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CNBCCEO da Nvidia, Jensen Huang, surge como principal aliado de Trump no debate sobre segurança da IA

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CEO da Nvidia, Jensen Huang, surge como principal aliado de Trump no debate sobre segurança da IA

Publicado 20/09/2026 • 08:37 | Atualizado há 30 minutos

KEY POINTS

  • A posição de Jensen Huang como líder da empresa mais valiosa do mundo e fabricante de chips no centro do boom da IA ​​lhe rendeu o apoio do presidente Donald Trump.
  • Embora executivos de tecnologia como Mark Zuckerberg, CEO da Meta, e Jeff Bezos, presidente da Amazon, tenham se aproximado de Trump durante seu segundo mandato, especialistas dizem que o CEO da Nvidia está exercendo uma influência desproporcional.
  • Trump está cada vez mais espelhando as posições políticas de Huang sobre temas de IA, como segurança, dizendo esta semana que “os robôs não vão dominar o mundo”.

O CEO da NVIDIA, Jensen Huang, discursa sob a observação do presidente Donald Trump durante o evento "Investindo na América", no dia 30 de abril de 2025, no Cross Hall da Casa Branca.

Com o debate sobre a regulamentação da inteligência artificial em ebulição em Washington nesta semana, o presidente Donald Trump pegou o telefone para ligar para seu principal aliado no tema: o CEO da Nvidia, Jensen Huang.

“Os robôs não vão dominar o mundo”, disse Trump a Huang, que colocou o presidente no viva-voz enquanto estava no palco do All-In Summit, em Los Angeles, na segunda-feira. Trump repetiu uma afirmação que havia feito nas redes sociais: as crescentes preocupações com IA e data centers são uma “farsa”.

Enquanto outros líderes de tecnologia, como o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, e o fundador da Amazon, Jeff Bezos, se aproximaram de Trump durante seu segundo mandato, especialistas disseram à CNBC que Huang exerce uma influência desproporcional na Casa Branca. Segundo uma pessoa familiarizada com o assunto, que pediu anonimato por questões de confidencialidade, ele deverá participar do jantar de Estado de alto nível oferecido por Trump ao presidente chinês Xi Jinping na próxima semana.

A Nvidia impulsiona o boom da IA desde antes do lançamento do ChatGPT, no fim de 2022, fornecendo as unidades de processamento gráfico usadas pela OpenAI, Anthropic e outras empresas para treinar seus modelos e executar grandes cargas de trabalho. A receita disparou para US$ 215 bilhões no último ano fiscal, ante US$ 17 bilhões em 2021.

A posição de Huang como líder da empresa mais valiosa do mundo e da fabricante de chips que está no centro do boom da IA garantiu a ele a atenção do presidente em relação aos temas mais importantes da inteligência artificial.

“Trump simplesmente gosta de vencedores, e Jensen é muito bom em falar a língua dele”, disse Samuel Hammond, diretor de política de IA do think tank Foundation for American Innovation, em entrevista.

Um porta-voz da Nvidia se recusou a comentar, enquanto representantes da Casa Branca não responderam a um pedido de posicionamento.

Seja participando de um jantar à luz de velas no clube Mar-a-Lago, na Flórida, ou encerrando uma palestra agradecendo aos convidados por “tornarem a América grande novamente”, Huang aprendeu como conquistar a simpatia do presidente. Trump e Huang apareceram juntos em público pelo menos seis vezes desde o início do segundo mandato, incluindo viagens à Arábia Saudita e ao Reino Unido, além de uma recente viagem à China a bordo do Air Force One.

Huang defende que os Estados Unidos avancem mais rapidamente na área de IA, enquanto alguns dos principais clientes da Nvidia — especialmente OpenAI e Anthropic — aumentam a pressão sobre os governos para regulamentar a tecnologia diante dos temores sobre seus possíveis riscos.

Um pesquisador da Anthropic, Jacob Coxon, que anteriormente trabalhou na OpenAI, afirmou que deixou o emprego no início deste mês porque temia que os principais laboratórios de IA estivessem “apostando nossas vidas”. A demissão de Coxon provocou uma forte reação nas redes sociais e levou mais de 20 membros do Congresso a pedir maior fiscalização sobre o setor.

As preocupações já estavam crescendo após a OpenAI revelar um importante incidente de segurança em julho, quando dois de seus modelos escaparam do controle, acessaram a internet aberta e invadiram o repositório online de IA Hugging Face para obter uma pontuação melhor em um teste de benchmark.

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, citou esse episódio em um artigo contundente publicado uma semana atrás, no qual pediu que os desenvolvedores de IA reduzissem o ritmo de aprimoramento de seus modelos mais avançados. Amodei também incentivou as empresas a cooperarem diretamente com o governo dos Estados Unidos e reiterou seu desejo por uma “regulamentação bem elaborada da IA”.

