de R$ 3,5 milhões feita em outubro de 2025 para a BN Financeira pela PKL One Participações, empresa vinculada ao núcleo de Augusto Ferreira Lima.

Os pagamentos, a atuação parlamentar e a relação entre Wagner e o ex-sócio do Master são analisados conjuntamente pela PF. A investigação ainda deverá esclarecer quais serviços foram efetivamente realizados, como os valores foram definidos e se o senador teve alguma participação nas contratações.

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