A proposta de “ritmo controlado” de Amodei recebeu o apoio de outros líderes do setor, incluindo o CEO da OpenAI, Sam Altman, o CEO da SpaceX, Elon Musk, e o presidente do Google DeepMind, Demis Hassabis, que concordaram sobre a necessidade de desacelerar o desenvolvimento e ampliar a supervisão.

“Não causaram danos”

Huang adotou uma posição diferente.

Em aparições públicas ao longo da última semana, o CEO da Nvidia minimizou as preocupações com os riscos da IA. Ele afirmou que as previsões de um cenário catastrófico não são fundamentadas na ciência e que cabe aos desenvolvedores de modelos garantir a segurança de seus produtos antes de lançá-los.

A solução para as preocupações relacionadas à segurança, segundo Huang, é a “boa e velha engenharia”.

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“Houve incidentes e, felizmente, esses incidentes não causaram nenhum dano”, disse Huang na Escócia na quinta-feira.

A posição de Huang é amplamente compartilhada publicamente por David Sacks, investidor de capital de risco que anteriormente atuou como czar de IA e criptomoedas de Trump. Sacks é um dos apresentadores do podcast “All-In”, responsável pelo evento de segunda-feira que contou com a ligação entre Trump e Huang.

“A única forma de controle ou ‘barreira’ de que a IA precisa é de um PRESIDENTE FORTE E INTELIGENTE (QI alto!), e os EUA têm isso de sobra!”, escreveu Trump em uma publicação na Truth Social no mesmo dia da cúpula.

Antes da recente onda de preocupações sobre segurança, a Nvidia concentrava seus esforços de articulação em Washington nas restrições às exportações.

No ano passado, a Nvidia pressionava para vender seus chips de IA a países sujeitos a restrições, incluindo a China, o que provocou fortes críticas de parlamentares americanos.

Alguns membros do Congresso, incluindo os senadores Elizabeth Warren, democrata de Massachusetts, e Josh Hawley, republicano do Missouri, alertaram que a venda de hardware da Nvidia para a China poderia ameaçar a segurança nacional dos Estados Unidos e reduzir a vantagem americana na área de IA.

Em dezembro, a estratégia de Huang deu resultado. Trump anunciou que a Nvidia havia recebido autorização para enviar seu chip H200 a clientes chineses e que os Estados Unidos cobrariam uma taxa de 25% sobre essas vendas.

O anúncio do H200 provocou forte reação de parlamentares dos dois partidos. Huang recusou um convite de Warren para depor perante o Comitê Bancário do Senado em junho. No mês seguinte, uma autoridade comercial americana confirmou que as vendas dos chips H200 para a China estavam em andamento.

Motivo financeiro

A Nvidia e Huang argumentaram que proibir as exportações de chips para a China seria contrário aos interesses americanos, em parte porque uma medida desse tipo incentivaria a segunda maior economia e o segundo maior mercado de computação do mundo a desenvolver seus próprios chips avançados de IA. O H200 já não é o chip mais poderoso da Nvidia, que lançou duas gerações de seus processadores Blackwell mais recentes nos Estados Unidos.

Mas o destino das vendas da Nvidia não dependia inteiramente dos parlamentares americanos, já que os reguladores chineses bloquearam em grande parte as importações dos chips H200.

O claro interesse financeiro da Nvidia leva alguns especialistas a afirmar que as preocupações apresentadas pelos desenvolvedores de modelos devem ser levadas mais a sério do que as da fabricante de chips, já que são os laboratórios que efetivamente desenvolvem a tecnologia de IA.

“A Nvidia é a mais agressiva no sentido de: vamos simplesmente ganhar dinheiro”, disse Andrew Yoon, pesquisador da CivAI, uma organização sem fins lucrativos que alerta sobre os perigos da IA. “A cada passo, eles realmente estão tentando garantir que, aconteça o que acontecer, seja algo positivo para os resultados financeiros da Nvidia.”

As ambições da Nvidia na China terão grande importância durante o jantar de Estado na quinta-feira, quando Trump, Huang e Xi estarão na mesma sala. A Casa Branca também está planejando uma reunião com grandes executivos de IA em paralelo ao evento, segundo a CNN. Outros executivos do setor, incluindo Altman, também devem participar.

Mas a presença de Huang tem um peso adicional. Durante uma audiência na Câmara dos Representantes na segunda-feira, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, foi questionado se Trump compreende a ameaça representada pela IA.

“Eu diria apenas que o presidente está completamente alinhado com Jensen Huang, CEO da Nvidia”, respondeu Bessent.

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